BC sinaliza medidas de capital conforme crédito ao consumidor impulsiona dívida
Diante do endividamento recorde das famílias e do avanço de linhas caras, como o rotativo do cartão e o crédito sem garantia, o Banco Central prepara medidas para conter riscos e exigir mais capital dos bancos. Segundo a ata do Comef, a prioridade inicial é impor limites às instituições financeiras antes de avaliar restrições diretas à renda dos tomadores. A ação visa frear a alavancagem dos consumidores e evitar a corrosão do poder de compra diante dos altos custos dos empréstimos.
O Banco Central informou nesta quarta-feira que as medidas em preparação em resposta à elevada participação das modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias visam garantir o reconhecimento tempestivo dos riscos.
Na ata da última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), o BC afirmou que as medidas também têm como objetivo promover "o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores".
Autoridades BC já haviam apontado os saldos rotativos de cartões de crédito e os empréstimos pessoais sem garantia como áreas de preocupação.
A Reuters informou na semana passada que o BC está estudando uma série de medidas para conter o endividamento da população, mas planeja primeiro implementar limites para os bancos antes de se debruçar sobre um eventual teto para o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.
O aumento da alavancagem dos consumidores ressalta as crescentes pressões sobre as finanças das famílias, apesar da elevação da renda e do desemprego historicamente baixo, reforçando as preocupações de que anos de rápida expansão do crédito e custos elevados de empréstimos estejam corroendo o poder de compra dos consumidores.
"O endividamento das famílias permanece em patamar historicamente alto, e o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica. Esse quadro segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias. Na visão do Comitê, o cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito", apontou a ata.
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