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'Década do fazer' deve engajar empresas contra desigualdades

Ação social precisa ir além dos salários dos colaboradores; no mercado financeiro, iniciativas melhoram reputação

16 jun 2021 13h20
| atualizado às 17h48
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Cada vez mais o setor privado compreende seu papel na redução das desigualdades e investidores veem valor nas ações sociais. A pandemia escancarou a necessidade de olhar para as pessoas - que estão dentro e fora das empresas - ao mesmo tempo em que aprofundou as diferenças. Na "década do fazer", o aspecto social se impõe e exigirá colaboração de governo, setor privado e sociedade civil para tornar o mundo mais justo.

Foto: Ferreira Silva/iStock

A necessidade de integração social para superar desigualdades foi tema do primeiro painel desta quarta-feira, 16, no Summit ESG, evento realizado pelo Estadão. Participaram do debate Nelmara Arbex, sócia-líder de ESG da KPMG no Brasil, Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV Eaesp, Alexandre Sanches Garcia, pró-reitor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), e Ana Siqueira, sócia-cofundadora da Artha Educação.

Segundo os debatedores, há uma expectativa de fazer frente a problemas complexos, como a redução das desigualdades. E as empresas precisam entrar nessa equação, com soluções. "São centros de recursos financeiros, intelectuais e sem elas tentar resolver problemas fica cada vez mais difícil e muitas vezes impossível", diz Nelmara. O papel social das empresas, afirma, vai além da definição de salários de seus colaboradores: é preciso olhar para a cadeia de fornecedores e a relação com a comunidade.

Outro efeito, menos tangível, diz respeito ao potencial multiplicador de ações nessa área. "Quando uma mulher é respeitada no ambiente de trabalho, se sente tratada igualmente, ela leva essa confiança para dentro da sua família, da sua comunidade. Isso volta para a sociedade e tem consequências que a gente nem consegue descrever", completa Nelmara.

Ainda é difícil medir impactos financeiros de ações no aspecto social e definir indicadores, segundo Claudia. "Tenho receio de estudos que chegam de maneira muito definitiva dizendo que ESG (ambiente, social e governança) não traz ou traz valor." O que não deve ser motivo para que o setor privado deixe de olhar para isso. "Várias iniciativas das empresas na vertente ESG são pré-financeiras. Toma-se a decisão hoje esperando ter resultado no futuro", afirma a pesquisadora.

A agenda ESG se impõe para além do que é cobrado na lei. No mercado financeiro, a atenção a essas questões já tem impacto na reputação das companhias. Para Ana, a valorização de ações sociais nas empresas pelos investidores é uma "maratona" e a mudança de chave "não acontece do dia para a noite". É preciso, segundo ela, engajamento com as empresas, o que não se resume ao voto em assembleia: diz respeito a conhecer profundamente o negócio. "Os próprios gestores e analistas devem se educar e saber cobrar das empresas essa transformação."

Quando o tema é redução das desigualdades, as dificuldades com o ensino na pandemia trazem desafio adicional. Milhares de crianças e jovens ficaram sem escola e sem acesso à tecnologia. Tudo isso dificulta a formação de profissionais qualificados para ocupar postos nas empresas e o risco é de que famílias pobres fiquem cada vez mais pobres. A pandemia também afetou o ensino superior e até mesmo a educação executiva, necessária para a formação de lideranças dentro das corporações.

Painel online do Summit ESG debateu soluções para superar a desigualdade.
Painel online do Summit ESG debateu soluções para superar a desigualdade.
Foto: Reprodução / Estadão

"As empresas têm papel na parte de incentivo aos seus colaboradores para o estudo. Na pandemia, isso caiu muito", diz Garcia. A necessidade de formação também se impõe diante da automação de postos de trabalho, segundo Ana, e há um dever moral e ético de olhar para essas questões, especialmente para os mais vulneráveis, se quisermos levar o País adiante.

A responsabilidade não é só do governo. "A 'década do fazer' vai exigir que a gente escolha onde pode contribuir mais. Para as empresas, é uma trajetória. Não tem problema se está começando", diz Nelmara. "O importante é entender que isso faz parte da construção do futuro que queremos ter. É uma década de colaboração por soluções", completa a sócia-líder de ESG da KPMG no Brasil.

Estadão
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