‘Três Graças’ chega à metade com baixa audiência, mas forte presença na cultura digital
Novela cheia de qualidades confirma a tendência de a TV aberta ter pontuação de público cada vez menor
Lançada em outubro, ‘Três Graças’ alcançou agora o meio de sua duração. A média geral, até aqui, é de 21.3 pontos na aferição da Kantar Ibope.
Está 0.5 atrás do índice que a antecessora na faixa das 21h, ‘Vale Tudo’, conseguiu no mesmo período de exibição.
Não é um atestado de fracasso, longe disso, mas suscita a impressão de que o resultado ficou distante da expectativa.
Esperava-se um desempenho melhor da trama assinada pelo mestre Aguinaldo Silva, autor de ‘Roque Santeiro’, ‘Tieta’, ‘Senhora do Destino’ e ‘Império’.
O problema não está no roteiro, nas atuações, na direção, em nada relacionado à produção, e sim na irrefreável migração de público da TV aberta para streamings, aplicativos de vídeos e redes sociais.
E por melhor que seja a novela, parece insuficiente para trazer de volta a parcela numerosa de público que desistiu da teledramaturgia diária por preferir se entreter com conteúdos rápidos.
Por prudência, a Globo e a imprensa que cobre televisão não devem alimentar a ilusão de um novo fenômeno de audiência, como já se espera de ‘Avenida Brasil 2’, prometida para 2027.
A tendência é a TV registrar números cada vez mais baixos, ainda que mantenha relevância simbólica e capacidade de pautar o debate público, a exemplo da atual discussão sobre a homotransfobia do vilão Ferrete (Murilo Benício).
Nas redes sociais, ‘Três Graças’ tem presença vigorosa: gera viralização de cenas, memes e imitações. Agrada a variados públicos — especialmente os mais jovens — que não acompanham a transmissão linear, mas consomem no ambiente digital e ajudam a impulsioná-la em outras telas.
Antes hegemônico na avaliação da TV, o Ibope passou a dividir o prestígio com esse termômetro gigantesco: a repercussão online.
Um eventual sucesso de visualizações, curtidas e compartilhamentos, como a cena da malvada Arminda (Grazi Massafera) dançando ‘Freak Le Boom Boom’, de Gretchen, vale tanto ou mais do que muitos pontos no ranking tradicional.
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