Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brasil deve ter maior déficit fiscal da América Latina em 2026, diz Fitch

Para agência, houve algum progresso fiscal no governo Lula, mas arcabouço ainda está trazendo pouca melhora de fato no resultado primário

28 jan 2026 - 14h52
Compartilhar
Exibir comentários

A América Latina tem apresentado melhoras em termos de déficit fiscal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) desde a pandemia, diferentemente de outros mercados emergentes. Contudo, o Brasil deve ter o maior déficit fiscal na América Latina em 2026, com a dívida do governo sendo uma das maiores da região, afirma a chefe de ratings soberanos da Fitch Ratings para Américas e Ásia-Pacífico, Shelly Shetty.

Ainda assim, ela menciona que a inflação no Brasil tem cedido, e o crescimento econômico, aumentado.

A Fitch trabalha com a projeção de que o País deve crescer apenas um pouco abaixo de 2,0% em 2026, enquanto os Estados Unidos devem crescer 2% e a China deve ver seu crescimento cair de 5% para 2,1% por conta da demanda interna menor. Inclusive, os investimentos da China para a América Latina permanecem baixos.

Próximo governo brasileiro precisa fazer ajuste fiscal muito mais agressivo do que o visto até agora para estabilizar o crescimento do PIB e superar o risco fiscal, segundo a Fitch
Próximo governo brasileiro precisa fazer ajuste fiscal muito mais agressivo do que o visto até agora para estabilizar o crescimento do PIB e superar o risco fiscal, segundo a Fitch
Foto: Andre Dusek/Estadão / Estadão

Juros e câmbio

O Brasil também é exceção na região no sentido de política monetária. "Vimos a maioria dos países da América Latina capazes de cortar as taxas de juros, com exceção do Brasil, onde há anos prolongados de taxas mais altas", afirma Shetty.

Enquanto a maior parte dos países da América Latina tem visto um diferencial de juros em relação ao Federal Reserve (Fed) abaixo da média histórica, o Brasil é um ponto fora da curva. "Com isso, obviamente, há um pano de fundo de moeda amplamente apreciada e fortalecida ao longo de 2025", diz a chefe de ratings soberanos da agência, citando também o peso colombiano, além do real, neste sentido.

Shetty afirmou ainda, durante webinar da agência de classificação de risco, que a desvalorização global do dólar tem sido benéfica para a América Latina.

Corte de despesas

Para estabilizar o crescimento do PIB e superar o risco fiscal, o próximo governo brasileiro precisa fazer um ajuste fiscal muito mais agressivo do que o visto até agora, avalia o co-chefe de ratings soberanos da Fitch Ratings para as Américas, Todd Martinez.

"E parece que, não importa qual seja o resultado da eleição, provavelmente o ajuste fiscal terá que vir muito mais do lado das despesas, já que a capacidade política para um aumento adicional de receitas parece limitada", disse.

A Fitch Ratings considera que um candidato de direita possa ser mais ambicioso em termos de contenção de gastos, mas enfatiza que não vê a situação como binária. Martinez relembra que o governo Luiz Inácio Lula da Silva levou medidas de corte de gastos para o Congresso em 2024. "Então vemos que, não importa qual seja o resultado da eleição, haverá esforços para melhorar a situação fiscal."

Neste sentido, o co-chefe de ratings soberanos da Fitch afirma que o resultado da eleição pode determinar a estratégia e a comunicação, que devem importar muito. "Se o governo adotar uma abordagem improvisada para a consolidação fiscal e assumir um crescimento irrealista, isso vai manter as taxas de juros reais altas. Mas se houver uma estratégia boa, pode obter um benefício real imediato com a redução das taxas de juros reais e nominais", pondera.

Arcabouço fiscal

Durante o governo Lula, houve algum progresso fiscal com a tentativa de atingir metas e também com algumas medidas estruturais que a Fitch Ratings não esperava. Contudo, o arcabouço fiscal ainda está trazendo pouca melhora de fato no que tange o resultado primário, pondera Martinez.

Entre as medidas estruturais realizadas pelo governo Lula, ele destaca o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre fintechs, a redução de isenções fiscais e o aumento dos impostos de importação. Ainda assim, a maior dificuldade do Brasil atual é aprovar mais medidas fiscais no Congresso, avalia.

Boas notícias

Já entre as boas notícias, conforme Martinez, o Brasil deve ter crescido 2,3% em 2025, menos do que nos anos anteriores, mas saldo ainda positivo, considerando a política monetária apertada e a redução do impulso fiscal em relação a anos anteriores.

Já as pressões inflacionárias se reduziram no ano passado, e o saldo da conta corrente permanece robusto, puxado pelo investimento estrangeiro direto.

O co-chefe de ratings soberanos da agência elenca ainda a forte entrada de estrangeiros no mercado de dívida brasileiro, reversão positiva após as saídas fortes em dezembro de 2024.

Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade