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Cientistas investigam se DNA de Da Vinci está escondido em suas obras

Grupo usou técnica não invasiva para tentar mapear genoma do italiano

19 jan 2026 - 11h11
(atualizado às 12h22)
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Em mais um passo na "caça" ao DNA do artista italiano Leonardo da Vinci (1452-1519), cientistas revelaram ter conseguido extrair, pela primeira vez, vestígios de material genético de um desenho atribuído ao gênio renascentista.

Da Vinci nunca teve filhos, e seu túmulo original, localizado na Capela de São Florentin, em Amboise, na França, foi destruído durante a Revolução Francesa. Sem restos mortais confirmados, pesquisadores do chamado "Projeto Leonardo da Vinci" adotaram uma estratégia alternativa: procurar vestígios genéticos em objetos que o artista pode ter tocado.

O artista deixou um vasto legado de pinturas, desenhos e cartas ? artefatos que, em tese, poderiam conter traços de material genético humano. Com isso, a equipe analisou cartas escritas por um parente distante de Leonardo e um desenho conhecido como "Menino Jesus", atribuído ao artista pelo falecido negociante de arte Fred Kline, embora essa autoria seja questionada por outros especialistas.

As análises revelaram grande quantidade de DNA ambiental nos objetos, incluindo material genético de bactérias, plantas, animais e fungos. Entre esses fragmentos, os cientistas identificaram também uma sequência de cromossomo Y pertencente a um indivíduo do sexo masculino.

Os resultados foram divulgados em 6 de janeiro em uma versão preliminar de estudo que ainda não passou por revisão por pares.

Segundo o coautor do estudo, o biólogo Norberto Gonzalez-Juarbe, da Universidade de Maryland, "há muito material biológico que pode ser rastreado em um pedaço de papel ou em uma tela que o absorve". E, portanto, "a tinta acaba funcionando como uma camada protetora." O estudo não afirma que o DNA identificado seja de Leonardo, mas os pesquisadores acreditam ter estabelecido um método promissor.

De acordo com Charles Lee, professor do Laboratório Jackson de Medicina Genômica, se a mesma sequência do cromossomo Y aparecer de forma consistente em diferentes artefatos, isso poderá servir como base para reconstruir parte do genoma do artista.

A equipe identificou o cromossomo Y como pertencente ao haplogrupo E1b1, relativamente comum na Toscana, região onde Leonardo nasceu.

Embora isso não seja uma prova conclusiva, trata-se da primeira associação genética desse tipo feita com o pintor. "São observações iniciais", destacou Lee. "Agora temos uma base para confirmar ou contestar esses dados com novas evidências."

Além do DNA humano, os pesquisadores encontraram pistas sobre o contexto histórico das obras. Fragmentos genéticos de laranjeira, por exemplo, podem estar ligados aos jardins da família Médici, na Toscana, enquanto DNA de javali possivelmente veio de pincéis feitos com cerdas desse animal, comuns no Renascimento.

Especialistas independentes, no entanto, pedem cautela. A historiadora da arte Francesca Fiorani, da Universidade da Virgínia, questiona a escolha dos materiais analisados e ressalta que não há uma forma segura de obter o DNA de Leonardo sem restos mortais autenticados.

Outros pesquisadores apontam que o DNA humano encontrado pode pertencer a várias pessoas que manusearam os objetos ao longo dos séculos.

Apesar das críticas, a metodologia inovadora é vista como promissora. O projeto agora pretende analisar outros artefatos menos manipulados, coletar amostras de possíveis descendentes do pai de Leonardo e, eventualmente, comparar os dados com ossos que possam vir a ser autenticados no futuro.

Para os cientistas envolvidos, compreender o DNA de Leonardo pode ajudar a explicar características extraordinárias atribuídas ao artista, como uma acuidade visual excepcional.

"Não sabemos onde essa jornada vai terminar", disse Lee. "É isso que torna toda a jornada mais gratificante".    

Ansa - Brasil
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