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Exportar merenda escolar dá dinheiro? A aposta da Risotolândia para chegar a R$ 1 bilhão

Empresa paranaense de refeições coletivas com 72 anos, após se estabelecer no País, inicia sua internacionalização pelo Chile

1 abr 2026 - 04h57
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Carlos Humberto de Souza Filho da Risotolândia
Carlos Humberto de Souza Filho da Risotolândia
Foto: Divulgação

A disputa por contratos de alimentação escolar fora do Brasil expõe um desafio pouco visível: adaptar um serviço altamente operacional a culturas, regulações e cadeias de suprimento distintas.

É nesse contexto que o Grupo Risotolândia, empresa paranaense de refeições coletivas com 72 anos, inicia sua internacionalização. A estreia acontece no Chile, onde a companhia assumirá, a partir de março de 2026, a gestão da alimentação em 12 escolas públicas de Santiago, com cerca de 5 mil refeições por dia.

O movimento ocorre após cinco anos de estudo do mercado chileno e marca o início de um plano mais amplo: atingir R$ 1 bilhão em faturamento até 2027, com parte desse crescimento vindo de fora do Brasil.

“A internacionalização faz parte de um plano estruturado de crescimento e expansão do Grupo. Iniciamos um novo ciclo, que ampliará nossa presença em diversos mercados”, afirma Carlos Humberto de Souza Filho, gerente de Planejamento Estratégico e Novos Negócios do Grupo Risotolândia.

A expectativa é que a operação no Chile gere R$ 100 milhões em receita até 2027, enquanto a empresa amplia sua atuação também no setor privado local.

Por que o Chile entrou no radar

A escolha do Chile não foi casual. Segundo Souza Filho, o país reúne condições que reduzem incertezas típicas da expansão internacional.

“É um país politicamente estável, com economia robusta e programas sociais bem estabelecidos”, diz. Um dos principais atrativos é o Programa de Alimentação Escolar chileno, que atende cerca de 2 milhões de crianças e opera por meio de contratos com empresas privadas.

Além disso, a proximidade geográfica e cultural com o Brasil facilita a operação inicial. A conexão aérea frequente com Santiago também pesa na logística e na gestão.

Exportar o modelo — e adaptar o prato

Apesar de levar um modelo consolidado no Brasil, a empresa não replica a operação de forma integral. A adaptação local aparece como um dos principais pontos de tensão.

“O que exportamos do Brasil envolve os processos de gestão, planejamento e controle, os procedimentos de qualidade e a mão de obra especializada”, diz Souza Filho.

Já o cardápio e os insumos seguem outra lógica. “Alimentação é sempre um forte elemento cultural de uma sociedade, e por isso respeitamos os ingredientes e preparações comumente utilizados”, afirma.

Na prática, isso exige a construção de uma nova cadeia de fornecedores no país e ajustes no portfólio de refeições — um processo que tende a impactar custos e eficiência no curto prazo.

O desafio da operação local

O modelo da Risotolândia depende da produção dentro das próprias escolas, o que aumenta o controle de qualidade, mas também a complexidade operacional.

No Chile, a empresa mobilizará cerca de 50 colaboradores, entre profissionais locais e brasileiros. A estratégia inclui absorver trabalhadores que já atuavam na merenda escolar, como forma de reduzir atritos culturais e acelerar a curva de aprendizado.

As diferenças regulatórias também entram na equação. Embora o Brasil seja referência global em alimentação escolar, segundo Souza Filho, a execução local exige ajustes finos.

“As diferenças principais estão nos ingredientes e pratos, desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores distinta e contratação de mão de obra local”, diz.

Licitações como porta de entrada — e limite

A entrada no Chile ocorreu por meio de licitação pública, modelo que garante previsibilidade inicial.

“A licitação do programa de alimentação escolar nos dá uma entrada interessante por garantir um prazo de 3 anos com um faturamento que já justifica o estabelecimento de uma estrutura administrativa local”, afirma.

Ao mesmo tempo, esse formato pode limitar a velocidade de expansão. Por isso, a empresa já planeja avançar no setor privado, principalmente em educação, para diversificar receitas.

Gestão de risco entra no centro da estratégia

Expandir para fora do Brasil também é uma forma de diluir riscos macroeconômicos, como inflação e custo de capital.

“A internacionalização serve como estratégia de mitigação de alguns riscos característicos da exposição exclusiva ao Brasil”, diz Souza Filho.

Mas novos riscos surgem. No Chile, a operação inclui protocolos para terremotos — um cenário inexistente na rotina brasileira.

“Existem planos pré-estabelecidos, como o envio de produtos embalados e não perecíveis para atender as crianças em eventos adversos”, afirma.

A experiência, segundo ele, pode retroalimentar a operação no Brasil, especialmente diante do aumento de eventos climáticos extremos que afetam logística e produção.

De empresa familiar a operação multinacional

Fundada em 1953, em Curitiba, a Risotolândia produz hoje mais de 550 mil refeições por dia e emprega cerca de 4.500 pessoas. A operação inclui alimentação escolar, corporativa e hospitalar, além de logística e refeições prontas ultracongeladas.

A entrada no Chile reposiciona a empresa como uma multinacional brasileira de base familiar — um movimento que amplia o potencial de crescimento, mas também eleva a exposição a novos mercados.

O próximo passo será escalar a presença internacional sem perder eficiência operacional — um desafio recorrente em negócios intensivos em serviço e logística.

Fonte: Portal Terra
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