Chefe vende empresa e dá bônus de ao menos US$ 443 mil para cada funcionário
No total, US$ 240 milhões foram destinados aos 540 trabalhadores da Fibrebond, o equivalente a 15% do valor total da negociação, em agradecimento 'pela lealdade e dedicação'
O empresário americano Graham Walker negociou a venda de sua empresa, a Fibrebond, com uma condição bastante específica: a de que 15% do valor da negociação iria, obrigatoriamente, para os 540 funcionários que trabalhavam na companhia. Os trabalhadores não eram donos de parte da da empresa tampouco tinham ações, mas Walker queria recompensá-los de alguma forma pela lealdade e dedicação, segundo reportagem do jornal The Wall Street Journal.
A Fibrebond, que produz invólucros para equipamentos elétricos, acabou vendida para a Eaton, empresa de gerenciamento de energia, por US$ 1,7 bilhão (R$ 9,16 bilhões, na cotação atual), em março de 2025. Assim, US$ 240 milhões (R$ 1,3 bilhão) foram para o bolso dos trabalhadores, de forma que cada um recebeu um bônus extra de pelo menos US$ 443 mil (R$ 2,38 milhões), a ser pago ao longo dos próximos cinco anos, contanto que fiquem na empresa.
Para Walker, o bônus foi uma forma de agradecer aos funcionários pela lealdade, principalmente daqueles que ficaram na Fibrebond durante os tempos difíceis. Os que estavam há mais tempo na companhia receberam ainda mais dinheiro.
De acordo com a reportagem do The Wall Street Journal, os funcionários foram pegos de surpresa ao receber a quantia definida como "capaz de mudar vidas e garantir uma aposentadoria confortável". Alguns até duvidaram, pensando que fosse uma pegadinha, enquanto outros se emocionaram e choraram.
Lesia Key, uma das funcionárias, por exemplo, começou a chorar assim que abriu o envelope. Ela usou o bônus para pagar a hipoteca da casa e realizou um sonho que tivera durante toda a vida: abrir uma boutique de roupas numa cidade vizinha. "Antes, vivíamos de salário em salário. Agora posso viver; sou grata", conta.
Além da destinação dada por Key ao dinheiro, houve muitas outras: reduzir dívidas, comprar carros, pagar mensalidades universitárias e financiar a aposentadoria. Um funcionário levou toda a sua família para Cancún. O dinheiro impulsionou os negócios locais em Minden, uma cidade de aproximadamente 12 mil habitantes onde a empresa está sediada.
"Alguns gastaram tudo no primeiro dia, talvez até na primeira noite. No fim das contas, a decisão é deles, boa ou ruim", comentou Walker.
Incêndio e crises financeiras
A Fibrebond foi fundada em 1982 pelo pai de Walker, Claud. Com 12 funcionários, construía estruturas para telefones e equipamentos elétricos ao longo das linhas férreas. Desde então, passou por momentos ruins, como um incêndio que destruiu a fábrica em 1998 e crises financeiras em 2001 (o estouro da bolha ponto com) e 2008.
Na ocasião do incêndio, mesmo com a fábrica fechando por meses, os funcionários seguiram recebendo os salários normalmente, o que ajudou a construir a lealdade. Graham assumiu o comando em meados dos anos 2000, ao lado do irmão.
Em 2013, os Walkers criaram uma divisão, a Fibrebond Power, para construir estruturas industriais mais sofisticadas, afastando-se do mercado das telecomunicações e de outros mercados. Recentemente, a empresa voltou a passar bons momentos ao se tornar fornecedora de data centers.
Com o crescimento, a empresa passou a virar alvo para uma possível compra. A condição de fornecer 15% do valor total para os funcionários era pré-requisito para que Walker começasse as negociações, apesar de algumas pessoas terem lhe aconselhado a retirá-la por assustar possíveis compradores.
Matemática afetiva
Por que 15%? Não há uma explicação definida. "É mais do que 10%", diz Walker. "Às vezes, parece que o progresso nos foge. Não vemos muitas coisas boas aqui em Minden." Assim, ele queria fazer algo bom. Também se preocupava em ir ao supermercado local e sentir vergonha por não ter compartilhado sua sorte.
O empresário diz que gostou de observar as reações da equipe ao abrir os envelopes, e fez um pedido a eles: que lhe contem como o dinheiro mudou suas vidas. "Espero chegar aos 80 anos e receber um e-mail sobre como isso impactou alguém", afirma.