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Aneel propõe que distribuidoras de energia possam controlar 33 GW de geração distribuída

8 set 2026 - 12h31
(atualizado às 12h44)
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Resumo
A Aneel abriu consulta pública para permitir que distribuidoras de energia controlem cerca de 70 mil instalações de minigeração e centrais de médio porte, somando 33 GW de potência. A medida visa conter riscos de apagões provocados pelo excesso de energia não monitorada na rede, decorrente do avanço da geração própria, principalmente solar. A regra autoriza cortes pontuais de geração pelas concessionárias para garantir a estabilidade do sistema, sem afetar microgeradores residenciais comuns.

A Agência Nacional de Energia ‌Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira a consulta pública sobre uma proposta de mudanças técnicas que permitiriam às distribuidoras de energia controlarem até 33 gigawatts (GW) em recursos de geração distribuída de energia, como mini usinas solares.

O plano vem para tratar das consequências do crescimento da ⁠geração própria de energia no Brasil, principalmente solar, em telhados residenciais ‌e fachadas. Esses sistemas distribuídos, que não são gerenciáveis pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), têm desafiado o equilíbrio entre carga ‌e geração na rede nacional.

O Brasil passou ‌a conviver com riscos crescentes de apagões decorrentes do ⁠excesso de energia na rede, proveniente principalmente da geração distribuída solar, o que levou à adoção de medidas emergenciais e motivou Aneel e ONS a estudar formas de ampliar o monitoramento e o controle desses sistemas.

A proposta da Aneel não abrangeria os microgeradores, como ‌telhados solares em residências, e sim sistemas de porte maior conectados ‌à rede de distribuição ⁠de energia.

Empreendimentos como ⁠mini usinas solares e outros passariam a ser geridos pelas concessionárias, que poderiam ⁠ordenar cortes de geração, a ‌exemplo do que o ‌ONS faz com os grandes parques eólicos e solares.

Os novos requisitos de procedimentos de rede alcançariam aproximadamente 70 mil instalações conectadas às distribuidoras de energia, somando mais de 33 GW ⁠de potência instalada. São 1,5 mil centrais "Tipo III", como pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e pequenas térmicas a biomassa, e cerca de 68 mil instalações de minigeração, com mais de 13 GW de potência.

Em seu voto, a diretora relatora, ‌Agnes da Costa, destacou que o modelo atual precisa ser revisto, uma vez que o setor elétrico deixou de operar apenas com ⁠fluxos unidirecionais de energia e passou a incorporar recursos capazes tanto de injetar quanto de absorver potência, como telhados solares, sistemas de armazenamento em baterias e veículos elétricos.

Já o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, ressaltou que a situação da geração distribuída de energia no Brasil precisa ser endereçada, já que tende a se agravar.

"Não dá para um recurso tão relevante, tão importante, de geração de energia não ficar observável (pelo ONS) e literalmente descontrolável", disse Feitosa, durante reunião nesta terça-feira.

A proposta da Aneel fica sob consulta pública por 60 dias, de 10 de setembro a 9 de novembro.

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