Bayer foca protagonismo em mercado de forte crescimento de bioinsumos da América Latina
De olho no mercado de bioinsumos da América Latina, que avança 14% ao ano, a Bayer lançará 17 produtos biológicos até 2030, sob a nova marca Biológicos Bayer. O foco é atender a agricultura tropical com soluções complementares aos químicos. O Brasil receberá oito produtos, iniciando com o Curvet na safra de soja 2026/27. A alemã também fechou parceria com a brasileira IdeeLab para criar um biofungicida, além de visar o setor de frutas e hortaliças no Chile, Peru e México para ampliar seu protagonismo.
A alemã Bayer anunciou nesta quarta-feira que quer ampliar seu protagonismo na agricultura da América Latina com o lançamento até 2030 de 17 produtos biológicos, que atuam como biopesticidas e estimuladores de safras, de olho em um mercado na região que cresce acima da média global.
Enquanto o setor de bioinsumos avança a taxas anuais de 8% no mundo, na América Latina o avanço é de 14% ao ano. No Brasil, faturamento do segmento aumentou 15% em 2025, somando R$6,2 bilhões, segundo dados da associação CropLife Brasil -- a Bayer não divulga números detalhados de suas vendas ou sua posição no segmento.
"Somos protagonistas neste mercado, mas queremos uma posição de um pouco mais de destaque... e a chegada de novos produtos para nós é a grande alavanca...", disse o vice-presidente sênior de Proteção de Cultivos e Biológicos da Bayer para a América Latina, Luis Offa, em entrevista à Reuters.
Na América Latina, a companhia já conta com mais de 40 produtos para este mercado.
"O fato de estarmos anunciando 17 novos produtos... isso demonstra o protagonismo que queremos ter", completou Offa.
Do total de novos biológicos previstos, oito serão para o mercado brasileiro, que atualmente conta com três produtos da Bayer.
Para reforçar o crescimento, a companhia que já atua há mais de duas décadas no segmento anunciou a marca Biológicos Bayer para a América Latina.
"Isso visa criar uma identidade mais forte da Bayer em um segmento que vem em constante crescimento no mercado da América Latina, que vemos crescimento acima das taxas globais, particularmente no Brasil", afirmou.
O Brasil, maior produtor de soja e de cana-de-açúcar e o terceiro em milho e algodão, já usa os biológicos em cerca de 50% de sua área agrícola, mas tem muito espaço para crescer, uma vez que esses produtos são fundamentais para ajudar agricultores a lidarem com pragas e doenças, particularmente em um país de agricultura tropical.
Neste contexto, os biológicos (bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas) e os produtos de performance do cultivo, que ativam a fisiologia das plantas ou contribuem para melhorar a saúde do solo, são complementares aos pesticidas químicos, comentou o head de Biológicos da Bayer para a América Latina, Antônio Soares.
"O Brasil tem uma característica diferente de outros lugares, temos uma agricultura tropical que demanda um manejo diferente de outras regiões do mundo, e o produtor percebeu essa complementaridade", declarou Soares, acrescentando que os biológicos não ocupam o espaço dos defensivos químicos, mas potencializam os resultados quando usados em conjunto.
No caso dos produtos de performance de cultivo, esses ajudam as lavouras a se tornarem mais resilientes a estresses ambientais, como seca e altas temperaturas, colaborando para ganhos de produtividade, segundo a companhia.
O primeiro lançamento da marca Biológicos Bayer, previsto para a safra de soja 2026/27, é o Curvet, que contribui para o melhor aproveitamento do nitrogênio e do fósforo já presentes no sistema. Em testes, foi observado incremento médio de três sacas por hectare na soja.
Paralelamente, a Bayer anunciou um acordo de parceria com a empresa brasileira IdeeLab para o desenvolvimento de novo biofungicida para doenças foliares na soja.
Este é o primeiro acordo de parceria firmado fora do Hemisfério Norte, reforçando a crença da empresa de entregar soluções aderentes à agricultura tropical, muito diferente de outras regiões, disse Offa.
Em outros países da América Latina, que também deverão ser beneficiados com os lançamentos da Bayer, o foco é atender também produtores de frutas e hortaliças para exportação no Chile, Peru e México, disseram os executivos.
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