Por que alguns homens franzinos podem levantar mais peso que fisiculturistas
m academias, competições e nas redes sociais, a força física costuma ser associada automaticamente ao tamanho dos músculos. Ainda assim, casos como o do influencer Anatoly, conhecido por levantar cargas muito altas apesar de ser visivelmente franzino, chamam a atenção. Saiba por que isso acontece.
Em academias, competições e nas redes sociais, a força física costuma ser associada automaticamente ao tamanho dos músculos. Ainda assim, casos como o do influencer Anatoly, conhecido por levantar cargas muito altas apesar de ser visivelmente franzino, chamam a atenção. A comparação com fisiculturistas de elite, como os que disputam o Mister Olympia, ajuda a expor um ponto importante: força máxima e volume muscular não são exatamente a mesma coisa.
Para entender por que algumas pessoas magras levantam pesos tão elevados, é preciso observar fatores que não aparecem em uma foto: tipo de treinamento, coordenação neuromuscular, biomecânica e até composição das fibras musculares. Em muitos casos, esses elementos contam mais para o desempenho na barra ou no agachamento do que o braço grande ou o peitoral volumoso.
Força muscular x músculos grandes: qual é a diferença?
Fisiculturistas que competem em palcos como o Mister Olympia treinam com foco principal em hipertrofia, isto é, aumento de volume muscular, definição e simetria. Já atletas de força, como praticantes de powerlifting ou strongman, costumam priorizar a capacidade de mobilizar a maior carga possível em poucos movimentos, mesmo sem atingir um visual tão volumoso.
Na prática, isso significa que o fisiculturista muitas vezes faz mais repetições, com diferentes ângulos, buscando fadiga muscular e estímulo estético. O atleta de força, por sua vez, trabalha com baixas repetições e cargas muito altas, treinando o corpo para produzir força máxima em pouco tempo. As adaptações internas geradas por essas rotinas são diferentes, mesmo que externamente ambos pareçam treinar "pesado".
Por que um franzino como Anatoly pode ser tão forte?
Em casos como o do influencer Anatoly, o destaque não está apenas nos músculos, mas na eficiência do sistema nervoso. Pessoas altamente treinadas em força conseguem recrutar uma porcentagem maior das fibras musculares em um único movimento. Isso é chamado de adaptação neural e não depende diretamente do tamanho aparente do músculo.
Além disso, a relação entre peso corporal e força relativa favorece indivíduos mais leves. Um atleta magro que levanta várias vezes o próprio peso demonstra uma força relativa muito alta. Já um fisiculturista pesado pode ser forte em termos absolutos, mas ter mais dificuldade para expressar essa força em relação ao próprio peso corporal.
- Coordenação motora: melhora o padrão do movimento, reduz desperdício de energia.
- Sincronização das fibras: mais fibras contraem ao mesmo tempo, gerando mais força.
- Experiência técnica: pequenos ajustes na postura e na pegada mudam completamente o desempenho.
Quais fatores explicam alguém mais forte do que um fisiculturista?
Quando se compara um atleta de força muito eficiente a um fisiculturista profissional, vários elementos ajudam a entender o porquê de o mais "franzino" parecer mais forte em determinados exercícios específicos. Não se trata de um único motivo, mas de uma combinação de aspectos físicos e técnicos.
- Tipo de fibra muscular predominante
Alguns indivíduos têm maior proporção de fibras de contração rápida, mais relacionadas à força e à potência. Isso favorece levantamentos pesados, mesmo sem um grande aumento visual do músculo.
- Alavancas corporais
O formato do corpo influencia. Comprimento de braços, pernas e tronco altera a biomecânica do movimento. Certas proporções tornam mais fácil levantar muito peso em agachamentos, supinos ou levantamentos terra, o que pode dar vantagem a alguém aparentemente menor.
- Técnica refinada
Atletas de força treinam repetidamente os mesmos padrões: agachar, puxar, empurrar. Ao longo dos anos, ajustam a trajetória da barra, a respiração, a tensão do tronco e o posicionamento dos pés. Essa precisão técnica reduz falhas e permite aproveitar melhor cada centímetro do movimento.
- Especificidade do treino
A regra da especificidade é simples: o corpo melhora naquilo que pratica. Quem treina para palco desenvolve estética; quem treina para a barra desenvolve performance. Assim, um fisiculturista pode ter mais massa muscular total, mas menos prática em testes clássicos de força máxima.
- Composição corporalParte do peso corporal de um fisiculturista é água, glicogênio e até gordura residual, além de músculos. Já um praticante de força relativamente magro pode ter um percentual de massa muscular funcional muito bem aproveitado em relação ao próprio peso.
Como o treino molda a diferença entre força e estética?
O planejamento de treino para um Mister Olympia costuma incluir uma grande variedade de exercícios, com foco em volume total de trabalho, detalhes de cada grupo muscular e estratégias para manter densidade e definição. Já rotinas voltadas à força máxima priorizam poucos movimentos básicos, grande intensidade e descanso adequado entre séries para sustentar cargas elevadas.
Na prática, isso leva a adaptações específicas: atletas de força tendem a desenvolver articulações e tecidos de suporte mais resistentes para suportar altas cargas, enquanto fisiculturistas trabalham faixas intermediárias de repetição para ampliar o estímulo de crescimento. Assim, um levantamento impressionante exibido por alguém franzino nas redes sociais costuma ser resultado de muitos anos de prática direcionada, e não apenas de "talento" ou aparência.
O que o público pode aprender com esses exemplos?
Casos como o de Anatoly ilustram que aparência não é um indicador absoluto de força real. Para quem observa de fora, a principal lição é compreender que objetivos diferentes exigem caminhos distintos. Quem busca estética prioriza hipertrofia e definição; quem busca força pura precisa de treino específico, técnica bem trabalhada e paciência para construir adaptações internas.
Também fica evidente que comparar diretamente um atleta de força a um fisiculturista pode ser enganoso, já que cada um responde a demandas diferentes. Em vez de usar apenas o tamanho do músculo como referência, entender conceitos como força relativa, técnica de execução e especificidade do treino ajuda a interpretar melhor o que se vê nas academias e nas plataformas digitais em 2025.