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Gastos do governo são único fator que impede queda do PIB da Alemanha, afirma BC

12 jun 2026 - 08h00
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Os elevados gastos do governo com defesa ‌e infraestrutura impedirão que a Alemanha entre em recessão este ano, em meio aos impactos da guerra no Irã sobre a maior economia da Europa e a inflação, afirmou o banco central do país nesta sexta-feira.

A economia alemã tem estado praticamente estagnada nos últimos três anos, com um aumento nos gastos ⁠que deveria retomar o crescimento este ano ofuscado pela alta dos preços da ‌energia.

A terceira maior economia do mundo deve agora crescer apenas 0,5% em 2026, abaixo da previsão de 0,6% feita em dezembro, enquanto a expansão para ‌2027 foi reduzida de 1,3% para 0,8%, informou ‌o Bundesbank um dia depois de o BCE ter reduzido sua ⁠própria previsão de crescimento para a zona do euro, mas ainda assim ter aumentado as taxas de juros para combater a inflação.

"A política fiscal expansionista será a única coisa que impedirá uma queda no Produto Interno Bruto no semestre do verão", afirmou o Bundesbank. "Isso compensará, mais ou menos, o impacto da guerra ‌no Oriente Médio."

O banco estima que os gastos do governo, particularmente com defesa, ‌impulsionarão o crescimento em 1,3 ⁠ponto percentual acumulado ⁠até 2028.

Mas os altos custos da energia vão reduzir o poder de compra das famílias, ⁠enquanto as empresas também podem enfrentar ‌gargalos crescentes de abastecimento e ‌uma demanda mais fraca.

Além disso, a incerteza e as taxas de juros mais altas também serão um entrave ao investimento privado, mesmo que o impacto da guerra venha a diminuir nos próximos anos, acrescentou o ⁠banco central.

"Os riscos estão claramente inclinados para cima em relação à inflação e para o lado negativo em relação à atividade econômica", afirmou o banco.

Em seu relatório mensal, o Ministério da Economia da Alemanha também alertou nesta sexta-feira sobre o efeito moderador dos altos ‌custos de energia sobre a demanda.

Ele afirmou que a economia alemã se recuperará, na melhor das hipóteses, apenas em pequenos passos, e que o mercado ⁠de trabalho não mostra sinais de melhora nos próximos meses.

O Bundesbank não prevê que a alta subjacente dos preços, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, volte a ficar abaixo da meta de 2% do BCE até o horizonte de previsão de 2028.

A inflação geral na Alemanha deve ficar em 2,9% este ano e 2,7% em 2027, corroborando os comentários do presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, de que o BCE estará pronto para aumentar as taxas de juros novamente em julho, se necessário.

A inflação subjacente, por sua vez, deve ficar em 2,6% este ano, 2,5% em 2027 e 2,3% em 2028, refletindo a própria projeção do BCE de que pode ser difícil levá-la de volta a 2%.

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