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Furiosa: Fracasso histórico de bilheteria preocupa indústria e levanta questões

Furiosa e O Dublê foram dois lançamentos recentes que fracassaram em bilheteria e acenderam questões sobre o cinema em Hollywood.

29 mai 2024 - 17h59
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Estamos deixando de ir ao cinema?:

Nesta segunda-feira, Furiosa, novo capítulo da franquia Mad Max, bateu um recorde negativo: a pior bilheteria nos últimos 40 anos em uma abertura no Memorial Day, nos EUA. O evento, no entanto, não é um caso isolado.

Custando entre 125 e 150 milhões de dólares, o filme “O Dublê”, estrelado por Ryan Gosling e Emily Blunt, e dirigido por David Leitch, não arrecadou o suficiente para sequer se pagar, morrendo na praia com 145 milhões em bilheteria.

Entender a razão destes últimos fracassos tem sido objetivamente desafiador. Furiosa é um prequel de uma franquia famosa, cujo último lançamento foi um sucesso absoluto de crítica e público. O Dublê possui também elenco estrelado, um bom diretor de ação e, assim como a Warner em Furiosa, aqui a Universal fez o investimento adequadamente esperado em divulgação e lobby.

O que deu errado?

O que dizem os estudos

Consumidora compra ingressos de cinema em meio a pandemia de coronavírus em Los Angeles, nos EUA
31/03/2021
REUTERS/Mario Anzuoni
Consumidora compra ingressos de cinema em meio a pandemia de coronavírus em Los Angeles, nos EUA 31/03/2021 REUTERS/Mario Anzuoni
Foto: Reuters

Em levantamento conduzido pela National Association of Theatre Owners, o número de ingressos vendidos anualmente nos EUA revelou um declínio de quase 20% entre 2002 e 2019, mas após a pandemia estes números ficaram ainda piores.

A receita de bilheteria entre 2022 e 2023, segundo levantamento do The Cinema Foundation, foi de US$ 21,4 bilhões, o que mesmo considerando a recuperação pós-COVID, é bastante baixo perto dos US$ 41,3 bilhões de 2017 a 2019. As pessoas estão indo menos ao cinema, não há dúvida.

No Brasil, a coisa não é muito diferente: Em 2022, o público nas salas de cinema ainda estava 46,5% abaixo dos níveis de 2019. Segundo projeção da PwC, os níveis pré-pandemia só possuem alguma chance de retornar a partir de 2026.

Mas o consumo do público geral mudou. Em 2023, uma pesquisa do The Quorum mostrou que uma parcela significativa do público jovem prefere assistir a filmes em casa. Cerca de 70% das pessoas da Geração Z, por exemplo, afirmam que preferem streaming a cinema.

O alto preço dos ingressos também tem sido um grande impasse: 41% dos consumidores estão buscando maneiras de economizar ao ver filmes, o que inclui reduzir a frequência ao cinema e compartilhar contas de streaming com amigos e familiares para dividir custos.

Furiosa teve abertura historicamente baixa na bilheteria dos Estados Unidos.
Furiosa teve abertura historicamente baixa na bilheteria dos Estados Unidos.
Foto: Veja São Paulo

É claro que se considerarmos fatores socioeconômicos, culturais, governamentais, tudo fica mais complicado. Muita gente acha, por exemplo, que o brasileiro simplesmente não gosta de ir ao cinema, o que não é verdade. Os preços cada vez mais altos, o domínio do monopólio nas salas, as leis de incentivo sendo vistas com maus olhos, tudo isso influencia negativamente.

Seria muito fácil apenas dizer que as pessoas merecem as centenas de filmes de heróis repetidos exaustivamente, mas isso eu acredito que seria individualizar um problema muito mais complexo e profundo.

A pluralidade precisa, acima de tudo, de incentivo e fomento.

Fonte: Ygor Palopoli
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