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Cientistas dizem ter desvendado mistério sobre construção de pirâmides egípcias

Cientistas dizem que os monumentos provavelmente foram construídos ao longo de um 'braço' agora extinto do Rio Nilo.

17 mai 2024 - 06h12
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Vista panorâmica da grande pirâmide de Gizé, no Egito
Vista panorâmica da grande pirâmide de Gizé, no Egito
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Cientistas acreditam que podem ter resolvido o mistério de como 31 pirâmides — incluindo o célebre complexo de Gizé — foram construídas há mais de 4 mil anos no Egito.

Uma equipe de pesquisa da Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, nos Estados Unidos, descobriu que as pirâmides provavelmente foram construídas ao longo de uma antiga ramificação há muito tempo perdida do Rio Nilo, que agora está escondida sob desertos e terras agrícolas.

Há muitos anos, os arqueólogos acreditam que os antigos egípcios devem ter usado uma via navegável próxima para transportar materiais como os blocos de pedra, necessários para construir os monumentos.

Mas até agora, "ninguém tinha certeza da localização, da forma, do tamanho ou da proximidade desta megavia navegável em relação ao local das pirâmides", explica o professor Eman Ghoneim, um dos autores do estudo.

Ghoneim liderou a equipe de pesquisa que fez a descoberta
Ghoneim liderou a equipe de pesquisa que fez a descoberta
Foto: Eman Ghoneim/UNCW / BBC News Brasil

Em um esforço intercontinental, o grupo de pesquisadores utilizou imagens de radar via satélite, mapas históricos, levantamentos geofísicos e sondagem de sedimentos (uma técnica usada por arqueólogos para recuperar evidências de amostras) para mapear o "braço" do rio — que eles acreditam ter desaparecido devido a uma grande seca e tempestades de areia há milhares de anos.

A equipe conseguiu "penetrar na superfície da areia e produzir imagens de características ocultas" usando a tecnologia de radar, diz o estudo, publicado na revista científica Nature.

Entre elas, estavam "rios soterrados e estruturas antigas" localizados na encosta de onde se encontra a "grande maioria das pirâmides do Antigo Egito", acrescenta Ghoneim.

Pesquisadores dos EUA, Egito e Austrália participaram do mapeamento de Ahramat, como foi chamada esta ramificação do Rio Nilo
Pesquisadores dos EUA, Egito e Austrália participaram do mapeamento de Ahramat, como foi chamada esta ramificação do Rio Nilo
Foto: Suzanne Onstine / BBC News Brasil

Em conversa com a BBC, uma das coautoras do estudo, Suzanne Onstine, afirma que "localizar a verdadeira ramificação [do rio] e ter os dados que mostram que havia uma via navegável que poderia ser usada para o transporte de blocos mais pesados, de equipamentos, de pessoas, de tudo, realmente nos ajuda a explicar a construção das pirâmides".

A equipe descobriu que este "braço" do rio — que recebeu o nome de Ahramat ("pirâmide", em árabe) — tinha cerca de 64 quilômetros de comprimento e entre 200 metros e 700 metros de largura.

Ele margeava 31 pirâmides, que foram construídas entre 4,7 mil e 3,7 mil anos atrás.

A descoberta desse extinto "braço" do rio ajuda a explicar a alta densidade de pirâmides entre Gizé e Lisht (local de sepultamentos do Médio Império), no que é hoje uma área inóspita do Deserto do Saara.

A proximidade desta ramificação do rio com os monumentos sugere que ele estava "ativo e operacional durante a fase de construção destas pirâmides", afirma o artigo.

Onstine explica que os antigos egípcios poderiam "usar a energia do rio para transportar esses blocos pesados, em vez do trabalho humano".

"É simplesmente muito menos esforço", acrescenta.

O Rio Nilo foi a tábua de salvação do Antigo Egito — e continua sendo até hoje.

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