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Mãe coragem, Gloria Perez perdeu outro filho 10 anos após morte de Daniella

Autora de novelas é um exemplo de força e luta em sua trajetória marcada por dores profundas

31 jul 2022 - 09h19
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A série ‘Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez’ é sobre um dos mais hediondos homicídios da crônica policial brasileira. Mas não apenas isso. É também sobre o amor incondicional de uma mãe. 

Gloria Perez não teve o direito de viver as etapas do luto – processo imprescindível a qualquer pessoa que enterra um ente querido. Ainda diante do caixão da filha, precisou se manter atenta para evitar a impunidade dos assassinos. Uma semana depois, voltou a escrever os capítulos da novela ‘De Corpo de Alma’. 

Entre lágrimas e a revolta, a dor física da perda e o abalo da saúde mental, ela reuniu forças para ir atrás de testemunhas e provas. Muitas vezes, agiu sozinha, acompanhada somente pelo espírito da determinação materna. 

Levou porta na cara. Recebeu ameaças. Tentaram convencê-la a desistir. Era uma mulher fragilizada e, ao mesmo tempo, inabalável em sua busca por justiça. 

Mobilizou a imprensa, trocou solidariedade com outras mães com filhos assassinados, pressionou os legisladores para conseguir o recrudescimento da punição legal aos homicidas. 

Como se fosse pouco, durante essa jornada exaustiva, enfrentou uma tortura: o vandalismo no túmulo de Daniella. Houve várias tentativas de abrir a sepultura. Um pesadelo sem fim. 

A condenação dos assassinos, cinco anos após o crime, foi uma vitória, porém, nada ameniza a dor da saudade e, como a própria Gloria diz em ‘Pacto Brutal’, certa culpa por acreditar que poderia ter evitado a tragédia. 

A novelista enfrentaria outra perda inominável. Um mês antes de a morte de Daniella Perez completar 10 anos, ela perdeu o filho caçula, Rafael, então com 25 anos. 

O rapaz, que nasceu com uma síndrome rara que afetou seu desenvolvimento mental, não resistiu a complicações de uma cirurgia para reverter uma torção intestinal.

Gloria Perez diz conviver diariamente com a dor da morte de dois filhos
Gloria Perez diz conviver diariamente com a dor da morte de dois filhos
Foto: Reprodução


Uma década depois, em entrevista à revista ‘Quem’, Gloria Perez foi questionada sobre o drama de ter enterrado dois filhos. “É impossível viver à parte disso, vivo com isso, com essa dor”, disse. 

Um pouco antes da matéria, em 2010, a autora havia sido obrigada a superar mais um teste de resiliência: recebeu um diagnóstico de câncer na tireoide quando ‘Caminho das Índias’ estava no ar. “Colocava o computador no colo e escrevia na cadeira da quimioterapia”, contou. 

A admirável força de Gloria Perez a torna parecida com certas mães da mitologia, capazes de grandes sacrifícios pelos filhos, como a grega Reia, e próxima de qualquer mãe anônima deste Brasil violento e injusto, obstinada a criar sua prole e, se necessário, enfrentar tudo e todos para honrar seus descendentes, vivos ou mortos. 

A autora sempre teve o apoio de outro filho, o advogado Rodrigo, 50 anos, que aparece em ‘Pacto Brutal’. No momento, ela se dedica a escrever os capítulos de ‘Travessia’, novela que sucederá ‘Pantanal’ a partir de 17 de outubro. 

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