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Confete: do doce medieval ao carnaval moderno

Ligado hoje a desfiles de carnaval e festas populares, o confete tem uma origem que pouco lembra as arquibancadas cheias e os blocos de rua.

15 fev 2026 - 08h02
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Ligado hoje a desfiles de carnaval e festas populares, o confete tem uma origem que pouco lembra as arquibancadas cheias e os blocos de rua. Antes de virar um pequeno disco de papel colorido, o confete se associava a costumes medievais europeus, em que pessoas arremessavam alimentos e pequenos objetos durante celebrações públicas. Ao longo dos séculos, esse hábito mudou de forma, de material e de significado até chegar à versão atual. Hoje, muitas festas em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, utilizam o confete como elemento central da comemoração.

A palavra "confete" se relaciona ao termo italiano confetti, que, originalmente, designava doces açucarados oferecidos em ocasiões especiais, como casamentos e festas religiosas. Nessas celebrações, participantes lançavam esses confeitos ao ar como gesto simbólico de abundância e prosperidade, especialmente em regiões da Itália. Com o tempo, a prática de jogar pequenos elementos sobre a multidão deixou de se restringir aos alimentos. Assim, as pessoas passaram a incluir objetos menos caros e mais leves, o que ampliou o alcance da brincadeira.

Origem medieval do confete doce

Durante a Idade Média, sobretudo em cidades italianas, as pessoas costumavam distribuir e atirar confeitos de açúcar, sementes cobertas e amêndoas caramelizadas em eventos públicos. Esses confetti representavam produtos de prestígio, já que o açúcar custava caro e exigia grande investimento. A distribuição desses doces marcava momentos importantes, como nascimentos, casamentos e festividades ligadas ao calendário religioso. Além disso, a prática carregava caráter simbólico, pois funcionava como representação de fertilidade, alegria coletiva e boa sorte aos presentes.

Esse costume se consolidou especialmente entre grupos mais ricos, que usavam os confeitos como forma de demonstrar poder econômico. Com o passar do tempo, o gesto de atirar pequenas unidades coloridas ao ar, inicialmente comestíveis, começou a ganhar novas interpretações. Principalmente quando o custo do açúcar e dos ingredientes se tornou um fator limitador para grandes celebrações populares, as pessoas buscaram alternativas. Desse modo, a tradição se abriu para outros materiais, menos nobres, porém mais acessíveis.

Quando o confete deixou de ser doce para virar papel?

O ponto de virada na história do confete surgiu entre os séculos XVIII e XIX, quando participantes de festas passaram a usar alternativas aos doces lançados nas celebrações. Em várias cidades europeias, as pessoas começaram a jogar pequenos objetos sólidos, como gesso ou gesso pintado, o que gerava incômodo e, às vezes, ferimentos. Diante desse cenário incômodo, muitos foliões passaram a buscar um material mais leve e menos agressivo ao corpo. Assim, o papel surgiu como solução prática e trouxe uma nova etapa para a brincadeira.

confete de papel apareceu como opção mais barata, segura e visualmente marcante, já que permitia o uso de cores variadas e a produção em grande quantidade. Na Itália, em festas de carnaval, círculos de papel começaram a substituir gradualmente os confeitos doces lançados sobre a multidão. Esses fragmentos vinham, inicialmente, de restos de perfurações de papel feitas em escritórios e oficinas, o que aproveitava sobras de material. Em pouco tempo, fabricantes passaram a produzir confete de forma industrial, cortando folhas em pequenos discos ou quadrados. Assim, o confete se consolidou como elemento cenográfico, causou impacto visual marcante e evitou o desperdício de alimentos, além de reduzir danos físicos significativos.

Como o confete se associou ao carnaval?

A associação direta entre confete e carnaval começou nas festas carnavalescas europeias, sobretudo na Itália e na França, onde o lançamento desses pequenos pedaços de papel se transformou em parte essencial da brincadeira de rua. Desfiles de máscaras, carros alegóricos e bailes passaram a incorporar o confete como complemento da fantasia e da decoração. Além disso, a facilidade de produção e o custo reduzido ajudaram a popularizar o item em diferentes camadas sociais, tanto urbanas quanto rurais.

Com a expansão das tradições carnavalescas pelo mundo, o confete chegou também à América Latina. No Brasil, a prática se difundiu a partir do fim do século XIX e início do século XX, acompanhando o desenvolvimento dos desfiles em clubes, teatros e, mais tarde, nas escolas de samba. Assim, o confete passou a voar de sacadas, carros e arquibancadas, reforçando o clima de festa e marcando visualmente o carnaval. A ligação entre o termo "confete" e a festa carnavalesca se tornou tão forte que, no imaginário popular, muitos praticamente confundem os dois elementos.

Curiosidades e transformações do confete ao longo do tempo

Ao longo de sua história, o confete passou por modificações de forma, função e material, acompanhando mudanças sociais e tecnológicas. Em alguns períodos, foliões usaram não apenas discos de papel, mas também serpentinas, brilhos metálicos e plásticos coloridos para intensificar o efeito visual. No entanto, questões ambientais e de limpeza urbana provocam mudanças recentes e estimulam alternativas mais sustentáveis, como papéis biodegradáveis e materiais de fácil coleta. Além disso, alguns organizadores já testam confetes com sementes, que germinam após o evento e reduzem impactos negativos.

  • O confete começou ligado a doces medievais, não ao papel, e simbolizava abundância e prestígio social.
  • O formato em disco surgiu por causa das perfurações de papel em escritórios e fábricas, que geravam sobras reutilizáveis.
  • O carnaval europeu desempenhou papel central na transformação do confete em símbolo festivo de massa.
  • No Brasil, o confete ganhou destaque com o crescimento das escolas de samba e dos bailes carnavalescos em grandes cidades.

Hoje, apesar de aparecer principalmente no carnaval, o confete também marca presença em comemorações de ano-novo, festas particulares, eventos esportivos e celebrações públicas diversas. Em muitos estádios, por exemplo, torcidas lançam confete para celebrar títulos e homenagens especiais. A trajetória que vai do confetto doce medieval ao confete de papel moderno mostra como um simples elemento festivo reflete mudanças econômicas, culturais e tecnológicas ao longo dos séculos. Ainda assim, esse pequeno pedaço de papel continua presente nas principais festas populares até 2025 e provavelmente seguirá colorindo novas gerações.

Foto: Giro 10
Giro 10
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