Shakira é alvo de processos por plágio envolvendo compositores brasileiros às vésperas de show no Rio
Cantora colombiana foi anunciada esta semana como grande atração de 2026 do Todo Mundo no Rio
Anunciada como a grande atração de 2026 do Todo Mundo no Rio, a cantora colombiana Shakira enfrenta dois processos movidos por compositores brasileiros que a acusam de plagiar a música “Tu Tu Tu”. A canção contestada é “Shakira: BZRP Music Sessions Vol. 53”, em parceria com o produtor argentino Bizarrap, premiada no Grammy Latino.
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Ao Terra, o advogado Fredímio Biasotto Trotta, que representa os compositores, disse que tramitam dois procedimentos autônomos e independentes: um de natureza civil, com pedido de indenização por violação de direitos autorais e reconhecimento de coautoria; e outro na esfera penal, já que o plágio também pode configurar crime. Até o momento, não há decisão judicial sobre o mérito das ações.
A ação indenizatória foi ajuizada em 10 de janeiro e distribuída eletronicamente à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Nela, os compositores Ruan Prado, Luana Matos, Patrick Graue, Calixto Afiune e Rodrigo Lisboa — este último falecido seis meses após tomar ciência do suposto plágio — sustentam que houve reprodução de elementos protegidos de sua obra “Tu Tu Tu”.
Paralelamente a ação, um procedimento criminal apura se houve dolo, quando há intenção deliberada de plagiar, inclusive com possíveis disfarces para mascarar o aproveitamento de elementos da obra original. A investigação está a cargo da Polícia Federal.
Similaridade
As alegações dos compositores brasileiros apontam uma série de similaridades estruturais entre “Tu Tu Tu” e “Shakira: BZRP Music Sessions Vol. 53”.
A ação aponta, entre outras coisas, a reprodução, com mínimas alterações, da melodia do refrão da música brasileira no refrão, na introdução e no encerramento da obra assinada por Shakira e Bizarrap.
Também são indicadas semelhanças na narrativa de traição, superação e empoderamento feminino. Em ambas as canções, o sujeito da narrativa é feminino (a mulher traída) e o destinatário da mensagem é masculino (o traidor). Além disso, o vocábulo “tu” é enfatizado no refrão das duas composições.
No campo técnico-musical, as acusações mencionam que as duas obras foram performadas na tonalidade de Ré menor, dentre 24 possibilidades existentes.
“Na grande maioria dos casos internacionais ou nacionais de plágio retratados pela literatura especializada e pela jurisprudência, observa-se a reprodução de um ou outro elemento, em pequenos trechos (já que o plágio na maior parte das vezes é parcial), mas não nesta quantidade expressiva e conjuntamente”, enfatiza Trotta.
Trotta afirmou que, antes da judicialização, houve uma tentativa de conciliação entre as partes. Segundo ele, em dezembro de 2024, a Sony Music procurou os compositores para fazer um acordo, mas as tratativas teriam sido interrompidas de forma inesperada.
Até o momento, Shakira e Bizarrap não se manifestaram oficialmente sobre as acusações. O Terra procurou as assessorias dos artistas e não teve retorno até a publicação da reportagem.