A dívida que a Globo tem com Gleici, Jean Wyllys e Juliette pela audiência no 'BBB'
Canal não soube aproveitar o potencial de grandes campeões do reality, responsáveis por recuperar o engajamento popular em suas edições
O ‘BBB26’ registra forte engajamento nas redes sociais e tem merecido cobertura extensiva da imprensa. No Ibope, o desempenho ainda é tímido.
A média até aqui está em 16.1 pontos, a mesma da edição anterior. Esperava-se um índice melhor justamente pela empolgação da largada.
Ainda é cedo para uma avaliação, mas também não se deve alimentar expectativa de um crescimento significativo de público.
Na história do ‘Big Brother Brasil’, poucas edições conseguiram uma pontuação muito acima da temporada precedente.
Nos três casos mais relevantes, o protagonismo de participantes perseguidos na casa explica o maior interesse e a fidelidade de telespectadores.
No ‘BBB5’, o professor Jean Wyllys se declarou gay no confinamento e virou alvo de homofobia. Milhões de brasileiros ficaram ao seu lado.
Média final da edição: 47.5 pontos (aumento de 5%), a maior da história, estabelecendo um patamar impossível de superar segundo a nova realidade da TV aberta.
Universitária à época do ‘BBB18’, Gleici Damasceno ficou isolada em momentos da edição. Parcela numerosa do público a apoiou por vê-la subestimada pela origem humilde e a posição política à esquerda.
Ela estrelou um dos mais impactantes ‘Paredões’ falsos, quando recorreu ao bordão “não imaginam o prazer que é estar de volta”. O programa alcançou média final de 26.2 pontos, 13% superior ao ano anterior.
Com popularidade inatingível desde o ‘BBB21’, a então maquiadora Juliette Freire foi a principal responsável pelo acréscimo de 13% na audiência daquela edição, terminando com a média de 28.8 pontos.
Ela é o melhor exemplo da capacidade do reality show da Globo de construir um fenômeno midiático a partir de uma narrativa e do estímulo à passionalidade dos telespectadores.
A emissora, porém, não conseguiu capitalizar plenamente o impacto desses personagens reais que ajudaram a impulsionar a relevância cultural do ‘Big Brother Brasil’.
Jean, Gleici e Juliette foram incorporados à programação em participações pontuais, sem continuidade estratégica. O espaço concedido foi desproporcional à dimensão da fama e ficou distante da expectativa dos fãs.
Não é exagero afirmar que há uma dívida simbólica do canal com esses participantes que ajudaram a renovar o interesse pelo programa e a aumentar os índices convertidos em faturamento. Vencedores de outros realities da casa também se viram subaproveitados.
A Globo possui a reputação de ser uma máquina eficiente na criação de celebridades instantâneas, mas enfrenta dificuldades recorrentes na etapa seguinte: definir formatos e funções que sustentem as novas estrelas em sua grade.