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Cielo amplia crédito, prepara venda de ativos enquanto espera por WhatsApp

27 jan 2021
12h09 atualizado às 14h21
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A Cielo vai vender alguns ativos não essenciais enquanto aguarda aval do Banco Central para uso do WhatsApp em pagamentos e amplia a oferta de produtos de crédito, como parte de uma reformulação do negócio para focar em pequenos lojistas.

Logo da Cielo em painel na bolsa de valores de São Paulo 
25/07/2019
REUTERS/Amanda Perobelli
Logo da Cielo em painel na bolsa de valores de São Paulo 25/07/2019 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

"Não há mais como uma empresa de pagamentos se manter no mercado apenas como uma adquirente pura", disse nesta quarta-feira o presidente-executivo da Cielo, Paulo Caffarelli, em teleconferência com jornalistas sobre os resultados do quarto trimestre, o primeiro com crescimento do lucro desde que ele assumiu o comando da companhia, há pouco mais de dois anos.

Como resultado do foco em negócios de pequeno porte, nos quais tem maior oportunidade de lucrar com produtos de crédito, a Cielo viu seu lucro crescer 37% ano a ano, mesmo sem expandir seu faturamento, afetado pelos efeitos da pandemia da Covid-19.

A estratégia de ampliar produtos de financiamento deve crescer nos próximos meses, disse ele, após a Cielo ter recebido aval de seus controladores, Bradesco e Banco do Brasil) para ter uma sociedade de crédito direto.

Com isso, após já ter dobrado o percentual dos clientes de sua base que demandaram antecipação de recebíveis ou outras modalidades empréstimo, para 33% no quarto trimestre, a Cielo pretende elevar esse nível para 40% até o fim de 2021.

Enquanto isso, a Cielo planeja se desfazer de mais ativos que não considera essenciais, optando por se concentrar no seu negócio principal no Brasil. O vice-presidente executivo de finanças da Cielo, Gustavo Sousa, afirmou em teleconferência com analistas que a companhia avalia alternativas para possível venda da MerchantE Solutions, nos Estados Unidos.

Em outubro, a Cielo vendeu sua fatia na Companhia Brasileira de Gestão de Serviços (Orizon) para a Bradseg por 129 milhões de reais.

"Estamos olhando oportunidades de desfazimento de alguns ativos de forma viável", disse Caffarelli, citando o plano de enfatizar investimentos em negócios digitais, algo que inclui avaliação pela empresa de aquisições de negócios de softwares de gestão.

Nesse cenário, a Cielo acredita que receberá até junho autorização do Banco Central para uso em pagamentos do WhatsApp, do Facebook. A parceria anunciada em junho foi suspensa pelo BC, que a autorizou inicialmente apenas para testes.

A combinação de resultados acima das expectativas com projeções animadoras impulsionava a ação da Cielo, que às 13h38 disparava 10%, enquanto o Ibovespa recuava 0,6%.

Analistas do setor, porém, viram o desempenho trimestral com algum ceticismo, considerando que a empresa ainda vai enfrentar um cenário competitivo duro e que questões societárias seguirão pesando sobre a cotação da ação. Em relatórios, Itaú BBA e BTG Pactual mantiveram recomendação neutra para o papel da Cielo.

A mídia local publicou recentemente que o BB poderia sair da Cielo, com o Bradesco comprando essa participação.

"A nosso ver, uma resolução para a estrutura acionária é fundamental para a empresa, mas estruturalmente, continuamos cautelosos devido à sua atual estrutura acionária", escreveram Eduardo Rosman e Thomas Peredo, em nota a clientes.

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