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Lázaro Ramos na Berlinale: Brasil deixa de agradar ao 'algoritmo do gosto médio' e reafirma identidade no cinema

O ator Lázaro Ramos está em Berlim para a estreia mundial do filme "Feito Pipa", de Allan Deberton. Em entrevista à RFI, ele fala sobre a boa fase do cinema brasileiro, que tem conseguido apresentar histórias universais mantendo sua própria identidade.

18 fev 2026 - 14h26
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Silvano Mendes, enviado especial da RFI a Berlim

Os brasileiros estão em alta no 76º Festival de Cinema de Berlim. Entre as produções nacionais e as coproduções, a presença no mercado e diretores brasileiros assinando filmes internacionais, mais de 12 projetos fazem parte da programação da Berlinale.

"É um bom momento para o cinema brasileiro", celebra Lázaro Ramos, ressaltando a vontade de boa parte dos diretores de valorizar uma estética e uma identidade brasileiras.

"Alguns anos atrás a gente se perdeu um pouco achando que ia fazer cinema para o algoritmo do gosto médio e esqueceu de ser quem nós somos", afirma o ator. Mas os tempos mudaram, insiste, citando sucessos como "Ainda Estou Aqui" ou "O Agente Secreto", além de todos os projetos presentes na 76ª Berlinale.

"Todos os filmes com uma identidade muito forte e que você identifica o Brasil ali. Você consegue absorver a história e perceber que ela também pode ser universal, mesmo sendo com o pé fincado no nosso território", avalia.

É o caso de "Feito Pipa", filme que Lázaro representa em Berlim e que conta a história de Gugu, um menino que vive no interior do Ceará apenas com a avó, que lhe dá plena liberdade para se descobrir. O bullying que o personagem enfrenta na escola ou jogando futebol - onde é uma das estrelas do time, apesar das gozações - fica do lado de fora quando ele volta para casa e encontra a empatia e o carinho dessa avó, interpretada com maestria por Teca Pereira.

Na trama, Lázaro vive um pai distante, que não aceita o lado extrovertido do filho. Segundo ele, trata-se de "um homem que está querendo uma vida morna, enquanto seu filho diz: 'eu vou ser quem eu sou e minha vida é colorida'".

Essa vida "colorida" é encarnada com primor por Yuri Gomes, ator formado pelo projeto Axé, do Pelourinho, escolhido após uma seleção com mais de 600 crianças. "A gente teve a alegria de encontrar Yuri, que é muito espirituoso e bastante autêntico. E ele tinha todas as ferramentas que poderiam servir para o personagem do Gugu", conta à RFI o diretor Allan Deberton.

Lázaro Ramos também não poupa elogios ao menino, de apenas 11 anos, e confessa que foi difícil manter o tom sisudo do personagem diante do carisma do garoto. "A minha vontade era, na verdade, abraçá-lo, acolhê-lo", resume o ator.

Lázaro Ramos prepara novo projeto como diretor

Além de "Feito Pipa", Lázaro Ramos lança mais dois filmes em 2026 - "Velhos Bandidos" e "Antártida" -, num ano dedicado à carreira de ator. Mas não descarta se aventurar novamente atrás das câmeras, após o sucesso dos longas "Medida Provisória" (2022) e "Um Ano Inesquecível: Outono" (2023).

"O ator está aqui em primeiro plano, mas estou trabalhando nos próximos longas que eu vou dirigir. Ainda não sei se posso falar, mas, enfim, vai ter um outro filme aí", revela.

Além dos projetos, Lázaro será, junto com a mulher Taís Araújo, o homenageado da 28ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, tradicional evento na capital francesa, que acontece entre 7 e 14 de abril. Essa é a primeira vez que um casal é celebrado no evento, que destaca a contribuição dos dois para o teatro, o cinema e a televisão.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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