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Governo central tem superávit primário de R$10,8 bi em julho com ajuda de antecipação de precatórios

27 ago 2026 - 15h38
(atualizado às 16h20)
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Resumo
O governo central registrou superávit primário de R$ 10,783 bilhões em julho, superando as expectativas do mercado. O resultado positivo foi impulsionado pelo aumento real de 7,7% nas receitas líquidas e pela queda de 20,7% nas despesas, reflexo direto da antecipação do pagamento de precatórios para março. Apesar do alívio mensal, as contas públicas acumulam déficit primário de R$ 81,305 bilhões de janeiro a julho e de R$ 71,6 bilhões em 12 meses (0,55% do PIB), frente à meta fiscal de 2026.

O governo central registrou um superávit ‌primário de R$10,783 bilhões em julho, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira, valor próximo ao esperado pelo mercado e muito melhor do que o déficit de R$59,070 bilhões observado no mesmo mês de 2025, dado impactado por uma mudança feita pelo governo no calendário ⁠de desembolsos de precatórios.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, ‌que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria superavitário em R$10,679 bilhões no mês passado.

O desempenho do mês ‌passado é resultado de receitas líquidas -- ‌que excluem transferências para governos regionais -- de R$226,305 bilhões, um ⁠aumento real de 7,7% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$215,522 bilhões, queda real de 20,7%.

Este ano o cronograma de pagamentos de precatórios teve os desembolsos antecipados para março, contra pagamentos principalmente em julho no ano passado.

Os dados do Tesouro ‌mostram uma queda de 99% nos pagamentos de sentenças judiciais na comparação ‌entre julho do ano ⁠passado e julho ⁠deste ano. O desembolso foi R$37,1 bilhões menor no mês passado.

Ainda do lado ⁠das despesas, houve em julho ‌quedas de R$18,1 bilhões ‌nos desembolsos de benefícios previdenciários (-17,7%), dado que também foi fortemente impactado pelos gastos menores com precatórios. O mesmo ocorreu nos pagamentos voltados a pessoal e encargos sociais, que caíram R$4,2 bilhões ⁠no mês (-8,9%).

No sentido oposto, houve um aumento de R$4,2 bilhões nos gastos com créditos extraordinários por conta das medidas de mitigação dos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio.

Do lado das receitas, o resultado mensal foi impulsionado por ‌uma elevação de R$7,0 bilhões em Imposto de Renda, 9,1% acima de julho de 2025, de R$5,0 bilhões com exploração de recursos ⁠naturais, alta de 29,4%, e de R$4,2 bilhões em receitas previdenciárias líquidas, crescimento de 7,4%.

Esses ganhos compensaram com folga recuos de R$3,0 bilhões na arrecadação de Cofins (-9,0%) e queda de R$1 bilhão no Pis/Pasep (-10,9%).

No acumulado de janeiro a julho, o governo central registrou um déficit primário de R$81,305 bilhões, contra déficit de R$70,347 bilhões no mesmo período de 2025. Em 12 meses, o governo acumula um déficit de R$71,6 bilhões, ou 0,55% do PIB.

A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com tolerância de 0,25 ponto percentual, além de algumas despesas não contabilizadas.

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