Pioneira na avenida, Monique Evans faz crítica ao Carnaval atual
Primeira rainha de bateria famosa relembra sua história e questiona a perda de espontaneidade no Carnaval.
O Carnaval mudou. Essa é a avaliação de Monique Evans, um dos maiores ícones da folia brasileira. Pioneira na avenida, ela compara o passado com o presente e faz críticas ao modelo atual.
Monique marcou época ao ocupar um posto que nem existia oficialmente. Sua presença abriu caminho para outras famosas na Sapucaí.
Hoje, aos quase 70 anos, ela observa a festa com distância. E com olhar crítico.
O início de tudo: um posto que nem existia
Monique Evans entrou para a história do Carnaval em 1984. Naquele ano, ela desfilou à frente da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel.
Na época, o posto de rainha de bateria ainda não tinha esse nome. Segundo Monique, o cargo era chamado de madrinha.
"Esse lugar era conhecido como madrinha, ocupado por uma passista da comunidade", explicou em entrevista ao Gshow. Ela destacou que não havia destaque especial. "Não tinha fantasia própria e nem toda essa visibilidade", contou.
Uma estreia inesperada e sem planejamento
A presença de Monique na Sapucaí aconteceu quase por acaso. Ela não planejava ocupar posição de destaque.
Naquele período, participava do programa do Chacrinha. Em tom descontraído, comentou que queria desfilar. "Disse a ele que tinha vontade de sair em alguma escola de samba", relembrou.
O convite veio da Mocidade. Monique acreditava que sairia em alguma ala comum.
Fantasia improvisada e samba desconhecido
Ao chegar na escola, tudo mudou rapidamente. Medidas foram tiradas sem grandes explicações. "No dia seguinte, colocaram um negócio com uma peninha na cabeça", contou, rindo. Ela foi posicionada à frente da bateria. "Meu Deus do céu, nem a letra do samba eu sabia", disse.
Segundo Monique, foi tudo uma grande bagunça. Mesmo assim, o público reagiu positivamente.
Sucesso sem intenção e muita liberdade
Monique afirma que nunca buscou impacto ou repercussão. O objetivo era apenas se divertir. "Sai para curtir, viver a experiência sem preocupação", contou. Ela admite que o sucesso veio de forma natural. "Foi por acaso que eu caí ali naquele posto", afirmou.
A espontaneidade marcou sua passagem pela avenida e definiu uma era do Carnaval.
Comparação direta com o Carnaval atual
Ao olhar para os desfiles de hoje, Monique faz uma comparação direta. Para ela, muita coisa mudou. "Hoje em dia as pessoas até brigam entre si", avaliou. "Uma luta para serem musas das escolas", completou.
Segundo Monique, o clima competitivo não existia em sua época. Tudo era mais leve e espontâneo. Ela reinou na Mocidade até 1987, sem disputas ou polêmicas.
Crítica às regras e à estrutura excessiva
Monique também critica o excesso de regras nos desfiles atuais. Para ela, o Carnaval ficou mecânico. "Meu Carnaval era livre, cheio de curtição", afirmou ao Gshow.
"Agora é cheio de regras, muito mecânico", completou, sem rodeios. Ela destaca o aumento da equipe de apoio. "É maquiadora, cabeleireiro, segurança, tudo ao mesmo tempo", comparou.
Segurança demais. liberdade de menos
Outro ponto citado por Monique é a questão da preocupação com segurança. Hoje, segundo ela, tudo é controlado. "Não tinha essa frescura de segurança", disse, ao lembrar do passado.
Ela conta que desfilava sem alguém carregando seus pertences. Tudo era mais simples. Essa liberdade, segundo ela, faz falta na avenida atual.
Padronização estética incomoda a apresentadora
Monique Evans também comentou sobre os corpos vistos hoje no Carnaval. Para ela, há pouca diversidade.
"Até as mulheres parecem fabricadas", afirmou. "Tomam hormônio, malham e ficam todas iguais", disse. Ela acredita que o sex appeal natural foi substituído por um padrão estético rígido.
A crítica gerou debate nas redes sociais e reacendeu discussões sobre autenticidade.
Outro ponto levantado por Monique é o excesso de coreografias. Segundo ela, tudo precisa ser ensaiado. "Tudo tem que ter coreografia", afirmou ao Gshow.
Para ela, isso tira o improviso e a emoção do samba no pé. O Carnaval, em sua visão, perdeu parte da essência popular.
Exceções que mantêm a essência
Apesar das críticas, Monique faz questão de elogiar algumas figuras atuais da avenida. Ela citou Viviane Araújo como exemplo positivo. "Ela samba muito", afirmou.
Também elogiou Sabrina Sato. "Samba do jeito dela. Isso que é legal", disse. Para Monique, essas mulheres preservam a identidade do Carnaval.
Outras passagens marcantes na avenida
Além da Mocidade, Monique passou por outras escolas tradicionais. Ela desfilou pela São Clemente e pela Estácio de Sá, em 1992. Nos anos 1990, esteve na União da Ilha e na Grande Rio. Sempre com destaque e reconhecimento do público.
Última vez na Sapucaí foi em 2014
A despedida oficial de Monique da avenida aconteceu em 2014. O momento foi simbólico. Naquele ano, a Mocidade homenageou o carnavalesco Fernando Pinto.
Monique foi celebrada como ícone da "era de ouro" do Carnaval na Sapucaí. A participação emocionou fãs e marcou sua trajetória.
Mesmo com o reconhecimento, Monique garante que não pretende voltar a desfilar. "Já recebi um monte de convite, mas não acho mais legal", afirmou ao Gshow.
Para ela, o Carnaval mudou demais. A identificação não é mais a mesma. Hoje, prefere guardar as memórias e observar de fora.