Recorde de expulsões faz ‘BBB26’ virar uma máquina de moer reputações
Entre idolatria e cancelamento, o programa transforma erros em marcas permanentes na trajetória dos participantes
As desclassificações de Paulo Augusto, Sol Vega e Edilson Capetinha, por alegada atitude agressiva contra outros participantes, elevam a dramaticidade do ‘BBB26’.
Os três entraram no reality show com imagem positiva e contavam com apoio de parcela numerosa do público.
O pipoca venceu a votação na ‘Casa de Vidro Centro-Oeste’ e passou a ser apontado como o jovem galã da casa.
A veterana do ‘BBB4’ tinha popularidade por seu viral ‘Iarnuou’ e pela ideia de ser reparada após o racismo sofrido na primeira participação.
O Camarote carregava simpatia pela trajetória no futebol e pela atuação como comentarista esportivo ‘sem filtro’.
Mas deu tudo errado.
O suposto empurrão de P.A. em Jonas, o apertão de Sol no braço de Ana Paula e o dedo de Edilson no rosto de Leandro Boneco encerraram de maneira abrupta e melancólica o sonho de ser campeão do ‘Big Brother Brasil’.
Pior ainda: arranharam a imagem dos três, agora associados a atitudes desabonadoras que sempre serão lembradas como exemplo do que não fazer no programa.
O ‘BBB’ é assim: pode catapultar alguém ao estrelato — a exemplo do que fez com Juliette, Gil do Vigor e Beatriz ‘Bia do Brás’ Reis — ou ser uma máquina de moer reputações.
Os demais eliminados desta edição também saíram com a imagem abalada: Aline Campos foi cruelmente julgada pelos procedimentos estéticos no rosto e a postura ‘good vibes’; Brígido teve a sexualidade e a religiosidade contestadas e ironizadas; Matheus sofreu cancelamento por usar pautas ideológicas de maneira questionável; Sarah perdeu a fama de boa jogadora e recebeu muitos votos por sua posição política à direita.
Parece que, até a definição dos finalistas, ninguém vai escapar de sair com avaliação pública pior do que quando entrou.
O participante do ‘Big Brother Brasil’ perde o controle sobre a própria imagem no instante em que pisa na casa: a edição, os recortes nas redes sociais e a leitura apaixonada das torcidas passam a disputar a autoria da sua história.
O que antes era identidade pessoal vira personagem, e o personagem, por sua vez, escapa das mãos de quem o criou.
Nesse tribunal simbólico, o público assume o papel de juiz implacável, alternando rapidamente entre idolatria e condenação.
A lógica do reality exige heróis e vilões, e a reputação construída ao longo de anos pode ruir em minutos diante de um único episódio mal interpretado ou amplificado pela dinâmica do jogo.
Para alguns competidores, perder o prêmio é o menos pior. Grave mesmo é deixar o reality com a credibilidade profundamente desgastada.