Beija-Flor encerra primeiro dia homenageando Brasília
Assim como a Mocidade Alegre de São Paulo, a Beija-Flor homenageou em seu samba-enredo os 50 anos da capital do País, Brasília. A última escola a se apresentar na primeira noite do Grupo Especial cantou um enredo que se tornou polêmico devido a um escândalo político: Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança. A direção da escola minimizou os problemas enfrentados pelo governador José Roberto Arruda e afirmou que o foco foi a figura de Juscelino Kubitschek, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, ao celebrar os 50 anos da cidade.
Investigações da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal (PF) trazem indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário. O governador, que pediu afastamento e atualmente se encontra detido na superintendência da PF, aparece em vídeos recebendo maços de dinheiro.
Famosa por seus carnavais que unem luxo e criatividade, a escola de Nilópolis teve um Carnaval avaliado em R$ 8 milhões. Desse valor, R$ 3 milhões foram pagos pelo governo do Distrito Federal. A Beija-Flor de Nilópolis, vice-campeã em 2009, enfrentou a polêmica e levou à Marquês de Sapucaí a historia de Brasília. Mesmo tendo que justificar seu samba-enredo, desde a detenção de Arruda, a agremiação acredita na conquista do título este ano. Para isso, providenciou o maior carro alegórico de sua história. Com 70 metros de comprimento, o veículo carregou uma figura de um índio Paranoá. No mesmo carro, a escola exibiu fontes de água com luzes de neon com alcance de até 2 km.
Neguinho
Mesmo antes de começar sua apresentação no sambódromo, a azul e branco de Nilópolis já era recebida com gritos de campeã. O intérprete Neguinho da Beija-Flor, que em 2009 se casou em plena Marquês de Sapucaí, disse que 2009 foi "um ano de sacrifício". Ele enfrenta um câncer no intestino que quase o deixou fora da avenida. O cantor também confidenciou que o samba deste ano não tem "força para explodir" e cair na boca do povo. O tema polêmico também gerou alguns comentários antes do Carnaval.
Laíla, diretor geral de harmonia de Carnaval da escola, admitiu antes da apresentação que não colocaria na Sapucaí o enredo sobre Brasília caso o escândalo de corrupção tivesse estourado antes da escolha do samba-enredo. Ao todo, seis escolas disputaram uma licitação para tentar defender o enredo sobre a capital do País.
A comissão de frente foi representada por integrantes vestidos de monges que mostraram o início da escrita. O destaque foi uma brilhante fantasia com 600 lâmpadas coloridas. A Beija-Flor dividiu suas 120 baianas em duas alas. Com muito luxo, 60 integrantes se apresentaram vestidas de índias para contar a história de Brasília. O gigante abre-alas da Beija-Flor falou da lenda indígena de Paranoá, que faz parte da história da cidade.
Uma das alegorias representou a vinda da família Real ao Brasil. A bateria dos Dragões da Independência e seus dois mestres, Plinio e Rodinei, também ganhou destaque na Sapucaí. A escola buscou no Egito semelhanças com a Capital Federal para cantar o Carnaval. Aketaton seria a irmã ancestral de Brasília.
Durante o tempo na avenida, a Beija-Flor mostrou a ala dos Tamanduás, destacou os perigos do Cerrado, a onça-pintada, as formigas e tamanduás da região. Homenageou também os fundadores da Capital Federal: os Candangos. No final da apresentação uma escultura de 7m representou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela construção de Brasília.
Histórico
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis foi fundado em 25 de dezembro de 1948, durante as comemorações de natal. Um grupo formado por Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Helles Ferreira da Silva, Mário Silva, Walter da Silva, Hamilton Floriano e José Fernandes da Silva resolveu formar um bloco que, depois de várias discussões, por sugestão de Eulália de Oliveira, mãe de Milton, recebeu o nome de Beija-Flor (inspirado no Rancho Beija-Flor, que existia em Marquês de Valença). Eulália foi admitida como fundadora.
Neste Carnaval, a Beija-flor levou para a avenida o enredo Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança com autoria dos compositores Picolé da Beija Flor,Serginho Sumaré, Samir Trindade, Serginho Aguiar, Dilson Marimba e André do Cavaco. A escola foi campeã do Carnaval carioca pela última vez em 2008.
Ficha técnica
Presidente: Fabão Abrarão David
Carnavalesco: Comissão: Alexandre Louzada, Fran-Sergio, Laíla e Ubiratan Silva
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Claudinho e Selminha
Intérprete do samba: Neguinho da Beija-Flor
Rainha da Bateria: Rayssa Oliveira
Cores: azul e branco
Posição no Carnaval de 2009: vice-campeã de 2009