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Um Lugar Silencioso entra na batalha por indicação ao Oscar

John Krasinski, diretor e ator afirma, no entanto, que a luta vai ser tranquila

9 jan 2019
03h11
atualizado às 12h01
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Em geral, quando atores ou diretores com concorrentes do Oscar sentam-se em frente de seu entrevistador, posso sentir a ansiedade que mal consegue se esconder sob seus corajosos rostos. Há tantos filmes de final de ano disputando a atenção da temporada de premiação, e é possível que seus projetos de paixão se percam nessa confusão.

John Krasinski e Noah Jupe em 'Um Lugar Silencioso' (2018)
John Krasinski e Noah Jupe em 'Um Lugar Silencioso' (2018)
Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures / Reprodução

Foi impressionante, então, quando me encontrei com um tranquilo e sorridente John Krasinski, que está tratando a premiação de Um Lugar Silencioso como uma inesperada volta da vitória. Krasinski dirigiu e estrelou o filme de terror pós-apocalíptico sobre uma família sitiada por monstros que busca suas presas pelo som e, desde então, Um Lugar Silencioso foi um sucesso instantâneo na primavera passada. "É bom colocar a pressão de lado e tornar o evento uma celebração em vez de um momento angustiante e assustador", disse Krasinski.

Em um ano com muitos candidatos populares, incluindo Nasce uma Estrela e Pantera Negra, a equipe por trás de Um Lugar Silencioso agora espera converter essa paixão de bilheteria em calor de premiações. Até agora, a mulher de Krasinski e coestrela do filme, Emily Blunt, foi indicada para o SAG por seu trabalho, e o filme alcançou as 10 primeiras menções de instituições como National Board of Review e American Film Institute. Isso significa que Krasinski, de 39 anos, passou quase o ano todo promovendo seu filme, mas está feliz em se esforçar ao máximo. "Sinto-me esgotado, mas é uma jogada totalmente diferente falar sobre algo que você ama." Aqui estão trechos editados da conversa:

Sua primeira conquista foi como ator em Vida de Escritório (The Office), que se tornou um sucesso no decorrer das temporadas. Em contraste, Um Lugar Silencioso foi um fenômeno da noite para o dia. Como você passou por esse tipo de sucesso?

The Office aconteceu de forma tão gradual que deu tempo para processar, mas com Um Lugar Silencioso, quando você é disparado de um canhão, você realmente não sabe que está no ar, até quase estar indo para baixo. Isso mudou minha vida. Senti que essa era uma história que sempre quis contar, e eu nem mesmo sabia que estava fazendo falta na minha vida, então houve essa saciedade com algo que não percebi que precisava. Quando eu estava levando minha filha para a escola pela primeira vez depois que estreamos no South by Southwest, senti algo como: "Você está tendo seu pai completo pela primeira vez".

Como foi essa primeira exibição pública?

Nós estávamos indo para lá e minha mulher disse: "Com o que você quer se preocupar? Concentre-se em uma coisa apenas, porque se você se preocupar com o filme todo, você vai ficar louco". Eu me lembrei que o (George) Clooney me contou que o público aplaudiu no final (do drama que ele dirigiu), Boa Noite, e Boa Sorte, então eu disse: "Seria legal se eles batessem palmas". Ela aconselhou: "OK, então concentre-se apenas nisso. Não se preocupe com o que o público fizer". Quando Emily (Blunt) apontou a arma no fim do filme, eles explodiram, saltaram de seus assentos. Lembro disso porque Emily se virou para mim e gritou: "Oh meu Deus!". E, para falar a verdade, eu mal consegui ouvir porque todo mundo estava falando muito alto. Foi quando soube: "Há algo aqui".

Um filme de terror não é diferente de uma comédia, se funciona, as pessoas têm uma reação visceral a ele.

Aceitei esse projeto por causa de conselhos que o Greg Daniels me deu quando estava trabalhando em The Office. Ele me disse: "Seu trabalho não é ser engraçado ao dizer tais frases. Seu trabalho é apenas dizer tais frases. Se as pessoas acharem engraçado, isso é com elas. Você apenas joga honestamente com elas". Foi assim que abordei o filme e não sei se teria feito isso se não tivesse recebido tal conselho. Eu teria pensado: "Tenho de assustar as pessoas, porque esse é o gênero do filme, e teria sido horrível".

Espera-se que o filme seja um forte candidato ao Oscar nas duas categorias de som, que as pessoas costumam confundir. Como o som era uma parte tão importante do filme, parece-me que você é a pessoa perfeita para explicar a diferença entre essas duas categorias.

Há mixagem e edição de som. A edição está recebendo todos os sons. A mixagem de som garante que todos se unam para soar real. Se os grilos fossem tão altos quanto a música, seria insano: você tem de diminuir o som dos grilos para que soe real. A ideia em geral, eu pensei ter entendido até que fiz esse filme. Tudo foi alucinante para mim.

Se um filme funciona, ele pode funcionar bem mesmo sem som.

No primeiro ou segundo dia, estava passando por diferentes sons com o meu editor para equalizar, e eu disse: "Passe para mudo". E nós mudamos para sem som. O primeiro corte e o segundo corte foram feitos sem som algum. Eu precisava ser capaz de me conectar com esses personagens sem mais nada.

Quando teve aquele corte silencioso, você alguma vez pensou: "Isso poderia ser um filme completo por conta própria?".

Pode parecer superpretensioso, mas é verdade. Mesmo no silêncio, havia muita comunicação acontecendo. Não acreditava que nosso filme seria tão comercialmente aceito já que a única outra vez que eu vi alguém fazer um filme sem diálogo falado foi com Paul Thomas Anderson no começo de Sangue Negro, de 2007. Esses primeiros 12 a 14 minutos em que Daniel Day-Lewis não fala foi uma imensa pedra de toque para mim. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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Estadão
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