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Sempre fui muito julgada por meu relacionamento, diz Lore Improta

Dançarina e apresentadora conta como se prepara para lidar com racismo em sua família e comenta a moda das dancinhas no TikTok: 'Evolução'

8 dez 2022 - 05h00
(atualizado às 15h02)
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Lorena Improta, dançarina, influencer e apresentadora
Lorena Improta, dançarina, influencer e apresentadora
Foto: Instagram/ @loreimprota

Dançarina, empresária, influenciadora, cantora, mãe e agora apresentadora. Existem muitas maneiras diferentes de se referir a Lorena Improta, que é mais conhecida como Lore. 

A baiana de Salvador, que começou como dançarina aos 9 anos de idade em um projeto infantil de Carla Perez, cresceu acompanhada da música. Aos 16 anos, Lore foi estudar no Canadá, e voltou para a fama. 

Não demorou até que 'estourasse' no meio artístico. Primeiro, como coreógrafa e uma das primeiras participantes do projeto FitDance. Depois, como campeã do concurso que buscava uma nova integrante do balé do extinto 'Domingão do Faustão'

De lá para cá, começou seu próprio projeto de dança; criou 'Show da Lore', projeto musical voltado para as crianças; se tornou musa da escola de samba Viradouro; e hoje já faz as vezes de apresentadora. Na Comic Con Experience (CCXP22), ela comandou a live da Universal Music com o influencer Laddy Nada.

"Eu amo apresentar, eu me sinto muito bem", diz Lore, no bate-papo exclusivo que teve com o Terra no último dia do evento. 

Durante a CCXP22, Lore assumiu a apresentação de lives sobre música dentro do evento
Durante a CCXP22, Lore assumiu a apresentação de lives sobre música dentro do evento
Foto: Reprodução/ Instagram: @loreimprota

Em uma conversa reveladora, Lore Improta ainda detalha como tem se preparado para blindar a filha Liz do racismo. Fruto do seu relacionamento com o cantor Léo Santana, a multiartista conta que passou a estudar para desenvolver consciência racial.

"Eu nunca vou passar por qualquer tipo de dor relacionada a isso, porque eu sou uma mulher branca, mas eu preciso estudar, não só pela minha filha, ou pelo meu marido, mas pela sociedade", acrescenta ela, que conta ter sido muito julgada quando assumiu o relacionamento com o pagodeiro. 

Confira a entrevista na íntegra:

Terra: A função de apresentadora não é nova para você. Mas como é a experiência de estar apresentando de dentro da CCXP22? 

Lore Improta: Eu amo apresentar, eu me sinto muito bem. Eu tive esse convite da Universal Music, pra gente fazer o Universal Music Studio. Apresentei quatro aqui na CCXP22, mas já tinha feito mais uns dois ou três com a Universal. É sempre muito maravilhoso, uma experiência incrível, uma equipe ótima de trabalhar. Estar fazendo [a live] de dentro da CCXP22, um evento que eu não conhecia... É a primeira vez que eu vim, e é gigantesco. Eu 'tô' impressionada. É uma experiência única. A gente conseguiu encontrar alguns fãs dos artistas, fãs que vêm como cosplay... É um mundo diferente. É um mundo que parece que é à parte do nosso. É muito massa a gente poder conhecer pessoas e experiências. Foi bem bacana. 

Para alguém que começou na dança, como é falar sobre música?

A música faz parte da minha vida e a dança complementa tudo. Eu falo que a música me move, em todos os sentidos, não só em relação à dança. Se eu estou em um dia baixo astral, meio triste, a música me bota pra cima. Se eu 'tô' querendo conversar com Deus, a música me faz essa ponte. A música faz parte da minha vida a todo momento. Na CCXP22 tem muita coisa sobre filme, e eu estou aqui falando sobre música. Eu posso não entender muito de filme, mas de música eu entendo, porque é que está no meu dia a dia, todos os dias da minha vida. 

O mercado de dança no Brasil está passando por um boom com as dancinhas do TikTok. Como você avalia esse momento? 

A dança, assim como qualquer outro mercado, está em constante evolução. Daqui a pouco passa o TikTok e vem uma outra era. A gente, que é profissional de dança, tem que acompanhar as novidades e tendências. Eu tento acompanhar um pouco do TikTok, mas não é muito meu estilo de dança. Eu entro às vezes por conta da moda, faço uma dancinha ou outra, mas eu sigo muito a minha linguagem de dança, que é a que eu já trabalho no YouTube. A gente precisa ter essa liberdade. Tem que mesclar, não pode ficar engessada no passado. Tem que começar a acompanhar o mercado cada vez mais. Agora, a moda é o TikTok, daqui a pouco aparece uma outra coisa, e a gente vai se adaptando. Todos os movimentos são super bem vindos, enriquecem a arte da gente e eu estou muito feliz de poder fazer parte dessa geração também. Quando eu comecei, a dança não era tão forte na internet. Já existia do Daniel Saboya [coreógrafo], mas não era tão forte assim. Hoje, eu acho que ele continua sendo o maior canal de dança, mas eu falo que não existia um movimento 360º. 

Como você consegue conciliar a maternidade com o trabalho?  

Eu tenho uma rede de apoio muito grande, e sou muito grata a Deus por isso. A gente sabe que, quando se é mãe, você acaba abdicando de muitas coisas, às vezes mais do que o pai. A maternidade demanda mais da gente. Essa rede me possibilita trabalhar, pois são pessoas que eu confio muito, que eu sei que estão dando carinho e atenção para minha filha, e isso deixa a gente mais tranquila pra vir aqui e trabalhar. Temos um combinado: quando eu preciso me ausentar por mais de dois dias da minha casa, ela vem comigo. Então, ela está aqui em São Paulo, junto da minha mãe e da babá que trabalha com a gente. É bom, pois eu fico pertinho dela nos horários que não estou trabalhando. Isso me abastece. Inclusive, essa semana, que ela está meio doente, com o dente nascendo, eu pensei: 'Ainda bem que ela está aqui comigo'. Eu saio do trabalho e já encho ela de amor e dengo. 

Infelizmente o racismo está presente na sociedade, isso afeta a criação de sua filha? 

Esse assunto surgiu na minha vida desde quando eu comecei um relacionamento interracial. Eu sempre fui muito julgada, e o Léo [Santana] também, muito julgado de 'palmiteiro' [expressão pejorativa usada para se referir a pessoas negras que apena se relacionam romanticamente com pessoas brancas] por estar comigo. A partir desse momento, e principalmente depois que eu engravidei, eu pensei: 'Minha filha é uma criança preta, independente da cor da pele', e eu comecei a estudar. Essa é a maneira de a gente poder começar a ter um pouco de consciência racial. Eu nunca vou passar por qualquer tipo de dor relacionada a isso, porque eu sou uma mulher branca, mas eu preciso estudar, não só pela minha filha, ou pelo meu marido, mas pela sociedade. Eu nunca vou sentir isso na minha pele, mas o racismo está aí. Independente de minha filha ser filha de dois artistas, ela não está isenta de passar por qualquer tipo de preconceito no futuro, e agora também, como já passou. No meu Instagram, eu recebo mensagens e tudo mais. Eu preciso me preparar e tentar blindar ela o máximo que eu puder, pra ela não sofrer tanto. Tudo que eu puder fazer, que estiver ao meu alcance, eu vou fazer com que ela sofra menos essa questão do racismo, que é estrutural, infelizmente. 

Fonte: Redação Terra
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