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'Alguém tem de pagar pelas tarifas': presidente do BC americano diz que impacto começa a aparecer

Após anunciar que, pela quarta vez seguida, os juros dos EUA permanecem sem cortes, Powell afirma que a taxação de importados deve elevar a inflação americana no curto prazo

19 jun 2025 - 00h01
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O presidente do Federal Reserve (Fed) — equivalente ao Banco Central americano —, Jerome Powell, afirmou, nesta quarta-feira, 18, que os efeitos dos aumentos tarifários promovidos pelo governo dos Estados Unidos já começam a ser sentidos e devem elevar a inflação no curto prazo e se intensificar nos próximos meses. Segundo Powell, "alguém tem de pagar pelas tarifas", e isso tende a repercutir nos preços.

As declarações foram feitas em coletiva de imprensa após a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) de manter inalterada a taxa de juros, pela quarta vez consecutiva, na faixa de 4,25% a 4,50%, apesar da pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, por cortes.

Powell disse que a inflação diminuiu, mas segue acima das metas perseguidas pelo Banco Central americano. Ele alertou que os aumentos tarifários representam um risco para a estabilidade dos preços.

"As expectativas de inflação de curto prazo subiram. As tarifas são um fator relevante", afirmou. "Os efeitos das tarifas vão depender do nível, mas aumentos neste ano provavelmente pesarão sobre atividade econômica e empurrarão a inflação para cima."

Segundo o presidente do Fed, "leva tempo para que as tarifas cheguem até o consumidor final", mas o Fed já observa pressão nos preços de bens e que espera "ver mais disso no verão" do Hemisfério Norte (inverno no Hemisfério Sul).

Powell afirmou que, desde dezembro, sabe-se que as tarifas serão maiores do que o projetado inicialmente. Em uma pergunta relacionada ao efeito do orçamento do governo americano em discussão no Congresso sobre a política monetária, o dirigente afirmou que as autoridades monetárias levam em conta a política fiscal como algo "exógeno". "Temos uma economia ampla, efeito da política fiscal será marginal", disse.

O presidente do Fed destacou que a magnitude e a duração do impacto das tarifas ainda são difíceis de estimar. "O tamanho, a quantidade e a duração das tarifas são altamente incertos", afirmou. "Estamos nos adaptando em tempo real às estimativas de quão altas essas tarifas serão."

Apesar disso, o presidente do Fed disse que houve progresso no combate à inflação, atribuindo parte disso a uma desaceleração no setor de habitação.

"Estamos bem posicionados, por ora, para esperar e aprender mais antes de considerar ajustes na política monetária", disse. Segundo ele, as projeções do Fed estão mais confiáveis no curto prazo. "É difícil fazer previsões de mais longo prazo. O foco deve estar no horizonte mais próximo."

Powell alertou que esses efeitos podem ser "mais persistentes", e que a obrigação do Fed é evitar que "um aumento pontual de preços se transforme em um problema inflacionário contínuo".

Para isso, segundo ele, é essencial preservar a confiança nos rumos da política monetária. "Evitar uma inflação persistente depende, em última instância, de manter bem ancoradas as expectativas de inflação de longo prazo."

O presidente do Fed reconheceu que a inflação "tem rodado um pouco acima da meta de 2%" e que "as expectativas de inflação subiram recentemente". Apesar das incertezas, Powell afirmou que a economia americana segue sólida e que as condições do mercado de trabalho permaneceram firmes.

"O desemprego tem se mantido em uma faixa estreita e baixa, e um amplo conjunto de indicadores é consistente com o pleno emprego", disse. Ele afastou pressões salariais como foco de preocupação: "O mercado de trabalho não é uma fonte de pressão inflacionária."

Powell, contudo, reconheceu que o cenário é desafiador. "As projeções dos formuladores de política do Fed estão sujeitas a incertezas, que estão extraordinariamente elevadas neste momento." Ainda assim, segundo ele, "a atual postura da política monetária está bem posicionada para reagir".

Quando haverá corte de juros?

Para Powell, "provavelmente chegará um ponto em que cortes de juros serão apropriados", mas ele reforçou que esse momento ainda depende da evolução dos dados econômicos. "Precisamos ver dados reais para tomar decisões", acrescentou, em coletiva de imprensa após a decisão de política monetária.

Powell destacou que a economia americana segue crescendo a um ritmo entre 1,5% e 2%, com o mercado de trabalho ainda forte. "Enquanto tivermos esse tipo de mercado de trabalho e a inflação continuar caindo, o mais correto é manter as taxas", afirmou. Segundo ele, pode haver uma "desaceleração gradual e contínua" no emprego, mas "nada que seja preocupante".

O presidente do Fed disse que as incertezas diminuíram desde abril, mas permanecem elevadas. "O sentimento subiu em relação a níveis muito baixos, embora ainda esteja deteriorado", afirmou. Ele também observou que "a situação da habitação é um problema de mais longo prazo".

Sobre o impacto das tarifas, Powell indicou que o Fed ainda aguarda mais informações. "Vamos aprender mais sobre as tarifas ao longo do verão (no Hemisfério Norte)". Com isso, ele reconheceu que os próprios membros do Comitê ainda divergem sobre os próximos passos. "Ninguém tem grande convicção sobre o caminho das taxas. Podemos defender qualquer uma das trajetórias nas projeções."

Powell afirmou que a incerteza gerada pelo novo ciclo de tarifas anunciado pelo governo dos EUA tem deixado os dirigentes do BC americano receosos em prosseguir com cortes de juros. "O que sabemos é que as tarifas serão muito maiores do que os prognósticos."

Powell explicou que, sem o fator tarifas, o Comitê já estaria mais confiante na trajetória de queda da inflação. "Será necessário ter confiança de que a inflação está caindo. Sem tarifas, essa confiança estaria se formando", afirmou. Ele ressaltou que "para reduzir juros, estamos esperando para ver o que acontece com as tarifas", já que o impacto inflacionário ainda está por vir.

Ainda assim, o Fed opta pela cautela. "Tomaremos uma decisão mais inteligente se esperarmos alguns meses", disse, reforçando que à medida que os dados forem anunciados, as divergências entre os dirigentes sobre o caminho da taxa de juros devem diminuir.

"Podemos esperar para ver se a inflação vai subir mesmo", disse. Sobre o mercado de trabalho, afirmou que a taxa de desemprego segue "em um patamar razoável", apesar da queda na oferta de mão de obra, em parte por uma imigração menor.

O presidente do Fed evitou comentar ataques recentes de Trump à condução da política monetária. Também pontuou que "não pensa" sobre quem ficará no comando do BC após o fim de seu mandato, em maio de 2026.

Em relação aos conflitos no Oriente Médio, Powell disse que o Fed está atento e "monitorando a situação", ao ser questionado se a escalada poderia influenciar cortes de juros.

Estadão
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