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Centro-sul deve produzir neste ano menor volume de açúcar desde 2009/10, diz FCStone

28 set 2018
10h37
atualizado às 10h49
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A produção de açúcar no centro-sul do Brasil na safra 2018/19 deverá cair ao menor nível desde 2009/10, em meio à menor disponibilidade de cana e ao maior direcionamento de matéria-prima para etanol, e a retração terá impacto no cenário de superávit global do adoçante, projetou a INTL FCStone nesta sexta-feira.

Colheitadeira em lavoura de cana-de-açúcar
15/09/2016
REUTERS/Nacho Doce
Colheitadeira em lavoura de cana-de-açúcar 15/09/2016 REUTERS/Nacho Doce
Foto: Reuters

Conforme a consultoria, o centro-sul, principal região produtora do país, deverá fabricar 26,9 milhões de toneladas de açúcar no ciclo vigente, iniciado em abril, ante 30,4 milhões consideradas anteriormente e 36,1 milhões em 2017/18.

Na contramão, a INTL FCStone elevou sua estimativa de fabricação de etanol de cana para 30 bilhões de litros, de 28,2 bilhões na previsão passada, de julho, e 25,6 bilhões na temporada anterior.

"A decisão em produzir mais etanol tem sido sustentada por maior remuneração do biocombustível ante ao seu coproduto --tendência que tem sido observada desde dezembro de 2017. Mesmo com queda nos preços entre maio e agosto, tanto o anidro quanto o hidratado proporcionaram maior retorno econômico", afirmou em relatório o analista da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

De acordo com ele, desde a última estimativa da consultoria, o biocombustível remunerou, em média, 8,3 por cento a mais que o adoçante.

A INTL FCStone leva em consideração um mix 35,6 por cento da oferta de cana para produção de açúcar e 64,4 por cento para etanol.

A consultoria prevê que o centro-sul processará 567 milhões de toneladas de cana no atual ciclo, frente 573,9 milhões esperados em julho e 596,3 milhões em 2017/18.

"As condições atipicamente secas nas lavouras do centro-sul do Brasil continuaram impactando as perspectivas de produtividade e moagem de cana. Vale lembrar que, em grande parte dos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, as chuvas acumuladas nos primeiros meses do inverno não ultrapassaram 50 por cento do volume usual", explicou Botelho.

BALANÇO GLOBAL

Apesar da menor produção de açúcar no Brasil, o balanço de oferta e demanda ainda aponta para um superávit, segundo a INTL FCStone, graças a maiores disponibilidades em países como Índia e Tailândia.

A consultoria prevê um excedente de 10 milhões de toneladas de açúcar na safra global 2017/18, que se encerra no próximo dia 30 de setembro, levemente abaixo dos 10,8 milhões considerados anteriormente.

Já para 2018/19, a expectativa é de um superávit de 4,4 milhões de toneladas, contra 7 milhões na projeção de julho.

"Para 2018/19, as projeções são de que o superávit global persista. Contudo, mudanças nas condições em alguns polos produtores da Europa e no Brasil fizeram com que diminuíssemos nossas perspectivas para os excedentes de açúcar no próximo ano-safra", afirmou Botelho.

Conforme ele, ainda assim a relação estoque/uso deve continuar superando recordes. "Estimamos que esta proporção deve atingir 46,3 por cento (em 2018/19), cerca de 1,8 ponto percentual a mais que a projeção para 2017/18", disse.

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