Ultrafarma e Fastshop são multadas em R$ 2,8 bi pelo governo de SP por fraude tributária
Esquema conhecido como "fura-fila" do ICMS funcionava na Secretaria da Fazenda desde pelo menos 2002
As redes de varejo Ultrafarma e Fast Shop foram multadas em R$ 2,8 bilhões pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), após investigações do Ministério Público (MP-SP) apontarem a suspeita de participação de executivos das companhias em um esquema de fraude tributária e corrupção envolvendo o ressarcimento de créditos de ICMS.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Segundo as investigações, as empresas teriam recorrido a uma suposta assessoria tributária clandestina formada por auditores fiscais, que cobrariam propinas para acelerar a análise dos pedidos e inflar os valores de créditos tributários restituídos pelo Estado. No caso da Fast Shop, o Grupo de Trabalho Refazimento (G29) lavrou um auto de infração e imposição de multa no valor de R$ 1,47 bilhão.
Já a Ultrafarma foi autuada em três frentes distintas: R$ 358 milhões pelo Grupo de Trabalho Refazimento (G29); R$ 476 milhões pelo Grupo de Trabalho Transferências para Terceiros, em autuação lavrada contra a empresa na condição de emitente; e R$ 555,8 milhões pelo Grupo de Trabalho Créditos Escriturados (Outros Créditos). Somadas, as penalidades totalizam R$ 1,38 bilhão.
O Terra pediu manifestação das companhias sobre as multas, mas não teve retorno até esta publicação. O espaço está aberto.
No início das investigações conduzidas pelo Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), do MP-SP, foram presos o empresário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop. Ambos foram posteriormente soltos e respondem ao processo em liberdade.
O principal alvo da investigação é o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como "King", apontado pelos investigadores como líder de um esquema que teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas dentro da Fazenda paulista. Ele segue preso.
De acordo com o MP, o esquema conhecido como "fura-fila" do ICMS funcionava na Secretaria da Fazenda desde pelo menos 2002. Em troca de pagamentos ilícitos, auditores fiscais priorizavam a análise de pedidos de ressarcimento e autorizavam a restituição de créditos tributários supostamente inflados para grandes empresas do varejo e do atacado. As apurações começaram a ganhar força no início de 2025.
A suspeita de corrupção em larga escala deu origem a três operações do Gedec. Em agosto de 2025, a Operação Ícaro apontou indícios de favorecimento à Ultrafarma e à Fast Shop. Em março de 2026, as operações Mágico de Oz e Fisco Paralelo ampliaram as investigações, que passaram a atingir cerca de 40 auditores fiscais. (*Com informações do Estadão)
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.