Compras para reserva estratégica de petróleo devem sustentar demanda por petróleo até 2028
Os governos devem comprar milhões de barris de petróleo até 2028 para reabastecer as reservas de emergência esgotadas pelas retiradas destinadas a preencher uma lacuna no abastecimento global causada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, afirmaram analistas e autoridades.
Isso poderia impulsionar a demanda por petróleo, o que absorveria parte do excedente de oferta global previsto após a decisão da Opep+ de aumentar a produção, afirmam eles.
Os governos recorreram às reservas de emergência depois que interrupções no abastecimento relacionadas ao conflito retiraram cerca de 1,5 bilhão de barris dos estoques globais este ano, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), da Opep e do Departamento de Energia dos EUA.
A IEA coordenou uma liberação recorde de 400 milhões de barris depois que interrupções no Estreito de Ormuz levaram a uma alta acentuada nos preços do petróleo. O petróleo Brent ultrapassou US$126 por barril no final de abril, e o petróleo dos EUA se aproximou de US$120 no início de março. [O/R]
A reposição dessas reservas poderia adicionar até 664 mil barris por dia à demanda até o terceiro trimestre de 2027, de acordo com a empresa de análise de commodities Kpler, ajudando a absorver parte do excesso de oferta previsto para o próximo ano, à medida que a Opep+ continua a reverter os cortes de produção. Isso conteria as quedas nos preços.
"A reposição da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) levará a um piso de preço mais alto em 2027", disse Christopher Haines, chefe do setor de petróleo da consultoria Energy Aspects.
A reposição das reservas poderia gerar uma demanda adicional de 506.000 bpd de petróleo no quarto trimestre de 2026, com um aumento ainda maior no próximo ano, disse Michelle Brouhard, chefe de política e risco geopolítico da Kpler.
EUA SERÃO OS PRIMEIROS A RECARREGAR
Os Estados Unidos, que liberaram 172 milhões de barris no âmbito do programa da IEA, devem começar a receber o petróleo de volta ainda este ano, por meio de acordos de troca que exigem que as empresas devolvam os barris emprestados, além de barris adicionais como prêmio.
As reservas estratégicas dos EUA caíram 6,2 milhões de barris, para 319,5 milhões, na semana encerrada em 3 de julho — o nível mais baixo desde abril de 1983, segundo dados do Departamento de Energia divulgados na segunda-feira.
O governo espera receber, em média, 1,28 barril para cada barril liberado no âmbito dos acordos de troca, disse o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, à Reuters em um evento da Reuters Next no final de junho. As devoluções ajudariam a elevar os estoques da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) para mais de 400 milhões de barris, disse Wright, acrescentando que Washington estava explorando maneiras de aumentar os estoques para além de 500 milhões de barris.
Os Estados Unidos poderiam reabastecer suas reservas mais rapidamente do que outros países porque os acordos de troca permitem que os estoques retornem aos níveis pré-guerra sem gastos governamentais adicionais, disse à Reuters o ex-administrador da Administração de Informação sobre Energia dos EUA (EIA), Jay Hakes.
"Para outros membros da IEA, o cenário está mais voltado para 2027 e é discricionário", disse Naveen Das, analista sênior de petróleo da Kpler.
Analistas esperam que países como o Japão e a Coreia do Sul reconstruam suas reservas de forma mais gradual, com os esforços de reposição provavelmente dependendo dos preços do petróleo e das decisões de gastos do governo.
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