Fim do amor: três separações ruidosas de estrelas da TV
Público acompanha com pesar e até sadismo o ponto final no casamento de famosos
Em briga de marido e mulher ninguém deve meter a colher. Mas, em caso de separação, todo mundo se acha no direito de dar pitaco.
‘Houve traição? Quem decidiu romper? Existe um novo amor? Como ficará a fortuna? Vão continuar a trabalhar juntos?’
Perguntas assim passam a ser feitas nas redes sociais e repercutidas em programas de fofocas na TV.
O caso mais recente envolve o vice-presidente da RedeTV!, Marcelo de Carvalho, e a apresentadora Luciana Gimenez.
O matrimônio durou doze anos. Nesse tempo, eles formaram um dos casais mais poderosos e midiáticos da televisão brasileira.
Quem nunca viu as fotos das luxuosas viagens de férias deles a Nova York e países da Europa?
Agora em processo de divórcio, os dois continuam a gerar manchetes – um pouco mais apimentadas.
Marcelo de Carvalho já tem nova companhia, a socialite Simone Abdelnour, que ficou famosa mundo afora por ter sido noiva do então piloto escocês de Fórmula 1 David Coulthard.
Cada post de Gimenez no Instagram é analisado e interpretado como suposta provocação ao ex e à ‘rival’.
A atual viagem da apresentadora a Nova York passou a ser vista como uma fuga para não encarar as notícias sobre o romance do ex-marido.
Bobagem. Ela foi festejar, em outras coisas, a renovação de seu contrato com a RedeTV.
Ninguém mais poderá dizer que Gimenez está no ar tão somente por ser ‘mulher do dono’.
A audiência e o faturamento de seus programas – ‘Superpop’ e ‘Luciana by Night’ garantiram por si mesmos o novo vínculo com a emissora.
Bon vivant, Marcelo levou Simone para curtir o último fim de semana em Angra dos Reis. O empresário parece indiferente à onda de fofocas.
Já Fátima Bernardes admitiu ficar incomodada com as insistentes comparações, na imprensa e nas redes sociais, de seu relacionamento atual, de poucos meses, com o casamento de 26 anos mantido com William Bonner.
A apresentadora do ‘Encontro’, que namora o advogado e ativista social Túlio Gadêlha, abriu o jogo durante entrevista no programa de rádio ‘Estúdio CBN’.
“As pessoas comparam um comportamento de felicidade meu agora com um comportamento de tristeza óbvio, de respeito pelo fim de um relacionamento de muitos anos”, disse.
“Não tinha como estar esbanjando felicidade naquele momento, independentemente do porquê o casamento acabou.”
Parte do público demonstra curiosidade por uma rixa que aparentemente inexiste entre Fátima e Bonner.
Para muitas pessoas, é difícil aceitar que o fim de um longo casamento pode se dar sem ódio mútuo.
Existe uma macabra torcida por conflito e infelicidade associada à irritação com a vida glamourosa de quem é famoso.
Uma separação bastante repercutida na imprensa internacional foi a do âncora da CNN Anderson Cooper.
O jornalista quebrou um gigantesco tabu no telejornalismo ao, em 2012, fazer um comunicado no qual disse “o fato é: sou gay”.
Ele abriu caminho para outros apresentadores de telejornais fazerem o ‘outing’, ou seja, sair do armário.
No mês passado, Cooper anunciou o fim do relacionamento de nove anos com o empresário da noite nova iorquina Benjamin Maisani.
Os dois eram vistos com frequência na cinematográfica mansão que o apresentador mantém em Trancoso, na Bahia.
Os rompimentos de Gimenez e Marcelo, Fátima e Bonner, e Cooper e Maisani têm em comum as reações variadas do público nas redes sociais, versão moderna das arenas romanas.
Houve quem lamentasse, os que criticaram, aqueles que debocharam e até pessoas que demonstram satisfação sádica com o momento de infelicidade dos ex-casais.
Todo mundo se acha no direito de agir como na época dos gladiadores, quando se aplicava o ‘Pollice verso’.
O polegar para cima da maioria dos espectadores salvava o lutador derrotado. Já a predominância do polegar para baixo era sentença de morte.
Julgar cruelmente a vida dos outros nada mais é do que tentar extravasar as frustrações da própria existência.
Os famosos são uma vitrine facilmente quebrável por anônimos que sentem prazer em atirar pedras enquanto tentam não encarar seus infortúnios.
Mas esse prazer é tão mesquinho quanto efêmero. “Não se pode acreditar que é possível ser feliz procurando a infelicidade alheia”, escreveu o poeta romano Sêneca.