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Brasil pode aumentar exportações em US$ 7,8 bilhões com reconfiguração do comércio global, diz BID

Banco Interamericano de Desenvolvimento calcula que o Brasil e demais países da América Latina podem ser beneficiados por mudança da cadeia de fornecedores para locais mais próximos

8 jun 2022 - 05h10
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As exportações brasileiras podem ter um ganho adicional de US$ 7,8 bilhões por ano por causa da reconfiguração do comércio internacional e a mudança nas cadeias globais de suprimentos para países mais próximos do mercado consumidor, de acordo com uma estimativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgada na terça-feira, 7.

De acordo com o BID, a maior parte do impulso para as exportações (US$ 4,1 bilhões) viria de um aumento do comércio do Brasil com os Estados Unidos, que poderia ser alcançado rapidamente. Outros US$ 3,1 bilhões viriam de um aumento das vendas para países da América Latina, e US$ 546,8 milhões, por meio de oportunidades de médio prazo.

Segundo o BID, o Brasil é o segundo país mais beneficiado na América Latina atrás do México, que é favorecido pela proximidade dos Estados Unidos e pode ter um impulso de US$ 35,3 bilhões nas exportações.

Ao todo, o banco de desenvolvimento estima que a América Latina pode ter um ganho de US$ 64 bilhões nas vendas de bens ao exterior e de US$ 14 bilhões nas exportações de serviços, somando US$ 78 bilhões.

Depois do México e do Brasil, os países mais beneficiados são Argentina (US$ 3,9 bilhões), Colômbia (US$ 2,6 bilhões) e Chile (US$ 1,8 bilhão).

Desde o início da pandemia de covid-19, o comércio internacional tem sido afetado pelo aumento do custo do frete marítimo, pelos constantes lockdowns que prejudicam a produção e por uma falta de peças e insumos produzidos principalmente na Ásia.

O problema foi agravado pela guerra da Ucrânia, que elevou os custos das matérias-primas. Com isso, as indústrias passaram a rever suas cadeias de suprimentos para diversificar os fornecedores e buscar alternativas mais próximas do país de origem.

O processo é conhecido como "nearshoring" ou a terceirização para países próximos, e tende a concentrar o comércio internacional numa mesma região.

As estimativas do BID foram apresentadas em reunião com autoridades dos governos da América Latina que antecede o encontro da Cúpula das Américas em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Anfitrião do encontro, o presidente americano Joe Biden pretende anunciar uma reforma ampla no BID, que busca aumentar o papel do setor privado no financiamento de projetos de desenvolvimento na região.

Segundo o presidente do BID, Mauricio Claver-Carone, o objetivo da reforma é duplicar a capacidade de financiamento do banco nas Américas. "Basicamente seríamos como um canal para investimentos do setor privado, criando o impacto adicional de desenvolvimento desses investimentos na região", afirmou ele à agência EFE.

Estadão
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