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Dólar à vista fecha em alta com preocupações sobre agenda econômica do governo

3 nov 2026 - 17h54
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Resumo
O dólar à vista subiu 0,74%, fechando a R$ 5,4863, impulsionado por incertezas sobre a política econômica do governo Lula e a cautela pré-Copom. O mercado reagiu mal a rumores sobre propostas heterodoxas de André Lara Resende, que sugerem corte da Selic e uso de reservas para conter a dívida pública, embora a Fazenda tenha descartado o plano. No exterior, a moeda americana também avançou frente a outras divisas, com investidores atentos às eleições legislativas nos Estados Unidos.

O dólar fechou a terça-feira em alta ‌no Brasil, em meio a um ambiente de cautela no mercado doméstico diante de preocupações com a agenda econômica do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou o dia com elevação de 0,74%, a R$5,4863.

Na volta do feriado do Dia de Finados após uma semana turbulenta para os ativos domésticos por conta do resultado das eleições, o mercado ⁠local teve mais uma sessão de perdas.

O mau humor foi alimentado por notícia publicada na coluna ‌de Lauro Jardim, do jornal O Globo, dizendo que o presidente Lula se encontraria com André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real.

O economista publicou recentemente um texto no qual ‌defende um novo regime monetário que incluiria a redução programada ‌e gradual da Selic para reduzir a dívida pública e ajustar as contas do governo ⁠sem grandes cortes de gastos. O plano do economista também propõe o uso de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o real.

A informação gerou preocupação entre investidores, com analistas argumentando que a adoção de tais medidas poderiam gerar efeito oposto ao esperado, pressionando ainda mais a inflação e impondo risco às reservas internacionais.

O real teve um dos piores desempenhos entre uma cesta ‌de moedas globais nesta terça, perdendo apenas para o peso mexicano.

Durante a manhã desta terça-feira, o ministro ‌da Fazenda, Dario Durigan, disse que ⁠a proposta de Lara ⁠Resende tem "deficiências" e não está na mesa de discussão do governo, reforçando a defesa de um ajuste fiscal ⁠gradual. Durigan também afirmou que ainda não teve a ‌oportunidade de conversar com Lula ‌sobre novas indicações para o BC, mas afirmou que as nomeações de novos diretores serão feitas com "rigor técnico" e com "diferentes perfis".

Os agentes também se posicionavam nesta sessão para a decisão de juros do Copom, na quarta-feira. A queda acentuada do mercado brasileiro após a reeleição ⁠de Lula turvou as perspectivas de crédito mais barato, deixando o Banco Central na posição de ponderar os riscos de inflação contra os custos de financiamento dolorosamente altos.

A pesquisa Focus divulgada nesta manhã mostrou que os economistas consultados pelo Banco Central ainda esperam um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na quarta-feira, mas elevaram a ‌projeção para a taxa no final do ano para 13,50%, de 13,25% antes. Já pesquisa da Reuters apontou a expectativa de manutenção da Selic no nível atual de 13,75% esta semana, ⁠após forte reação negativa dos mercados à reeleição de Lula.

"Apesar da alta do dólar, a bandeira amarela da energia elétrica contribui como pressão baixista. Além disso, a perda de fôlego da atividade também é um fator que poderá ser citado", disse José Faria Júnior, em relatório da Wagner Investimentos.

No exterior, o dólar subiu ante a maioria das moedas. O foco dos agentes está nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem levar a uma mudança no controle do Congresso norte-americano. Operadores no Polymarket veem cerca de 77% de probabilidade de os democratas conquistarem o controle de ambas as Casas do Congresso dos EUA, um resultado que pode levar a uma supervisão mais rigorosa da inteligência artificial e a uma regulamentação mais ampla das empresas.

O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,13%, a 101,850, às 17h35.

(Edição de Isabel Versiani)

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