'Amor Eterno Amor': ator diz que sentirá saudade de papel de peão
- Geraldo Bessa
O carinho com que Raphael Viana fala sobre o peão Josué, de Amor Eterno Amor, da TV Globo, impressiona. E boa parte da empolgação do ator com o personagem vem da intensa preparação para a novela, iniciada dois meses antes da estreia, no habitat natural de Josué: a Ilha do Marajó ¿ arquipélago localizado no estado do Pará. "Tive algumas referências de livros e filmes. Mas a ambientação foi fundamental e superou minhas expectativas. Além de moldar o personagem, construí um profundo respeito pelos moradores da região", conta. Prestes a se despedir do papel, o ator assume que, além de sua imersão na cultura paraense, o tom cômico do personagem vai deixar saudades. Principalmente, pelas cenas divididas com Andréia Horta, intérprete da espevitada Valéria. "O público torce por essa paixão desmedida. Ele é um cara perseverante. Essa jogo de gata e rato entre eles é muito engraçado", valoriza o ator de 28 anos.
O humor envolvendo as idas e vindas do casal ganhou destaque com a súbita transformação de Josué em modelo fotográfico. Ironicamente, foi a partir do mundo da moda que o ator descobriu a TV. Em 2005, sem grandes pretensões, ele acompanhou um amigo a uma sessão de testes para uma agência de comerciais. No local, foi convencido a fazer o teste também. "É aquela coisa de estar na hora e no lugar certos", define. A partir daí, acumulou trabalhos em publicidades para a televisão e catálogos de moda. E, paralelamente, continuou a estudar Artes Cênicas. Incentivado pelos pais, o teatro faz parte da vida de Raphael desde os 15 anos de idade. Tímido e retraído na adolescência, ele encontrou nos palcos um hobby. A relação com a profissão de ator só começou a ficar séria depois de passar pelos cursos da CAL - Casa das Artes de Laranjeiras, famoso curso de interpretação carioca - e conseguir um pequeno papel em Bicho do Mato, novela exibida pela Record em 2006. "A TV é um local de eterno aprendizado. Hoje ainda faço alguns trabalhos de moda, mas sei exatamente qual é a minha praia", avisa o ator, natural de Barra Mansa, interior do Rio de Janeiro.
Em sua quarta novela, Raphael acredita que o trabalho em Amor Eterno Amor solidifica sua relação com o veículo. Acostumado a inúmeros testes de elenco, o ator pela primeira vez foi convidado a participar de uma trama. Para ele, o "chamado" da equipe da novela das seis é fruto de seu esforço e dedicação nos folhetins anteriores: Araguaia, de 2010, e Morde & Assopra, do ano passado. O ponto em comum entre os três trabalhos na Globo é o estilo galã e a boa conduta dos personagens, algo que não chega a incomodar Raphael. "Apesar de serem bonzinhos, são tipos bem diferentes. É claro que eu gostaria de fazer algo mais alternativo, um vilão, um louco, mas estou feliz com o que está surgindo", justifica.
Atualmente, Raphael dedica-se às últimas cenas de Josué na trama de Elizabeth Jhin, enquanto arquiteta seus projetos com a Companhia de Teatro Íntimo, onde além de atuar, exibe sua porção diretor, produtor e designer. "O teatro me dá inúmeras possibilidades artísticas. Essa variação é interessante na hora em que preciso me reciclar", garante. Distante do universo comercial e industrial da televisão, o ator mostra-se apaixonado por poesia e pela obra de escritores como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes. Inclusive, ele mesmo já escreveu uma série de poesias, que mantém guardadas por conta da timidez. "Tenho vontade de publicar algumas. Mas mostrar minhas poesias é uma exposição maior do que qualquer trabalho como ator", compara.
Peão de verdade
Durante o tempo em que gravou Amor Eterno Amor na Ilha do Marajó, Raphael Viana ficou impressionando com a recepção e o bom relacionamento entre os moradores do arquipélago e o elenco da novela. Ao lado dos parceiros de cena Gabriel Braga Nunes e Erom Cordeiro, Raphael se esbaldou nos rios, comeu pratos típicos da região e aprendeu a lidar com os búfalos que andam livremente pelas ruas da cidade de Soure. "É outro estilo de vida, onde a natureza bruta é muito presente. Gravamos muitas cenas de lida de peão. Era contagiante estar à frente de 600 búfalos", conta.
Depois de gravar a última cena com a manada, o ator lembra com carinho do presente que ganhou de Brito, um dos peões que ajudavam na sequência. "Ele tirou o chapéu e me entregou. Falando que agora eu era um peão de verdade. Na hora, disse que não precisava, mas ele insistiu para eu aceitar o presente. Fiquei emocionado", assume.