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Tinta púrpura mais valiosa que ouro é achada em esgoto romano

Com quase 1800 anos, pigmento púrpura só podia ser comprado pela realeza romana e era fabricado a partir de caracóis marinhos — peça é única no mundo

10 mai 2024 - 00h39
(atualizado às 04h06)
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Cientistas encontraram, em um sítio arqueológico romano no Reino Unido, um estranho objeto roxo disforme. Uma investigação revelou ser um pedaço extremamente raro de púrpura tíria, ou púrpura de Tiro, tipo de tinta antiga que valia mais do que o próprio peso em ouro.

Foto: Frank Giecco/Wardell Armstrong / Canaltech

O achado foi feito em 2023, no terreno do Clube de Críquete Carlisle, norte da Inglaterra. A escavação fazia parte de pesquisas em uma enorme construção que incluía uma casa de banhos do século III d.C., durante o reinado do imperador romano Sétimo Severo.

O pedaço de material macio estava na tubulação das ruínas, e foi identificado pelo incomum tom arroxeado. Enviado à Universidade de Newcastle, o item revelou ter uma pigmentação orgânica contendo bromo (Br) e cera de abelha, sinal inconfundível da púrpura tíria da época romana.

Tinta púrpura na antiguidade

Como atualmente tinturas são facilmente produzidas em laboratório, um achado como este não parece muito importante, mas, no passado, podiam ser muito difíceis de obter. No caso da púrpura, já rara na natureza, a única forma de obtê-la era a partir do esmagamento de milhares de caracóis marinhos — os gastrópodes murex, encontrados no Mar Mediterrâneo.

A púrpura tíria era obtida a partir do murex esmagado — confira, na imagem, a tinta que cada espécie gera (Imagem: U.Name.Me/TeKaBe/CC-BY-S.A.-4.0)
A púrpura tíria era obtida a partir do murex esmagado — confira, na imagem, a tinta que cada espécie gera (Imagem: U.Name.Me/TeKaBe/CC-BY-S.A.-4.0)
Foto: Canaltech

Para pintar uma vestimenta inteira ou colorir um ornamento, dezenas de milhares de murex tinham de ser obtidos e processados, o que envolvia muita mão-de-obra. Isso tornava o produto caríssimo, então só podia ser obtido pela realeza, como os aristocratas e imperadores romanos. Por muito tempo, os príncipes eram chamados de "nascidos da púrpura", sinônimo do termo atual "nascido em berço de ouro".

Muitos itens com a cor foram encontrados em torno do Mediterrâneo, mas encontrar um deles no Reino Unido é bastante incomum, já que era a fronteira mais ao norte do império. É o único exemplo do norte da Europa e provavelmente a única amostra do pigmento não utilizado de todo o império romano, segundo os pesquisadores responsáveis.

Sétimo Severo, político romano que foi imperador de 193 d.C. a 211 d.C., nasceu onde hoje é a Líbia e visitou a província da Britânia (atual Inglaterra) em 208 d.C., com o objetivo de fortalecer a Muralha de Adriano, fronteira mais ao norte do território.

A presença da púrpura tíria em Carlisle, que fica na mesma região, provavelmente está ligada à visita real. Por um tempo, a corte de Severo ficou na cidade nortenha de York (na época, Eboraco).

Fonte: Wardell Armstrong

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