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Arqueólogos descobrem esqueleto de 'fugitivo' em Herculano

Antiga cidade romana foi devastada por erupção do Vesúvio

15 out 2021 10h07
| atualizado às 10h34
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Arqueólogos italianos descobriram o esqueleto parcialmente mutilado de um homem que tentava escapar da devastadora erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.

Os restos mortais foram achados no sítio arqueológico de Herculano, antiga cidade romana que, assim como sua vizinha mais famosa, Pompeia, foi completamente destruída pela fúria do Vesúvio.

"É um achado sobre o qual esperamos muitíssimo", disse o diretor do parque de Herculano, Francesco Sirano, em entrevista à ANSA. Segundo ele, a descoberta pode jogar nova luz sobre os últimos momentos de vida na antiga cidade.

O esqueleto parcialmente mutilado era de um homem entre 40 e 45 anos que foi pego pela avalanche de fogo e gás a poucos metros do mar, que poderia ter representado sua salvação. "A sensacional descoberta dos restos de um fugitivo em Herculano é uma belíssima notícia", comemorou o ministro da Cultura da Itália, Dario Franceschini.

"As fascinantes hipóteses em torno do mistério que circunda a morte dessa vítima agora estão nas mãos dos estudiosos", acrescentou.

As escavações em Herculano ficaram paralisadas por quase 30 anos, mas foram retomadas recentemente, especialmente na área da antiga praia da cidade, que estava soterrada a quatro metros de profundidade.

Fuga

Os restos mortais foram encontrados na base de um muro de pedra que delimita a antiga orla de Herculano.

O esqueleto estava com a cabeça voltada para o mar e rodeado por pedaços de madeira carbonizada, incluindo a viga de um teto que pode ter acertado o crânio. Já os ossos apresentam uma cor avermelhada.

"É uma marca deixada pelo sangue da vítima", explicou Sirano, acrescentando que isso foi resultado do processo particular de combustão provocado em Herculano pela corrente de magma, cinzas e gás expelida pelo Vesúvio.

"Os últimos momentos aqui foram instantâneos, mas terríveis. Era 1h da madrugada quando o fluxo piroclástico chegou à cidade com uma temperatura entre 300 e 400ºC, embora alguns estudos falem em 500 a 700ºC", declarou.

Segundo o arqueólogo, essa nuvem ardente se dirigiu rumo ao mar a 100 quilômetros por hora e era tão densa que praticamente não tinha oxigênio. Em poucos minutos, esse material engoliu a parte alta da cidade e ceifou pessoas e animais com um calor tão grande que fazia os corpos evaporarem.

O homem cujo esqueleto foi descoberto agora não estava escondido com as outras pessoas nos galpões dos pescadores na orla. "Talvez se tratasse de um socorrista", cogitou Sirano. Por essa hipótese, ele seria um militar que talvez estivesse preparando um barco para levar um primeiro grupo de indivíduos para alto mar.

"Ou talvez fosse um fugitivo que havia se afastado do grupo para tentar chegar ao mar", acrescentou o arqueólogo. O esqueleto será removido com a ajuda de lâminas de metal junto com uma porção da rocha na qual está incrustado, e a escavação vai prosseguir em laboratório.

Ansa - Brasil   
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