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Fluxo de dólares abre espaço para BC não rolar de forma integral swaps cambiais e linhas

23 fev 2026 - 16h25
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O Banco Central tem espaço para não ‌rolar integralmente os swaps cambiais e as linhas que estão para vencer em março, reduzindo a oferta de dólares aos investidores, em função do recente fluxo positivo de recursos para o Brasil, afirmaram nesta segunda-feira profissionais de mercado ouvidos pela Reuters.

Notas de dólar
10/03/2023
REUTERS/Dado Ruvic/
Notas de dólar 10/03/2023 REUTERS/Dado Ruvic/
Foto: Reuters

Dos 750.000 contratos de swap que vencem em 2 de março, o BC rolou até a última sexta-feira 725.000. Nesta segunda-feira, a instituição não fez operações.

Mesmo sem ter ⁠completado a rolagem do vencimento de março, na última sexta-feira, por meio de nota, o BC informou ‌que pretende iniciar a rolagem dos contratos de swap cambial programados para vencer em 1º de abril na semana que vem, no dia 4 de março. Estão programados para vencer em abril também um ‌total de 750.000 contratos de swap, no valor de US$37,5 ‌bilhões.

No mercado, a percepção é de que o BC não rolará os 25.000 contratos restantes ⁠de março, no valor de US$1,25 bilhão, porque a liquidez está abundante, em meio ao fluxo de investimentos estrangeiros para o país.

"Está havendo mais fluxo, então não tem por que o BC rolar tudo", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. "E vai existir mais fluxo ainda com possíveis captações externas", acrescentou.

Na semana passada, o Tesouro Nacional captou US$4,5 bilhões no mercado internacional em papéis de 10 e ‌30 anos. Após operações assim, é comum que empresas também tentem acessar o mercado internacional, o que engrossa ‌o fluxo de dólares para o ⁠Brasil.

Os dados mais recentes ⁠do Banco Central mostram que no acumulado do ano até 13 de fevereiro o Brasil recebeu líquidos US$6,556 bilhões, dos ⁠quais US$6,041 bilhões pela via financeira -- que abrange, entre ‌outros itens, os aportes feitos na ‌bolsa brasileira, que impulsionaram o Ibovespa para perto dos 190 mil pontos e pesaram sobre as cotações da moeda norte-americana. O valor restante entrou via operações comerciais.

"O paradoxo é que, tradicionalmente, quando se vê um cenário de aversão a risco, isso sempre foi associado à compra do ⁠dólar. Mas desta vez estamos em um momento de incerteza em relação aos EUA", comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. "Essa incerteza está escoando dinheiro para os países emergentes."

Segundo ele, o fluxo de recursos para o Brasil abre espaço para o BC não rolar todo o estoque de swaps de março, sem que haja impacto maior nas cotações. ‌E isso também vale para as linhas -- operações em que o BC vende dólares com o compromisso de recompra no futuro.

Na última sexta-feira, o BC vendeu apenas US$1 bilhão de uma oferta de ⁠US$2 bilhões em leilão de linha voltado para a rolagem do vencimento de 3 de março. Estão programados para vencer nesta data um total de US$3 bilhões em linhas.

O BC costuma realizar operações no mercado de câmbio quando identifica "disfuncionalidades", como uma demanda maior por dólares em determinada época do ano, por exemplo.

Quando o BC vende ao mercado contratos de swap, um tipo de derivativo cambial, o efeito é equivalente à negociação de dólares no mercado futuro -- o segmento mais líquido no Brasil. Esses contratos possuem datas específicas de vencimento.

Já nos leilões de linha o BC vende dólares à vista ao mercado, mas com o compromisso de recompra em uma determinada data.

Tanto no caso do swap quanto no das linhas, há vencimentos programados para o início de março. Ao promover uma "rolagem", o BC, na prática, mantém os swaps e os dólares nas mãos do mercado, com nova data de vencimento no futuro. Assim, a rolagem integral tem efeito neutro sobre a taxa de câmbio.

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