Gold Energia obtém na Justiça proteção contra credores por 60 dias
Dívidas somam cerca de R$ 188,8 milhões para duas dezenas de empresas, sendo os principais credores o BTG Pactual, a Auren e a Statkraft
A 3ª Vara de Recuperação Judicial e Falências da Justiça de São Paulo suspendeu por 60 dias qualquer execução de dívida da Gold Comercializadora de Energia, para que a empresa possa negociar com os credores por meio de um processo de arbitragem na Câmara Especial de Resolução de Conflitos e Reestruturação de Empresas (CamCMR).
Somadas, as dívidas chegam a cerca de R$ 188,8 milhões. A ação é movida pelo escritório especializado em reestruturação de passivos, Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados.
Segundo pessoas próximas à empresa, o passivo está relacionado a 20 empresas, entre elas os maiores valores são para o BTG Pactual, a Auren e a Statkraft. Não foram informados individualmente os valores dos débitos.
No pedido de cautelar, a comercializadora disse à Justiça que vinha negociando seus passivos em condições viáveis, mas que devido algumas contrapartes passaram a processá-la para pedir execuções de títulos de dívida e rescisões contratuais, o que poderia "deflagrar a aplicação de inúmeras penalidades pecuniárias", diz trecho da petição à Justiça.
No documento, a empresa diz que, se atendidas as pretensões dos credores, seria desencadeado um colapso em suas receitas, fazendo com que a comercializadora deixe de cumprir com outras obrigações assumidas com credores. Num cenário extremo, isso comprometeria a continuidade das atividades da companhia.
A Gold Energia menciona, por exemplo, uma ação movida pela Casa dos Ventos (CDV), que pede a indisponibilidade de bens da Gold para garantir o pagamento de obrigações. Embora os valores não tenham sido informados na petição, o Estadão/Broadcast Energia apurou que a CDV cobra R$ 30 milhões da Gold.