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Comprar ou alugar um imóvel? Saiba fazer a escolha certa

O dilema é antigo, mas as respostas mudaram. Acompanhe essas dicas.

5 mar 2022 - 19h29
(atualizado em 6/3/2022 às 04h00)
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Mari Ferreira
Mari Ferreira
Foto: Reprodução

Muito se comenta sobre o que é melhor em relação a comprar ou não um imóvel, mas claro que depende de uma série de fatores. Hoje vou listar vários deles pra que você veja qual situação e perfil se encaixa melhor e assim poder tomar sua decisão.

Primeiro, se você tem o sonho da casa própria e esse é um objetivo que tenta alcançar desde sempre, nada vai te convencer do contrário e a realização será mais valiosa do que alguns tostões ganhados ou perdidos ao se fazerem cálculos. Então, o seu caso é apenas de entender qual a melhor forma de pagar por este imóvel.

Sem dúvidas à vista é sempre um bom cenário, principalmente considerando as taxas de juros atuais, que em março de 2022, estão quase chegando a 10% ao ano nos financiamentos imobiliários.

Mas o melhor dos mundos não corresponde a realidade da maior parte da população, então o crédito será possivelmente sua opção, como foi a minha alguns anos atrás. Como a tendência, com o passar dos anos, até chegar a fase de aposentadoria, é que as pessoas tenham uma queda na renda e maior dificuldade de recolocação profissional, não recomendo créditos de períodos muito longos, mas se for a única opção, escolha o sistema SAC, pois com ele você terá parcelas mais baixas no futuro, quando será realmente importante gastar menos com moradia. 

Também facilita para quem tem FGTS para abater nas últimas parcelas ou consegue guardar uma grana extra para essa amortização.

Comprar ou alugar um imóvel? Saiba fazer a escolha certa:

Quitação antecipada

Praticamente todos os meus clientes que quererm comprar um imóvel financiado me dizem que vão financiar em 30 anos, no entanto, que pretendem quitar antes, em 5 ou 8 anos. Mas vamos lá, sejamos mais realistas... 

Nos últimos 5 ou 8 anos você conseguiu poupar o suficiente para a compra de um imóvel à vista? Por que conseguiria nos próximos? Se esforce para viabilizar isso, pois vai ser ótimo pra você, mas não conte com essa possibilidade como uma certeza, pois para dar certo, será importante fazer um plano de quitação. Se hoje você não consegue poupar nada porque paga aluguel, se todo bônus é consumido com viagens e cartão de crédito ou se a sobra é justamente o valor da parcela do financiamento, como você vai quitar parcelas futuras? 

Pense nisso quando for realizar o financiamento, não conte com essa certeza ao escolher o prazo mais longo, se poderia reduzir um pouco mais, e não se cobre demais depois, caso não consiga antecipar como você achava que faria. 

Pela minha experiência, poucos conseguem amortizar apenas com a economia mensal do salário sem sacrifícios, a maioria que faz a antecipação usa o FGTS ou a única reserva construída para emergências.

Por isso, se você pensa em quitar logo, será preciso adequar o orçamento, fazer sobrar mais mensalmente, aproveitar bônus, restituição de Imposto de Renda, 13º salário, comissão de vendas, renda extra, enfim, focar nisso, colocar como uma prioridade e definir quanto quitar por ano. Afinal, dinheiro não sobra sozinho, é importante um esforço para viabilizar essa quitação antecipada.

Comprar à vista é sempre o melhor caminho?

Depende do que está em jogo e de quanto você tem. Também se é um imóvel de moradia ou para locação/investimento.

Quando você pega um montante de R$ 300 mil e compra um bem à vista, deixa de pagar muitos juros, mas também deixa de ganhar rendimentos, é o famoso custo de oportunidade. Para saber qual seria o ideal você deve simular quanto vai pagar de juros no período de financiamento e depois quanto receberia de rendimento ao aplicar os R$ 300 mil em um investimento. 

Além disso, é bom entender se o imóvel tem potencial de valorização no período. Daí vem a resposta financeira de qual é a melhor opção, mas já te adianto que muito além do financeiro, essa decisão tende a ser tomada de forma emocional - há pessoas que têm medo de colocar um valor tão alto em um único bem e tem outras que odeiam a ideia de parcelamento, então muitas vezes, independentemente do cálculo apontar para um lado, as decisões podem ser mais emocionais mesmo, principalmente se tratando de imóvel para moradia.

Já quando o objetivo da compra é alugar para gerar renda, analise bem se o valor mensal de um aluguel é equivalente ao que você receberia de rendimentos, caso o montante estivesse investido, pra ver se vale a pena, sem falar nos custos de manutenção, impostos e tempo dedicados a adminstração do aluguel, relacionamento com inquilinos e imobiliárias. É provável que financeiramente não valha a pena e aí você tenha que decidir entre agir com a razão ou a emoção.

Ao financiar, devo pagar o máximo possível?

Na hora da entrada sim, dê a maior entrada possível, mas quanto as parcelas pense bem. Nossa capacidade de pagamento pode melhorar ou piorar com o passar do tempo, assim como o padrão de vida pode aumentar conforme o salário cresce e as necessidades vão mudando ao passo que a idade avança, por isso não considere apenas sua renda de hoje na hora de escolher o valor da parcela.

Principalmente, não considere seu salário bruto, já que é com o líquido que você se mantém. Tente ver adiante, por quanto tempo você crê que consegue manter as coisas como estão e se programe para um parcelamento que deixe uma folga no orçamento e seja sustentável, mesmo em um período de instabilidade.

Na hora de tomar a decisão sobre a compra e o período do financiamento, fique atento ao seguro habitacional obrigatório e escolha o mais vantajoso, pois em um parcelamento longo, você vai desembolsar um bom dinheiro para ter essa proteção financeira.

Agora, não tem tanta certeza assim se esse é realmente um sonho ou mais uma coisa da lista das metas de vidas de todo mundo? Siga a leitura para entender se o aluguel é o seu caminho ideal.

O aluguel compensa?

Pode compensar em alguns cenários. Se você tem uma boa grana de entrada ou o valor total do imóvel, e está investindo esse valor invés de comprar o bem, muito provavelmente os rendimentos mensais serão maiores que o valor do boleto de aluguel. E aí compensa porque você tem a moradia e tem o dinheiro lá intacto, até rendendo ― o que te dá liberdade de se mudar de casa, de país, de carreira, de fazer escolhas diferentes em cada etapa da vida, já que seu patrimônio não está imobilizado.

Agora, se você nunca conseguiu formar boas reservas, mas tem um emprego estável e um bom FGTS, talvez pra você comprar financiado pode ser o melhor caminho, já que a grana do FGTS não tem como resgatar integralmente a qualquer tempo para aplicar. 

Aqui só é importante lembrar que tanto o aluguel, quanto a parcela do financiamento, precisam caber no seu orçamento com folga, se não tá tendo sobra, o orçamento deve ser revisto e adaptado ao seu padrão real.

O aluguel também compensa se você não tem o sonho da casa própria e consegue salvar um dinheiro mensal pra ir investindo em você e seu futuro. Se você tem vontade de morar fora, se seu emprego te faz mudar de cidade com frequência, se você está em um relacionamento em que ainda não é certeza que comprar um bem juntos é o ideal. Nesses casos, é melhor optar por alugar.

Segurança e liberdade são o sonho de muita gente e pra cada pessoa tem um significado, segurança pode representar ter algo em seu nome, dinheiro no banco para emergências, um emprego bom, estar em um lugar tranquilo e longe de perigos. liberdade pode ser habitar um espaço privado, não depender de ninguém, viajar quando quiser, ter investimentos para se aposentar cedo... 

Como você pode ver, são palavras distintas que podem ter significados parecidos e, independentemente do que representam pra você, eu acredito que a decisão precise ser tomada levando em consideração o que é prioritário no seu momento de vida e não seguindo os padrões que a sociedade impõe, o que o amigo diz que é melhor ou a decisão que seus pais tomariam no seu lugar.

(*) Mari Ferreira é especialista em educação financeira, consultora, palestrante, criadora de conteúdo e autora do livro “Tostão Furado: Do Zero à Liberdade Financeira”.

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