Ibovespa amplia queda após eleição e fecha na mínima desde janeiro
O Ibovespa caiu 1,42%, aos 165.528,92 pontos, atingindo a mínima desde janeiro e acumulando perdas contínuas após as eleições. O índice foi pressionado pela desvalorização de Petrobras e Vale, impactadas pelas commodities no exterior, e pela cautela do mercado quanto ao futuro ministro da Fazenda e à política fiscal do novo governo Lula. Incertezas macroeconômicas refletiram ainda na piora das projeções do Boletim Focus para a inflação e na expectativa pela decisão sobre a taxa Selic.
O Ibovespa fechou em baixa nesta terça-feira, perdendo o patamar dos 165 mil pontos no pior momento, pressionado por forte recuo de Petrobras e Vale, mas também debilitado por incertezas no mercado sobre o rumo da economia do país.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,42%, a 165.528,92 pontos, mínima de fechamento desde 19 de janeiro. No pior momento do dia, alcançou 164.446,53 pontos. Na máxima, marcou 168.005,46 pontos.
O volume financeiro somou R$42,62 bilhões, em pregão marcado por ajustes ao movimento de ativos brasileiros no exterior na véspera, após a semana começar com a B3 fechada em razão do feriado de Dia de Finados.
O Ibovespa fechou em queda em todas as sessões desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de outubro. No último pregão antes do desfecho das urnas, estava acima de 205 mil pontos.
Estrategistas do BTG Pactual decidiram reduzir o risco da carteira de ações 10 SIM recomendada para novembro, enviada em relatório a clientes nesta terça-feira, citando perspectivas incertas, enquanto aguardam alguma direção sobre a política econômica dos próximos quatro anos.
"Neste momento, os mercados aguardam o novo ministério do presidente Lula, especialmente quem comandará a economia, e quaisquer sinais de medidas fiscais que possam ao menos reduzir o ritmo de crescimento das despesas", afirmaram no documento.
De acordo com a equipe do BTG, a maioria dos participantes do mercado, incluindo a equipe do banco, não espera ajustes estruturais nas contas fiscais, como os valuations atuais mostram claramente.
"No entanto, dado o nível atual de estresse, mesmo pequenos ajustes podem ajudar a estabilizar o mercado e os juros de longo prazo", afirmaram.
Para a equipe do BB Investimentos, apesar do Ibovespa voltar a negociar com desconto relevante em relação aos mercados emergentes, avaliações mais atrativas não garantem, isoladamente, uma recuperação sustentada.
"A acomodação dos preços dependerá da incorporação de novas perspectivas macroeconômicas às projeções das companhias, em um período no qual repiques podem ocorrer, mas a tendência ainda exige atenção", apontaram em relatório.
Nos últimos dias, a informação de que Lula poderia se reunir com um dos pais do Plano Real, André Lara Resende, que defendeu um novo regime monetário que incluiria uma limitação dos juros básicos no país, repercutiu mal entre agentes financeiros.
A informação foi negada por membros do governo e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou nesta terça-feira que nomeações de novos diretores do BC serão feitas com "rigor técnico" e com "diferentes perfis".
Pessoas próximas a Lula também têm afirmado que ele provavelmente levará algum tempo para tomar uma decisão sobre o ministro da Fazenda.
"Isso traz um pouco de ansiedade", afirmou o operador sênior Thiago Gentil, da Blue3 Investimentos, destacando que há ainda muito ajuste de posição, com investidores também esperando alguma sinalização no âmbito fiscal.
"Enquanto não sai nada disso, realmente o mercado fica muito, muito tenso", afirmou.
Pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira refletiu a desconfiança no mercado sobre o novo mandato petista, mostrando deterioração nas perspectivas para inflação e atividade econômica em 2026 e 2027.
O relatório também mostrou que os agentes passaram a enxergar uma taxa Selic de 13,50% ao final do ano, de 13,25% anteriormente, e de 12,50% para o final de 2027, de 11,75%.
A decisão de juros do BC na quarta-feira é considerada um dos principais eventos da agenda local na semana, principalmente as sinalizações sobre os próximos movimentos de política monetária.
A maioria das estimativas de economistas em pesquisa da Reuters aponta manutenção da Selic em 13,75% ao ano.
Mas a temporada de balanços corporativos também ganha fôlego e o foco deve ficar voltado principalmente para as perspectivas dos executivos.
Nesta terça-feira, Itaú Unibanco, BB Seguridade, Isa Energia, Marcopolo e RD Saúde estão entre as companhias com resultados após o fechamento.
No exterior, investidores aguardam o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com previsões apontando que os democratas conquistarão a Câmara dos Deputados dos republicanos, enquanto o controle do Senado permanece incerto.
O índice acionário norte-americano S&P 500 fechou em alta de 0,36%.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN caiu 3,79% e PETROBRAS ON recuou 3,65%, tendo como pano de fundo a forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional na véspera, quando o barril do Brent fechou com declínio de 7,6%, e continuidade do declínio nesta terça-feira, quando a commodity encerrou o dia cotada a US$103,60, em baixa de 1,12%. No pior momento, as PNs tombaram 6,75% e as ONs despencaram 6,6%. Os ADRs da estatal já haviam recuado na véspera em Nova York. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostraram nesta terça-feira que a produção de petróleo do Brasil registrou seu quarto recorde mensal consecutivo em setembro.
• VALE ON recuou 2,85%, em sessão de fraqueza dos futuros do preço do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,74%, a 671 iuans (US$100,57) por tonelada.
• EMBRAER ON subiu 4,24%, após a companhia anunciar na véspera que o Ministério da Defesa Nacional da Grécia assinou um contrato para aquisição de três cargueiros KC-390 Millennium, com opções de compra para mais três unidades, por meio de um acordo governamental entre a Grécia e Portugal.
• ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,48% antes da divulgação do balanço, após o fechamento. Estrategistas do BTG Pactual tiraram as ações do Itaú de sua carteira de ações 10 SIM recomendada para novembro, citando deterioração nas condições de crédito. No setor, BRADESCO PN caiu 2,02%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,7% e BTG PACTUAL UNIT fechou em baixa de 1,05%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT avançou 2,26%.
• COGNA caiu 12,66%, após analistas do Citi cortarem a recomendação dos papéis para venda e reduzirem o preço-alvo de R$2,5 para R$1,2, citando deterioração nos resultados. Entre os papéis do setor no Ibovespa, YDUQS ON, que teve a recomendação de compra mantida, fechou em alta de 1,23%.
• TIM ON avançou 1,46%, tendo como pano de fundo expectativas envolvendo a venda da empresa pelo controlador. Na semana passada, o presidente-executivo da Poste Italiane afirmou que o grupo não considera a TIM Brasil um ativo estratégico da Telecom Italia. A Poste detém 87% da Telecom Italia, que por sua vez detém cerca de 68% da TIM Brasil. Nesta terça-feira, o Valor Econômico disse que a possível venda da TIM Brasil já movimenta bancos de investimento.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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