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Mercado mantém projeção para inflação e juros em 2026 e espera PIB e dólar mais baixos

Mediana do relatório Focus para o IPCA seguiu em 5,22%, enquanto expectativa para a Selic se manteve em 13,25%; previsão é de crescimento de 1,83% da economia e dólar a R$ 5,13 no fim do ano

19 out 2026 - 10h01
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Resumo
O relatório Focus manteve as projeções para 2026 da inflação em 5,22% — acima do teto da meta — e da taxa Selic em 13,25%, após o Copom reduzir os juros para 13,75% ao ano em setembro diante de incertezas globais. Por outro lado, o mercado financeiro reduziu as expectativas para a atividade econômica e o câmbio: a estimativa de crescimento do PIB recuou para 1,83% e a cotação esperada para o dólar caiu para R$ 5,13 ao final de 2026. Para 2027, a projeção da inflação subiu levemente para 4,32%.

BRASÍLIA - A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 seguiu em 5,22%, depois de quatro leituras de alta. A estimativa está 0,72 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 71 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana permaneceu em 5,19%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,30% para 4,32%. Um mês antes, era de 4,30%. Considerando apenas as 71 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, aumentou de 4,26% para 4,32%.

Por outro lado, a mediana do Focus para a inflação de 2028 caiu de 3,79% para 3,75%. Há um mês, era de 3,80%. Para 2029, seguiu em 3,50%, mesmo nível em que estava há um mês, embora tenha oscilado no período.

Selic já caiu 1,25 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um 'ciclo de calibração' da política monetária
Selic já caiu 1,25 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um 'ciclo de calibração' da política monetária
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

O Banco Central projeta alta de 5,2% para o IPCA em 2026 e 3,9% em 2027. As estimativas constam no comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado projeta a inflação acumulada em 3,2% em 12 meses no 1º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

Selic

A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 13,25%. Considerando só as 60 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também permaneceu em 13,25%.

Já a estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 ficou em 12,00% pela 18ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 59 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana aumentou de 11,75% para 12,00%.

Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14,00% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo dos juros.

A Selic já caiu 1,25 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um "ciclo de calibração" da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, nos preços de commodities e na própria inflação.

"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse o Copom na ata da reunião.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 ficou em 10,50% pela 16ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela 24ª semana consecutiva.

PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 caiu de 1,85% para 1,83%. Um mês antes, era de 1,88%. Considerando apenas as 51 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa seguiu em 1,81%.

O crescimento esperado pelo mercado está em linha com o previsto pelo Banco Central, de 1,8%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do terceiro trimestre.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 caiu de 1,40% para 1,32%. Levando em conta apenas as 51 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária saiu de 1,35% para 1,31%.

A mediana para o crescimento do PIB de 2028 caiu de 1,83% para 1,81%. Há um mês, era de 1,87%. Para 2029, permaneceu em 2,00% pela 83ª semana seguida.

Dólar

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 diminuiu de R$ 5,15 para R$ 5,13. Considerando apenas as 46 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária permaneceu em R$ 5,05.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,26 para R$ 5,22. Há um mês, era de R$ 5,28.

A projeção para o fim de 2028 oscilou de R$ 5,30 para R$ 5,29. Há quatro semanas, era de R$ 5,30.

A estimativa para 2029 seguiu em R$ 5,30. Há um mês, era de R$ 5,36.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Estadão
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