Em dois meses no ‘Jornal Nacional’, César Tralli já impõe mudança clara na bancada
Âncora influencia a postura da colega Renata Vasconcellos e passará por testes na cobertura eleitoral
Sessenta dias após suceder a William Bonner no ‘Jornal Nacional’, César Tralli se sente à vontade ao lado de Renata Vasconcellos.
Tanto que aumentou a frequência de comentários improvisados ao reagir a matérias exibidas e ampliou a interação com a colega de bancada. Estimulada, ela também passou a opinar mais fora do roteiro.
Com Tralli, o ‘JN’ aumentou a informalidade. As análises rápidas feitas eventualmente por ele deixam o telejornal melhor conectado com o público.
Parece um primo inteligente que descomplica as notícias para a compreensão da família reunida.
O principal noticiário da Globo há tempos pedia um enfoque mais coloquial. Os âncoras precisam descer do pedestal e interpretar os principais fatos com o olhar do povo.
Tralli fez isso no ‘SPTV 1ª Edição’, ‘Edição das 18h’ (GloboNews) e ‘Jornal Hoje’, deixando o formato dos três telejornais mais fluido.
Hora da Verdade
“Vem aí um novo começo para todos os brasileiros”, disse Renata Vasconcellos no vídeo promocional das novidades na Globo em 2026.
“Inclusive para mim, em ano de eleições”, completou Tralli.
Ele será o principal jornalista da emissora na cobertura da corrida à Presidência. Além de sabatinar os candidatos na bancada do ‘Jornal Nacional’, assumirá a função de mediador nos debates com os presidenciáveis e âncora da apuração.
Carrega a experiência de ter conduzido os encontros dos pretendentes ao governo de São Paulo em 2014, 2018 e 2022, sempre com desempenho correto.
Bonner não saiu ileso da missão de representar a Globo na cobertura política: tornou-se odiado tanto pela direita quanto pela esquerda, hostilizado na internet e em episódios presenciais.
Chegou a vez de César Tralli testar sua boa imagem nos campos minados de uma eleição polarizada.
Nesse ambiente político explosivo, no qual a imprensa é permanentemente colocada sob suspeita e atacada, a atuação do apresentador será medida pela capacidade de equilibrar firmeza, isenção e credibilidade.
O desafio é imenso: conduzir a cobertura eleitoral sem se tornar uma vítima da militância extremista.