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Arezzo compra marca digital BAW Clothing por R$ 105 milhões

Expectativa é que a empresa de roupas e acessórios alcance R$ 500 milhões de faturamento em cinco anos, segundo o CEO da Arezzo, Alexandre Birman

11 jun 2021 11h05
| atualizado às 17h09
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A Arezzo informou nesta sexta-feira, 11, que comprou a marca BAW Clothing, que atua no segmento de streetwear, por R$ 105 milhões. Segundo a empresa, a operação insere-se no âmbito da AR&Co, braço de lifestyle e vestuário da companhia que é liderado por Rony Meisler, fundador do Grupo Reserva. A aquisição, de porte relativamente pequeno, vem pouco dois meses depois de a empresa perder a disputa pela Hering, que acabou sendo arrematada por R$ 5,1 bilhões pelo grupo Soma (dono da Animale e da Farm).

Para o presidente da Arezzo, Alexandre Birman, a vantagem da aquisição está no potencial de crescimento. "Se eu fosse gestor de private equity (tipo de fundo que compra participações em empresas), com certeza teria feito essa aquisição", disse ele ao Estadão/Broadcast. Ele prevê que a marca possa atingir faturamento de R$ 500 milhões em cinco anos. Hoje, estima-se que a BAW feche o ano com R$ 80 milhões de faturamento, o que representaria cerca de 2,5% do faturamento da Arezzo.

Segundo Birman, as alavancas para o avanço projetado devem ser, além do próprio impulso orgânico da empresa, o lançamento de uma linha de calçados e a abertura de pontos físicos de venda que devem funcionar como "templos da marca".

Ao todo, serão 30 dessas lojas, mas elas serão lançadas aos poucos. "Este ano vamos abrir de uma a três lojas da BAW, seremos bem precisos", afirma Birman. As três serão inauguradas na Região Sudeste e em bairros estratégicos para o segmento de streetwear, como a Avenida Paulista e a Vila Madalena, em São Paulo.

Outra via importante para o crescimento da BAW é sua incorporação à logística da Arezzo. "O e-commerce da BAW está em sua capacidade máxima e será transferido para o nosso novo centro de distribuição", disse Birman.

A companhia está construindo um espaço no Rio de Janeiro que entra em atividade em janeiro de 2022. Algumas mudanças no modelo de negócio da BAW devem ocorrer com a incorporação ao grupo Arezzo. Hoje, o modelo de negócios da marca comprada se baseia em lançamentos semanais com poucas unidades. No próximo ano, porém, a Arezzo se programa para passar a vender a marca no atacado, ou seja, para lojas multimarcas.

Segundo a Arezzo, a BAW, nativa digital, hoje faz lançamentos quinzenais 100% online e conta com a divulgação intensiva dos maiores influenciadores digitais do país pelas redes sociais. "Fundada em 2014 pelos irmãos Bruno e Lucas Karra, a BAW se tornou um fenômeno de crescimento por entender, como nenhuma outra marca de seu segmento, o público da geração Z", destacou a Arezzo, em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Apetite por outras marcas

A BAW é mais um passo na diversificação do negócio da Arezzo para além do mercado de calçados, no qual ela é mais conhecida. Em outubro do ano passado, a Arezzo anunciou a compra da Reserva em operação que movimentou R$ 715 milhões. Durante a pandemia, a empresa investiu na sua transformação digital e viu suas vendas online cresceram. Este foi, até o momento, o maior movimento da companhia nessa nova fase.

Mas ela já tentou ir ainda mais longe. Em abril, a companhia tentou comprar a Hering, oferecendo pouco mais de R$ 3 bilhões, em uma negociação considerada agressiva por parte do mercado. A família Hering, considerando o preço baixo, acabou fechando negócio em questão de dias com o grupo Soma - por um valor consideravelmente superior.

Condições do negócio

O preço de aquisição da BAW é de R$ 105 milhões, sujeito a ajustes: R$ 35 milhões serão pagos em dinheiro, na data do fechamento da operação; R$ 20 milhões no aniversário de cinco anos da data do fechamento do negócio; e R$ 50 milhões em ações da companhia adquirente.

Além disso, caso a BAW atinja determinadas métricas de desempenho de 2021, os atuais sócios da empresa ainda poderão receber uma parcela adicional de até R$ 10 milhões.

Os atuais sócios da BAW deverão permanecer vinculados contratualmente à companhia no mínimo até 11 de junho de 2025 e terão cargos na diretoria. Além disso, como forma de alinhamento de interesses, como ocorreu após a aquisição da Reserva, os fundadores da BAW se tornarão acionistas da companhia. O negócio ainda precisa da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Estadão
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