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Copom reduz taxa de juros em 0,25 ponto pela 4ª vez seguida e Selic cai a 14% ao ano

Juros já baixaram 1 ponto porcentual desde março, quando o BC começou 'ciclo de calibração' da política monetária

5 ago 2026 - 18h44
(atualizado às 19h06)
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BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 5, reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano, 5. A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro.

Foi o quarto corte consecutivo. Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou um "ciclo de calibração" da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.

Antes, o Copom manteve a Selic em 15% - o maior nível em quase duas décadas - por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026.

No comunicado, o colegiado afirmou que o cenário atual é caracterizado por significativo aumento da incerteza que "demanda serenidade e cautela" na condução da política monetária. "O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", diz o texto.

O Comitê afirmou que monitora com atenção a desancoragem (projeções afastadas da meta) adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos e deixou os próximos passos em aberto.

"Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta", diz o comunicado.

Cenário externo e interno

O Comitê afirmou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição em relação aos conflitos armados no Oriente Médio e da política monetária em algumas economias avançadas.

Segundo o colegiado, "tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities".

Sobre o cenário interno do País, o Copom disse que os indicadores divulgados desde a última reunião do colegiado sugerem uma "moderação gradual" da atividade econômica, embora que esta ainda segue em "patamar resiliente" com sinais mistos entre setores diferentes e com o mercado de trabalho aquecido.

"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta", escreveu o comitê em seu comunicado.

O Copom também afirma que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.

Copom enxuga comunicado de agosto após ruído por 'excesso de informações' na decisão de junho

O BC enxugou o comunicado do Copom desta quarta-feira, depois que a decisão de junho causou uma série de ruídos com o mercado por causa do que a cúpula da instituição classificou como excesso de informações.

O comunicado teve nove parágrafos, três a menos do que os 12 vistos na decisão de junho. O número de caracteres excluindo espaços caiu de 4.844 no Copom passado para 3.674 nesta reunião, uma redução de quase 25%.

A redução no comunicado era esperada pelo mercado. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia atribuído os ruídos com a Faria Lima em junho a um parágrafo que tentava explicar um grande volume de discussões do Copom em pouco espaço, que teria gerado incompreensão.

"Talvez seja mais pertinente realmente a gente deixar os nossos comunicados mais concisos e reservar explicações como essa para a ata", disse o banqueiro central, durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) no dia 25 de junho.

O Copom foi duramente criticado pelo mercado em junho, depois de ter cortado a taxa Selic em 0,25 ponto mesmo aumentando as suas projeções de inflação e piorando o seu balanço de riscos. Um parágrafo do comunicado que falava sobre "trajetórias alternativas" de juros foi especialmente atacado.

Galípolo disse que o trecho gerou ruído porque tentava explicar uma decisão que não foi tomada pelo BC - no caso, a razão para não ter aumentado ou mantido a taxa Selic parada em junho.

"É um caso particular de uma incompreensão, um ruído que foi gerado a partir daquele parágrafo que decorre da tentativa de explicar uma série de coisas em um espaço que é muito apertado, muito conciso do próprio comunicado", argumentou o presidente do BC, durante a entrevista coletiva.

Estadão
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