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CES 2026: Maior feira tech do mundo revela crença em 'IA onipresente', mas dependente de chips

Expectativa é que IA dará novos saltos nos próximos anos, com a tecnologia se difundindo por um número cada vez maior de dispositivos, de vestíveis inteligentes a equipamentos médicos e industriais

9 jan 2026 - 13h41
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LAS VEGAS - A Consumer Electronic Show (CES), maior feira de tecnologia do mundo, deixou uma mensagem clara, tomando por base os líderes empresariais escalados para ocupar os principais palcos do evento. A visão é de que a inteligência artificial (IA) dará novos saltos nos próximos anos, com a tecnologia se difundindo por um número cada vez maior de dispositivos — como os computadores, celulares, vestíveis inteligentes (relógios, óculos, anéis, pulseiras e similares), eletrodomésticos, veículos, equipamentos médicos e industriais.

O termo usado no evento foi "IA everywhere", ou IA em todos os lugares, onipresente no dia a dia de pessoas, empresas e governos. Esse volume de inovação terá potencial de turbinar o Produto Interno Bruto (PIB) dos países que foram capazes de colocar as aplicações em prática, mas isso só será possível se houver cooperação das fabricantes de chips e o desenvolvimento contínuo do seu poder da computação.

Apesar da desconfiança do mercado sobre uma potencial bolha de IA, ninguém falou disso, a não ser quando questionado por jornalistas. A multinacional chinesa Lenovo afastou essa hipótese. "Definitivamente, IA não é uma bolha", afirmou o presidente, Yuanqing Yang. O executivo afirmou que o mercado de ferramentas de IA se popularizou nos últimos anos, mas está só no começo. Há uma demanda crescente por novas versões de IA que tornem mais fácil o dia a dia, o que justifica os investimentos que estão sendo feitos no setor. "Há um ciclo de desenvolvimento."

O presidente da Lenovo apontou que a IA caminha para estar "em todos os lugares". "Há várias aplicações promissoras, com benefícios aos usuários. E quem se beneficia não vai voltar, não vai deixar de usar", assinalou. Durante o evento, a companhia lançou sua própria IA, chamada Qira. A ferramenta vai funcionar como uma assistente pessoal, capaz de entender o que cada usuário está fazendo e o contexto da sua vida. Isso será possível porque a Qira vai colher dados do usuário a partir de vários aparelhos, como os notebooks, celulares e vestíveis inteligentes das marcas Lenovo e Motorola. Na prática, a Qira vai responder perguntas, organizar mensagens, relembrar conversas e sugerir interações. "No futuro, todos terão a sua IA pessoal", estimou Yang.

O presidente global da Qualcomm, Cristiano Amon, estimou que a nova geração de aparelhos vestíveis inteligentes será tão popular quanto os celulares e terá um papel importante na democratização da inteligência artificial. "Quanto todos esses dispositivos se tornarem inteligentes, permitirão que as pessoas se conectem rapidamente com os agentes de IA", afirmou Amon. "E isso já está acontecendo", enfatizou o brasileiro, eleito uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. "Os computadores dentro desses dispositivos entendem o que vemos e o que dizemos. Eles entendem o nosso mundo. E à medida que a tecnologia é miniaturizada e vai para todos os dispositivos, acontece uma transformação massiva com os aparelhos eletrônicos de consumo", emendou.

Já o fundador e presidente da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que uma das principais tendências é a IA física — modalidade que torna possível robôs, drones, carros e outras máquinas "pensarem" e interagirem sozinhos com o ambiente ao seu redor, sem interferência humana. "A IA física é uma área em que vocês vão ouvir por muitos anos", afirmou.

Poder dos chips

Embora a IA seja promissora, os palestrantes líderes da CES ponderaram que tudo isso só será realidade se o poder da computação andar no mesmo ritmo. "Estamos nos movendo para um mundo onde o crescimento do PIB será impulsionado pela capacidade de computação disponível em um determinado país", afirmou o cofundador da OpenAI, Greg Brockman. A big tech anunciou nesta semana uma versão do ChatGPT chamada Health, que responde a perguntas sobre a saúde pessoal dos usuários, aprofundando as aplicações da ferramenta.

A presidente da Advanced Micro Devices (AMD), Lisa Su, estimou que o poder de processamento de dados dos chips terá que crescer ao menos 100 vezes para dar conta das atividades baseadas em IA nos próximos cinco anos. "A base da IA é a computação. Com o crescimento do número de usuários, vimos um enorme aumento na demanda na infraestrutura de computação global", afirmou. "Ainda não temos computação suficiente para tudo o que podemos possivelmente fazer com a IA."

Ela lembrou que, desde o lançamento do ChatGPT, o número de usuários de IA passou de aproximadamente 1 milhão em 2022 para pouco mais de 1 bilhão em 2025. A expectativa da AMD é ver esse número passar de 5 bilhões até 2030, o equivalente a 62% de toda a população mundial. "Vemos a adoção da IA crescendo para mais de 5 bilhões de usuários ativos à medida que a IA realmente se torna indispensável para cada parte de nossas vidas, assim como o celular e a internet são hoje", projetou Lisa.

Diante desse contexto de demanda elevada, todas as grandes fabricantes de chips (Nvidia, AMD, Qualcomm e Intel) anunciaram novas linhas de semicondutores. A Nvidia, por exemplo, anunciou o Vera Rubin, um supercomputador voltado para data centers. O sistema é um esforço da Nvidia de se preparar para a próxima onda do mercado de usar IA para resolver problemas que vão além da linguagem — o que o CEO da empresa chama de IA física.

Já a Intel lançou uma nova série de chips que, segundo a empresa, promete ser a mais avançada já feita em solo norte-americano. A lógica é preparar a empresa para atender a uma gama mais ampla de dispositivos, chegando a cerca de 200, ou quatro vezes mais que sua geração anterior. "Esta nova linha é uma plataforma robusta, habilitada para atender as demandas de aplicação de IA de hoje e dos próximos anos, atendendo diferentes tipos de usuários", afirmou a vice-presidente da Intel na América Latina, Gisselle Ruiz Lanza, em entrevista.

Questionada se vê uma bolha no setor, Gisselle minimizou os temores, apontando que a demanda é grande e justifica os aportes financeiros. "O mercado de tecnologia tem seus ciclos, e é preciso acompanhá-los. E o ciclo atual é de uma demanda crescente", afirmou. O número de notebooks acoplados, por exemplo, deve passar de 25% para 80%. "Se é bolha ou não, o fato é que existe uma demanda crescente se materializando", ressaltou a executiva.

O jornalista viajou a convite da Lenovo

Estadão
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