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Agricultores filipinos correm para acompanhar a febre global do ube

10 jun 2026 - 17h10
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Também chamado de inhame-roxo, o ube passou de iguaria nostálgica nas Filipinas a item exótico em cafeterias ao redor do mundo. Popularidade do alimento coloca cultivo sob pressão.Em uma recente viagem de carro ao retornar à Alemanha, a dona de cafeteria April Schoengen avistou um doce roxo em uma padaria de posto de gasolina.

O ube ganhou espaço em produtos ao redor do mundo, como esta bebida de matcha com ube
O ube ganhou espaço em produtos ao redor do mundo, como esta bebida de matcha com ube
Foto: DW / Deutsche Welle

"Era ube, como eu suspeitava", disse ela, surpresa por encontrar uma sobremesa com sabor filipino em um posto de gasolina europeu.

Schoengen vende bolos e bebidas com sabor de ube em sua cafeteria temática filipina, a "Ube de Oro", em Bonn. Quando abriu, há dois anos, o café atendia principalmente a uma clientela filipina.

Agora, ela vê cada vez mais pessoas de diferentes origens entrando, atraídas pelos doces de tom lilás.

O que é ube?

Quando clientes que nunca viram ube perguntam sobre ele, Schoengen mostra um cartaz que resume as origens e a importância cultural do tubérculo.

Ube, também chamado de inhame-roxo, é um vegetal naturalmente vibrante, de cor roxa, originário das Filipinas.

Com sabor levemente adocicado e nota de nozes, o ube é normalmente usado em geleias, sorvetes ou sobremesas servidas durante festividades nas Filipinas.

Para muitas comunidades indígenas, trata-se de um alimento básico e importante fonte de proteínas, carboidratos e antioxidantes, explica Cheryl Marie Natividad-Caballero, subsecretária de agricultura das Filipinas para culturas de alto valor.

Em outros lugares, o ube também pode aparecer na forma de uma espuma roxa e fria sobre um café gelado. Também é o ingrediente que deixa panquecas e waffles mais vibrantes e "instagramáveis".

Assim como o onipresente matcha, o ube ganhou cafeterias, padarias e restaurantes ao redor do mundo.

Queda na produção de ube nas Filipinas

O cultivo se tornou tão popular que foi chamado pelo departamento de comércio das Filipinas de "carro-chefe das exportações".

Em 2025, as Filipinas exportaram 1,7 toneladas métricas — equivalente a 2,9 milhões de dólares (R$ 15 milhões) — em produtos de ube, como extratos e pós, sendo a maior parte destinada aos Estados Unidos. Esse valor representa um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

Apesar da crescente popularidade, a produção de ube nas Filipinas vem diminuindo de forma constante. De uma colheita total de mais de 30 mil toneladas métricas em 2006, a Autoridade de Estatísticas das Filipinas registrou apenas 12,4 mil toneladas em 2025.

Um dos obstáculos enfrentados pelos agricultores é a falta de materiais para plantio, segundo Grace Backian, diretora do Centro de Pesquisa e Treinamento em Cultivos de Raízes do Norte das Filipinas.

A instituição, com sede em Benguet, ao norte de Manila, dedica-se à inovação de práticas agrícolas para tubérculos por meio de pesquisa e treinamento de produtores.

"Como a demanda externa por ube aumentou, o centro também passou a receber mais pedidos de mudas para expandir as áreas de cultivo", disse Backian à DW.

Entre os que buscam mudas estão agricultores indígenas das províncias de Pampanga e Tarlac, na região de Luzon Central.

A demanda global pressiona produtores de ube

Christopher Gomez, que trabalha com agricultores no processamento e distribuição de ube, disse que os produtores costumavam guardar parte da colheita para replantio na safra seguinte.

No entanto, a demanda global fez com que os agricultores vendessem toda a produção e passassem a buscar mudas junto a fornecedores e ao governo.

"O potencial de terras agrícolas aqui é enorme, mas mal temos mudas. Tentamos pedir ao governo, mas não conseguimos, e agora estamos recebendo materiais de uma ONG", disse Gomez.

O grupo de agricultores também recebeu pedidos de outras regiões e até de produtores da Indonésia por material de plantio.

"Não queremos exportar matéria-prima, apenas ube processado como pó e extratos, porque queremos manter o cultivo aqui", disse Gomez à DW.

Antes da febre do ube, os agricultores colhiam o tubérculo nas áreas montanhosas e o vendiam em mercados locais, geralmente com prejuízo de 20 pesos (R$ 1,70) por quilo.

Gomez passou a comprar diretamente dos agricultores pelo preço atual de 80 pesos por quilo. Os pedidos também cresceram de 300 quilos para 30 toneladas.

Os produtores de ube conseguem acompanhar a demanda?

Para acompanhar a demanda mantendo a sustentabilidade, Backian destacou a necessidade de estufas locais onde os agricultores possam cultivar mudas de qualidade e manter o abastecimento na própria região. Também é preciso oferecer treinamento em técnicas inovadoras de plantio.

"O governo deveria fornecer financiamento para essas estufas e para os treinamentos", disse Backian, observando que os agricultores podem se desestimular a cultivar ube se não tiverem acesso aos insumos.

A subsecretária Natividad-Caballero afirmou que o departamento trabalha para garantir a disponibilidade de materiais de plantio por meio da distribuição a partir de centros regionais de pesquisa para governos locais.

Embora o ube não seja uma cultura sensível e consiga crescer em diferentes terrenos, Backian explicou que ele se desenvolve melhor em áreas onduladas, com boa drenagem do solo.

Isso significa que o cultivo é intensivo em mão de obra, já que o preparo do solo precisa ser manual. E também exige paciência: leva cerca de nove meses para produzir, desde que resista aos tufões que frequentemente assolam o país tropical.

Backian observou ainda que o ube continua sendo uma cultura secundária, já que os agricultores preferem cultivos comerciais como o milho, cujo ciclo leva apenas três meses até a colheita, gerando retorno imediato para os produtores.

"Esse também é um dos desafios na produção. É muito difícil cultivar ube em áreas de altitude. Mas os agricultores são muito resilientes. Desde que vejam benefícios nesse cultivo, vão continuar plantando", disse Backian.

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