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Dólar avança de forma generalizada e DXY alcança maior nível em mais de um ano

9 ago 2018
18h44
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O dólar apresentou ganhos generalizados nesta quinta-feira, 9, subindo em relação a moedas fortes e de países emergentes, apoiado por um conjunto de fatores favoráveis à moeda americana. O diferencial de juros entre os Estados Unidos e outras economias continuou no foco dos agentes, enquanto disputas comerciais e tensões geopolíticas minaram a demanda pelas moedas da Rússia, da Turquia e da Nova Zelândia.

Próximo ao horário de fechamento das bolsas em Nova York, o dólar subia para 111,07 ienes e o euro caía para US$ 1,1533. Já o índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de outras seis divisas principais, fechou em alta de 0,47%, para 95,504 pontos, no maior nível desde 2 de julho de 2017.

Os pedidos de auxílio-desemprego em solo americano caíram para 213 mil na semana passada, enquanto a previsão era de aumento para 220 mil. "Ainda é cedo demais para ter certeza, mas cada vez mais parece que a tendência de desemprego caiu para uma nova mínima cíclica devido ao forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre", afirmou o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Ian Shepherdson. De acordo com ele, "mesmo que as empresas pareçam estar recuando um pouco no ritmo de novas contratações, o ritmo de demissões continua a diminuir. As empresas não querem deixar os trabalhadores irem embora, porque substituí-los é extremamente difícil".

A aceleração da atividade econômica nos EUA e o recuo da taxa de desemprego a mínimas históricas não foram suficientes para dar impulso a aumentos salariais no país, fazendo com que a inflação continuasse em níveis mornos. A expectativa, no entanto, é de crescimento dos salários, com os reajustes ganhando tração em meio ao aquecimento econômico e a um possível aumento da produtividade no país, apontam analistas consultados pelo Broadcast.

Em relação às divisas emergentes, a lira turca e o rublo russo foram as mais penalizadas pelo grande fôlego mostrado pelo dólar. A moeda americana chegou a 5,5696 liras, renovando máxima histórica, diante do pânico dos investidores com a conjuntura econômica do país, após o governo de Recep Tayyip Erdogan ter lançado planos macroeconômicos que deixaram a incerteza no ar. Quanto à Rússia, pesaram as sanções americanas anunciadas contra Moscou ontem. Nesse cenário, o dólar atingiu o maior nível em dois anos em relação ao rublo e, no fim da tarde, a moeda americana subia para 66,661 rublos.

Entre divisas principais, impressionou a queda do dólar neozelandês, que chegou ao menor nível em mais de dois anos em relação à divisa dos EUA. A política monetária foi a responsável pelo tombo da moeda, tendo em vista que o Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ, na sigla em inglês) manteve o juro básico inalterado em 1,75%. No fim da tarde, o dólar neozelandês cedia para 0,6621 dólar. "O RBNZ informou que a próxima alta no juro ocorrerá somente no segundo semestre de 2020 e isso reduziu a demanda pela moeda do Pacífico", disseram analistas da corretora Tempus.

O euro não foi poupado do ímpeto ascendente da moeda americana. Logo pela manhã, o Banco Central Europeu (BCE) apontou que os riscos negativos para a economia global se intensificaram em meio a incertezas com o embate tarifário travado a ferro e fogo pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Além disso, a moeda única sofreu nas mãos da Itália em meio às idas e vindas da questão orçamentária, com o governo de Giuseppe Conte querendo implementar reforças em meio à pressão fiscal da União Europeia.

Os agentes ignoraram o fraco índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA, que ficou estável na passagem de junho para julho, enquanto analistas esperavam avanço de 0,2%, conforme mostrou o Departamento do Trabalho do país. "As tarifas sobre painéis solares, máquinas de lavar, aço, alumínio e sobre importações em produtos chineses não aumentaram os preços para o produtor mês passado", disse o economista Christopher Rupkey, do MUFG Union Bank, em nota a clientes. Para ele, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, "não está confortável com as perspectivas de inflação e não tem certeza se ganhamos essa batalha". Nesta sexta-feira, 10, será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA.

Estadão Conteúdo

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