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Caos na Venezuela tira jornalistas da folga, aumenta audiência e prova que TV aberta está viva

Cobertura da queda de Nicolás Maduro aponta o caminho para as emissoras tradicionais manterem relevância no mundo digital

6 jan 2026 - 09h52
(atualizado às 09h52)
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Na madrugada de sábado, 3 de dezembro, enquanto a maioria dos brasileiros dormia, emissoras de TV transmitiam as primeiras imagens e informações sobre a derrubada do ditador Nicolás Maduro.

Ainda que a invasão ao país vizinho fosse iminente devido às ameaças de Donald Trump, todos foram surpreendidos: na maioria dos canais, não havia roteiro pronto nem correspondente de plantão em Caracas. 

Mesmo assim, a TV aberta mostrou a capacidade de oferecer uma cobertura ao vivo por várias horas com qualidade de informação.

Jornalistas foram acordados. Outros, tiveram folgas e férias canceladas. Âncoras que geralmente não trabalham no fim de semana, como Renata Vasconcellos e César Tralli, do ‘Jornal Nacional’, foram escalados para conduzir edições especiais de telejornais.

Em relação ao sábado anterior, o principal telejornal da Globo conquistou 2 pontos a mais de audiência na Grande São Paulo.

A Record também foi rápida: enviou Roberto Cabrini para a fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, país que poderá ser o próximo alvo do presidente dos Estados Unidos. Resultado: ‘Domingo Espetacular’ com a melhor média de audiência em cinco meses. 

Aliás, faltam repórteres veteranos como Cabrini para cobrir este tipo de conflito bélico aplicando a experiência em campo. A maioria deles foi demitida por redução de custos.

Sem especialistas em guerra, a Globo e a GloboNews escolheram o repórter de política Ricardo Abreu, de Brasília. Ele foi até Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. De São Paulo, o generalista Tiago Eltz se deslocou até a região que separa Venezuela e Colômbia.

César Tralli no 'Jornal Nacional': milhões de pessoas ligam a TV após ler uma notícia importante na internet
César Tralli no 'Jornal Nacional': milhões de pessoas ligam a TV após ler uma notícia importante na internet
Foto: Reprodução/TV

Cambaleia, mas não cai

A TV aberta enfrenta indiscutível decadência. Há forte migração de interesse para o streaming e nota-se consumo cada vez maior de conteúdos rápidos de redes sociais, aplicativos de vídeos curtos e do YouTube.

Mas, quando se trata de jornalismo confiável, as velhas emissoras ainda superam a concorrência. Uma pesquisa da agência de inteligência de dados Ponto Map e da ferramenta de monitoramento digital V-Tracker mostra que a TV aberta é considerada confiável por 69% dos brasileiros. As redes sociais em geral aparecem bem abaixo: 41%.

Estes dados confirmam o hábito de muita gente: ligar a televisão para confirmar uma notícia lida ou ouvida em algum lugar.

Ainda que passível de falhas, o jornalismo realizado pelos canais tradicionais é o valioso antídoto contra as fakes news. 

A corrida à TV aberta detectada desde a queda de Maduro reforça a convicção de que o futuro do veículo é o jornalismo em tempo real. 

São as notícias em tempo real que garantirão sua relevância diante de um mundo cada vez mais digital, fragmentado e saturado de manipulação deliberada.

Nos momentos decisivos, milhões de brasileiros ainda recorrem à TV aberta para entender o que está acontecendo de verdade.

Cabrini na Colômbia e Abreu em Roraima: emissoras enviaram profissionais para perto do conflito, mas fez falta não ter correspondente em Caracas
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Foto: Reprodução/TV
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