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Daniel Radcliffe diz que está 'um caco emocional, no melhor sentido da palavra'

O próprio Harry Potter fala sobre como foi a vida de uma criança famosa, trabalhar com Tracy Morgan e as alegrias (e lágrimas) da paternidade

13 fev 2026 - 15h47
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Daniel Radcliffe está aproveitando seu intervalo de almoço para sair de um ensaio na Broadway, mas não se preocupa com o atraso. "Eu sou literalmente a única pessoa nesta peça", diz o ator, de 36 anos, em uma ligação telefônica do distrito teatral de Manhattan. "Eles não podem começar sem mim."

Daniel Radcliffe
Daniel Radcliffe
Foto: Slaven Vlasic/Getty Images for The Roku Channel / Rolling Stone Brasil

É o terceiro dia de ensaios para Every Brilliant Thing, que estreia em 21 de fevereiro, um monólogo em que o personagem de Radcliffe cria uma lista de razões pelas quais a vida vale a pena ser vivida, numa tentativa de ajudar sua mãe suicida. A apresentação exige alguma participação da plateia, o que Radcliffe considera "muito fora da minha zona de conforto". Não que ele se importe. "Não saber realmente o que vai acontecer", diz, "é sempre uma perspectiva muito atraente para mim."

Ao mesmo tempo, Radcliffe estrela um projeto bem diferente: a sitcom da NBC, The Fall and Rise of Reggie Dinkins, onde interpreta um cineasta que tenta reabilitar um astro do futebol americano, interpretado por Tracy Morgan. "Sou naturalmente pessimista em relação a muitas coisas, então nunca quero me entregar demais a um otimismo desenfreado", diz Radcliffe, "mas seria incrível se essa série durasse alguns anos. Isso me deixaria muito feliz."

Em uma entrevista para a coluna Last Word da Rolling Stone, Radcliffe fala sobre os destaques de sua carreira, a transição do drama para a comédia, caminhões gigantes e muito mais.

Como foi trabalhar com Tracy Morgan em The Fall and Rise of Reggie Dinkins?

Tracy é uma das pessoas mais engraçadas do planeta. Todos os dias, você vai ouvi-lo dizer cinco das coisas mais malucas que você já ouviu um ser humano dizer. E ele também é incrivelmente generoso e capaz de ter conversas muito emocionantes. Então, é um verdadeiro prazer trabalhar com ele. Somos muito diferentes, mas o que temos em comum é que ambos amamos muito o nosso trabalho e nos sentimos muito sortudos por poder fazê-lo.

Vou a um jogo dos Knicks com ele. Nunca fui a um jogo de basquete e sei que Tracy é tipo o prefeito do Madison Square Garden. Vai ser uma experiência interessante.

Você descreveu Every Brilliant Thing, onde seu personagem faz uma lista de razões para viver, como "uma peça muito engraçada sobre depressão". O que estaria na sua lista?

A minha, no momento, provavelmente seria sobre meu filho — todas as pronúncias bizarras que ele dá às coisas. Eu o levei ao Monster Jam [um show de monster trucks ao vivo], e lá tem um caminhão que é um unicórnio e atira confete pelo chifre. O caminhão se chama Sparkle Smash, se você tiver curiosidade. Depois, ouvi ele contando essa história, e ele se referiu ao confete como "espaguete". Além disso, o padrinho dele deu a ele um carrinho de brinquedo de uma Lamborghini, que ele chama de "abobrinha". Então, tem um monte de coisas incrivelmente fofas que ele diz.

Eu também diria a música de Joanna Newsom ou Tom Lehrer. Poderia fazer uma lista de mil coisas brilhantes incluindo somente discos. E tem uma música na série que eu adoro, que é "Waking up late with someone you love" (em tradução livre, acordar tarde ao lado de alguém que você ama). Isso é uma coisa brilhante na vida.

Você atua em produções da Broadway há mais de duas décadas. Você ainda fica nervoso no palco?

Nossa, com certeza. Existe um mito de que atores não ficam nervosos. Talvez alguns não fiquem, mas, honestamente, se eu estivesse nos bastidores com alguém antes da estreia ou de uma prévia e perguntasse: "Você está nervoso?" e a pessoa dissesse que não, eu imediatamente desconfiaria dela ou pensaria que ela estava mentindo ou prestes a cometer um erro. Um pouco de nervosismo é saudável — você está entrando no palco na frente de 900 pessoas.

Sempre existe aquele primeiro momento em que a coisa fica séria, quando você faz isso com um novo espetáculo pela primeira vez, que é ao mesmo tempo assustador e emocionante. Conforme o espetáculo avança, você se acostuma cada vez mais. Mas quando eu estava fazendo Merrily We Roll Along, eu ficava bem nervoso todas as vezes, principalmente antes de fazer Franklin Shepherd Inc. Nunca houve um momento em que eu pensasse: "Ah, sim, isso é tranquilo e fácil!"

O que significou para você ganhar um Tony por Merrily We Roll Along?

Foi incrível. Foi muito especial ganhar como parte daquele espetáculo. E foi uma noite realmente ótima. Eu não bebo mais, então não sou o tipo de pessoa que fica em festas até as 6 da manhã com frequência, mas naquela noite eu fiquei, e foi sensacional. Teve um momento naquela noite em que estávamos em um hotel e alguém estava tocando "New York, New York" no piano, e [meu colega de elenco] Jonathan [Groff, que também ganhou um Tony naquela noite] estava cantando junto. Eu só pensava: "O que é a vida? Isso é tão incrivelmente perfeito."

Você interpretou "Weird Al" na cinebiografia de 2022 sobre ele, Weird: A História de Al Yankovic. Você prendeu algo em particular com ele?

Você simplesmente aprende com a maneira como o Al vive. A aceitação e a valorização de sua própria excentricidade — as coisas que lhe traziam alegria e o faziam rir levaram a uma carreira de imensa variedade e longevidade, e a uma quantidade incrível de alegria que ele espalhou pelo mundo — acho que qualquer pessoa pode se inspirar nisso.

Embora você tenha alcançado a fama inicialmente em um papel dramático, continua surpreendendo o público com personagens mais leves. Isso foi uma decisão consciente?

Foi meio que inevitável. As coisas pelas quais me apaixonei na adolescência não eram filmes grandes e intensos. Eu assistia a comédias de meia hora. Um Maluco na TV. The Office, tanto a versão inglesa quanto a americana. E no Reino Unido, havia um programa chamado The Day Today, de onde surgiu o personagem Alan Partridge. Se você presenciasse uma conversa entre mim e Matthew Lewis [que interpretou Neville Longbottom] dos filmes de Harry Potter quando tínhamos uns 16 anos, eu diria que 50% do que saíamos da boca era a gente repetindo falas do Alan Partridge, o que era muito irritante para todos ao nosso redor.

Neste ponto da sua carreira, você está em paz com o fato de que, não importa o que faça, provavelmente sempre será conhecido como Harry Potter?

Nossa, sim. Sempre me senti bem com isso. Não preciso que as pessoas se esqueçam de que fiz isso para aproveitar o que estou fazendo agora. Aliás, isso muitas vezes leva as pessoas a me procurarem em outros projetos. Quando saí de Harry Potter, eu provavelmente ficava mais estressado com isso. Na primeira vez que fiz um musical, entrei nas salas de ensaio pensando: "Caramba, todo mundo está pensando: 'O que esse garoto do cinema está fazendo aqui? Será que ele vai ser bom?'". É bom não entrar mais com essa sensação.

Você viu o esquete "Heated Wizardry" do SNL?

Vi sim. Curiosamente, eu tinha conhecido o Finn Wolfhard algumas semanas antes, por acaso, e conversamos um pouco. Aí ele me mandou uma mensagem um dia antes da exibição, dizendo: "Ei, só para você saber, vamos fazer um esquete de Harry Potter". Eu não tinha visto Heated Rivalry, embora eu soubesse da existência do esquete — minha namorada é muito fã. Tenho certeza de que perdi algumas piadas, mas foi muito engraçado e fofo. Sempre fico feliz em ver outras versões disso. Me faz rir.

Você está com sua parceira, a atriz Erin Darke, há mais de uma década. Qual é a chave para um relacionamento saudável e duradouro?

Nós somos muito bons em ter conversas importantes e não fugir delas. Em relacionamentos anteriores, eu ficava pensando: "E se eu não tiver [essa conversa]?". A Erin sempre foi muito boa em me fazer falar sobre meus sentimentos mais do que eu naturalmente costumo fazer, como um inglês um tanto reprimido.

E eu sempre admirei a inteligência dela. A perspectiva que ela tem do mundo é algo que eu realmente prezo. Ela tem um jeito de ir direto ao ponto e enxergar o que é importante. Acho que muitas vezes a gente admira qualidades que gostaria de ter, e eu definitivamente não tenho essa. Acho que isso não é bem um conselho, mas sim algo que eu adoro nela.

Quais são os melhores e os piores aspectos do sucesso?

Se você tem sucesso, pode continuar fazendo mais daquilo que gosta. As pessoas continuam te dando oportunidades. O pior... bem, isso é um assunto bem amplo. A parte mais difícil é descobrir o que os outros consideram sucesso para você versus o que você considera sucesso para si mesmo. Principalmente se você fica famoso jovem. Eu estava numa posição em que pensava: "OK, já participei do projeto de maior sucesso comercial que já participei, então esse não pode ser o limite do que é sucesso agora. Tem que ser algo que me realize de verdade."

Qual o melhor conselho que você já recebeu?

Algo que meu pai disse sempre me marcou: "Quando você for conhecer pessoas, simplesmente estenda a mão primeiro." Eu entro em uma sala cheia de gente e sinto uma necessidade enorme de apertar a mão de todos. Quando criança, eu tinha muita consciência do estereótipo em torno das estrelas mirins. Eu pensava: "Nossa, todo mundo acha que eu vou ser um babaca em todos os lugares que eu for. Eu só preciso tentar provar o mais rápido possível para alguém que eu não sou." É uma forma de mostrar que você não é um idiota.

Você se lembra do melhor show que já viu?

Eu fui ao Reading Festival quando tinha 16 anos, e o Arctic Monkeys estava tocando em uma tenda. Eles estavam no meio da programação da menor tenda do festival porque ainda não eram famosos, só que já eram. O álbum [Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, de 2006] ainda não tinha sido lançado, mas se você baixasse música ilegalmente, o que, me desculpe, eu fazia, você poderia ter ouvido o álbum inteiro. Ver essa banda prestes a estourar, tocando em uma tenda que provavelmente comportava alguns milhares de pessoas, e com umas 10.000 pessoas tentando se espremer lá dentro, foi muito legal.

Qual foi a compra mais extravagante que você já fez?

Nossa! Essa é uma pergunta para o Tracy Morgan. Ele tem um copo que estava no Titanic. E um aquário de tubarões. Ele é um homem melhor por causa disso.

Você não usa redes sociais. Alguma vez sente que está perdendo alguma coisa?

Literalmente nunca [risos]. Eu estava na nossa sala de ensaio agora mesmo, e todo mundo estava conversando sobre tijolos ou aplicativos que os impedem de usar o celular. Eu acesso a internet. Não que eu esteja completamente offline, mas não uso Instagram. Não uso nenhuma das versões do Twitter que existem. Não sei como alguém consegue. Honestamente, parece tão estressante. Já estou estressado o suficiente. Não acho que isso faria bem para a minha saúde mental. Tenho certeza de que, quando meu filho crescer, isso vai fazer com que ele me veja como uma pessoa terrivelmente velha e decrépita. Mas é, eu não consigo.

Como ser pai te transformou?

Estou um caco de emoções, no melhor sentido possível. Choro muito mais. Vê-lo tão incrivelmente feliz me transforma. É a primeira vez que vejo alguém rir tanto a ponto de me fazer chorar. É tão lindo ver alguém simplesmente rolando no chão e se divertindo tanto.

Como você quer ser lembrado?

Tentarei impactar a vida das pessoas ao meu redor enquanto estiver aqui. Além disso, não me preocupo com isso.

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