Gyllenhaal e Anne Hathaway funcionam em 'Amor e Outras Drogas'
Sim, você já viu essa história antes e não, não há nada de mal nisso. Não ao menos se a sua intenção é sair do cinema com a reconfortante idéia de que a vida tem sua cota de previsibilidade e que o amor, ah o amor, sempre prevalece. Amor e Outras Drogas é, portanto, o combo comédia-drama-romance que se reveste de uma pretensa ousadia técnica (nudez parcial dos atores) para conquistar todos os corações: senhores, senhoras, namorados, namoradas, amigos ou gente interessada apenas em ver os seios de Anne Hathaway, o bumbum de Jake Gyllenhaal em cenas de sexo tão ensaiadas e esteticamente corretas quanto um número de balé.
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A premissa parte de um cenário, curiosamente, ainda pouco explorado pelo cinemão: a lucrativa indústria farmacêutica, conhecida por ser mais perniciosa à humanidade do que a indústria de cigarros, de armas e de bebidas alcoólicas. Juntas. Mas alto lá que essa é uma história de amor. Portanto, as farpas, responsabilidades e contrapartidas sociais existem apenas para nos dizer que o mundo é cruel e malvado, mas que, para toda maçã envenanada de glúten, existe um príncipe ou princesa encantados para amenizar a intoxicação com um beijo ou, se você der sorte, um (sic) corpitcho escultural de bônus.
Na tradução de uma sinopse, tudo se desenrola mais ou menos assim: No começo dos anos 1990, Jamie Randall (Gyllenhaal) é um rapaz sedutor cujo ponto mais alto do currículo é sua facilidade em levar mulheres para cama. Desempregado, ele decide se alistar para o exército de funcionários da Pfizer, gigante da indústria farmacêutica, na promíscua missão de convencer médicos bastante corrutíveis a prescreverem remédios desse ou daquele laboratório - incluindo aí a mágica pílula azul do Viagra. Nesse ambiente moralmente pouco saudável, ele conhece o médico Dr. Stan Knight (Hank Azaria) e, a partir dele, uma de suas pacientes, a jovem, sexy, solteira e bastante doente Maggie Murdock (Anne Hathaway).
Nos seus 20 e tantos anos, Maggie tem Mal de Parkinson. Enquanto isso, Jamie tem ambições. Mas naquele raio de clareza que nos acomete em nosso know how de sessões da tarde e centenas e centenas de comédias românticas na bagagem, entendemos em uma fração de segundos o que vai se passar dali por diante no filme de Edward Zwick: eles vão se apaixonar como nunca antes, eles vão se ferir como nunca antes e, no final, bem, vamos combinar que não é de difícil dedução.
No meio desse caminho, o filme usa alguns recursos gastos para criar aquela transição entre fazer sexo e fazer amor. A mais recorrente delas é a tal da câmera amadora que capta momentos de intimidade em preto-e-branco com o casal se filmando em pequenas declarações de amor. Ou ainda aquela clássica cena de reconciliação assistida de espreita por uma torcida de velhinhos. Ou mesmo a premissa de que, por trás de todas as conquistas amorosas do mocinho existe um rapaz inseguro sem qualquer autoestima.
Mas é preciso admitir que, a despeito de todos os lugares comuns, Amor e Outras Drogas está acima da média no gênero. E isso se deve basicamente aos atores protagonistas. Gyllenhaal é um sábio da sedução. Seu corpo namora com a câmera, a câmera se apaixona por seu corpo. Hathaway, por sua vez, demonstra que, além de ser uma ótima atriz, pode sim ser sexy e atraente entre uma e outra mexida no cabelo. E juntos, os dois funcionam muito bem, eles se colaboram em cena (a lembrar que eles já fizeram um quase par em Brokeback Mountain). Tendo isso dito, o filme agrada em não nos comprometer com pensamentos mais profundos. É começar os créditos finais para você soltar aquele sorriso de canto de boca e desligar o telefone com o padrão: "Ok, obrigada, tchau tchau".