Chorando, Edilson dá lição de autoconhecimento: “Não é o dinheiro que te deixa mais feliz”
Emocionalmente abalado, o comentarista esportivo mostra lucidez ao relativizar a busca a qualquer preço pelo prêmio no ‘BBB26’
Após uma noite caótica, com múltiplas discussões na casa do ‘BBB26’, a madrugada teve um momento de relevante reflexão.
Edilson, Babu e Juliano conversaram no jardim. Os três se emocionaram a ponto de verter lágrimas.
O ex-jogador revelou a vontade de apertar o botão de desistência. “Esse jogo é muito legal, mas foge do que eu quero hoje para a minha vida”, disse.
Na sequência, surpreendeu ao fazer uma reflexão sincera sobre o impacto de uma conta bancária cheia de milhões em sua vida.
“O dinheiro é maravilhoso, poderia resolver vários problemas na minha vida, mas não é tudo. Eu já tive prova concreta de que não é isso”, explicou.
“Esse valor (o prêmio de R$ 5,4 milhões), eu já tive dez vezes mais. E eu tenho prova de que não é o dinheiro que te deixa mais feliz ou te deixa bem.”
O Dinheiro e o vazio
A fala de Edilson toca num ponto que a psicanálise conhece bem: o dinheiro costuma funcionar como um objeto de projeção. Sigmund Freud alertou que o ser humano tende a investir sua libido em substitutos simbólicos para tentar compensar perdas primitivas.
Fortuna, status e reconhecimento entram nesse circuito como promessas de completude que invariavelmente fracassam. Quando o desejo é deslocado para o acúmulo, o sujeito experimenta uma euforia passageira, mas logo retorna ao vazio original, agora mais ruidoso pela percepção da futilidade do excesso.
Outro psicanalista referencial, Jacques Lacan, foi ainda mais incisivo ao afirmar que “o desejo do homem é o desejo do Outro”. O dinheiro, nesse sentido, raramente é buscado por sua utilidade prática: representa a validação e o poder de existir socialmente perante a sociedade. ‘Ter para ser’.
Na filosofia, essa constatação atravessa séculos. Arthur Schopenhauer resumiu a obsessão por ganhar e acumular dinheiro para preencher o abismo existencial. “A riqueza é como água do mar: quanto mais se bebe, mais sede se tem”.
Sob a ótica da psicologia analítica de Carl Jung, o apego excessivo à matéria é um sintoma de desequilíbrio entre o mundo externo e o mundo interno. Quando questões profundas são negligenciadas, o indivíduo tenta compensar inflando o ego com conquistas visíveis que o fazem se sentir melhor e maior diante dos outros.
O resultado é o fenômeno que vemos hoje, especialmente entre celebridades que adoram ostentar: uma sensação de desamparo disfarçada de sucesso. Por fora, a imagem da vitória. Por dentro, uma angústia desesperadora.
O dinheiro resolve problemas práticos, mas é incapaz de mediar conflitos internos. No fim, existe um tesouro mais valioso do que o capital financeiro: a paz de espírito, essa riqueza silenciosa que nenhum prêmio de reality show, por maior que seja, consegue comprar.